23 November 2009

Alberta Cross - Broken Side Of Time

Alberta Cross, grupo oriundo de Londres, é formado por Terry Wolfers no baixo, Petter Ericson na guitarra e voz, John Alexander Ericson nas teclas e Seb Sternberg na bateria.
Após a sua estreia no mundo musical com o EP The Thief & The Heartbreaker, editado em 2007 pela label Fiction, o grupo regressa neste ano de 2009 com Broken Side Of Time, disco onde mantêm a sua linha musical, assente num blues-rock com grande influência de Neil Young, quer a nível vocal quer instrumental, sendo evidente o som das guitarras, permanentemente a solar, por traz da voz frágil mas agradável de Petter Ericson a fazer lembrar um pouco os Death Cab For Cutie.
Um bom disco de um bom grupo que pode ter grande futuro na cena indie britânica e, quem sabe na europa, se bem que me pareca mais o género de música para vingar no mercado americano, com aquele tipo de som blues-rock americano, não faltando a típica slide-guitar.

01 - Song Three Blues
02 - ATX
03 - Taking Control
04 - Old Man Chicago
05 - Broken Side Of Time
06 - Rise From The Shadows
07 - City Walls
08 - The Thief & The Heartbreaker
09 - Leave Us And Forgive Us
10 - Ghost Of City Of Love

Nota - 8/10

20 November 2009

Penelopes - Priceless Concrete Echoes

Apesar de, do meu ponto de vista, a música moderna francesa não apresentar grandes nomes, salvo algumas boas excepções entre as quais Daft Punk ou Air, de vez em quando chegam-nos algumas boas surpresas da terra dos gauleses.
The Penelopes (Axel Basquiat e Vincent Tremel) formaram-se no ano de 2002, altura em que editaram alguns singles e em 2007 gravaram o primeiro álbum, The Arrogance Of Simplicity.
No início deste ano de 2009 os The Penelopes & Morpheus editaram este Priceless Concrete Echoes, um bom disco pop com uma música à base de sintetizadores que nos faz lembrar alguma da música dos anos 80 e, principalmente, New Order.
Uma pop simples e despretensiosa.

01 - Stuck In Lalaland (Feat Morpheus)
02 - Demian (Feat. Dierde)
03 - Licked By Love (Feat Morpheus)
04 - Circle Of Reasons
05 - Saved (Feat Morpheus & Malka Spigel)
06 - Joey Santiago
07 - Sabotage
08 - Long Black Fly (Feat Morpheus)
09 - The Heat Goes On (Feat Morpheus)
10 - Concrete
11 - your Plan For Happiness

Nota - 8/10

16 November 2009

Presets - Apocalypso

Com edição de 2008, este disco assinala o regresso dos The Presets, duo australiano de Sidney, composto por Julian Hamilton na voz e teclados e Kimberly Moyes na bateria e programação.
Apocalypso, apesar de não conseguir atingir o nível de Beams (2005), é um bom disco que no entanto peca a partir de determinada altura, pois torna-se monótono e maçador; este é, quanto a mim, um dos problemas da maior parte da música electrónica e dança.
Apesar de alguma monotonia, no geral é um bom disco no qual estão bem patentes as influências dos Pet Shop Boys ou dos Smith; é um trabalho que nos mantém bem dispostos e nos convida para a dança.

01 - Kicking and Screaming
02 - My People
03 - A New Sky
04 - Tgis Boy's In Love
05 - Yippiy-ay
06 - Take Like That
07 - Eucalyptus
08 - If I Know you
09 - Together
10 - Aeons
11 - Anywhere

Nota - 7/10



13 November 2009

Choir Of Young Believers - This Is For The White...

Choir Of Young Believers é um projecto a solo de Jannis Noya Makrigiannis, guitarrista dos Lake Placid. Neste disco, This Is For The White In Your Eyes, este músico dinamarquês apresenta-nos uma dezena de canções de uma forte vertente acústica, num pop suave, agradável e extremamente melódico.
Podemos não estar perante um grande disco, um disco de excepção, mas estamos concerteza perante um trabalho discográfico de qualidade e que nos dá prazer ouvir... principalmente nestes dias de inverno em que apetece ficar em casa a ouvir a chuva e o vento. É uma música que nos apazigua e relaxa, perante o tempo agreste e frio de inverno.

01 - Hallow Talk
02 - Next Summer
03 - These Rituals Of Mine
04 - Action-Reaction
05 - Under The Moon
06 - Wintertime Love
07 - She Walks
08 - Why Must It Always Be This Way
09 - Claustrophobia
10 - Yamagata

Nota - 7/10

09 November 2009

Soulsavers - Broken

Como grande admirador da música e voz de Mark Lanegan, qualquer comentário que possa fazer a este "Broken" pode ser suspeito. No entanto, não hesito em afirmar que este terceiro disco dos Soulsavers, duo britânico formado por Rich Machin e Ian Glover, é um excelente trabalho. São treze temas brilhantes, dos quais oito têm o toque de Lanegan, quer ao nível vocal quer de composição. Apesar da presença de Mark Lanegan e Will Oldham funcionarem como um "certificado de qualidade", "Broken" é um disco de extraordinária beleza com uma mescla de sonoridades e ambiências incríveis que, simultaneamente, nos deliciam e assombram, de forma extremamente saudável.

01 - The Seventh Proof
02 - Death Bells
03 - Unbalanced Pieces
04 - You Will Miss Me When I Burn
05 - Some Misunderstanding
06 - All The Way Down
07 - Shadows Fall
08 - Can't Catch The Train
09 - Phrao's Chariot
10 - Praying Ground
11 - Rolling Sky
12 - Wise Blood
13 - By My Side

Nota - 9/10

07 November 2009

Roofwalkers - Roofwalkers

No final de 2005, em Washington D.C., Adrian Carroll, Ramirez Gadhia, Ben Licciardi, Chris Licciardi, TJ Lipple e Elmer Sharp formaram os Roofwalkers que editaram recentemente o su primeiro trabalho, intitulado precisamente "Roofwalkers". Estamos perante um bom disco de estreia que, sem deslumbrar, revela um grupo que pratica um rock suave, muito assente em guitarras e com alguns "jogos interessantes" ao nível de teclas.
Ao longo de todo o disco, estão bem patentes as influências assumidas por parte do grupo dos Yo La Tengo (numa versão mais pastoral) ou dos Silversun Pickups. Graças a esta conjugação de estilos e ao nível de execução musica e vocal, "Roofwalkers" proporciona-nos bons e suaves momentos, através de uma música extremamente melódica e agradável, aliada a uma voz suave.

01 - To The Quick
02 - Chin Music
03 - What Happens Next
04 - Birds Of A Feather
05 - Cut Every Corner
06 - They Think They Own The Place
07 - Desert Scene
08 - Northern Spy
09 - Final Flight
10 - Port Of Call

Nota - 8/10

20 August 2009

Ao vivo... Xutos e Pontapés + Ornatos Violeta

Data - 27 de Novembro de 1997
Local - Coliseu dos Recreios de Lisboa
Observações - Grande concerto dos Xutos com os Ornatos Violeta a tocarem na primeira parte perante muito pouco público. mas que acabou por encher completamente a sala para prestar culto aos Xutos & Pontapés.

18 August 2009

Ao vivo... Mojave 3

Local - Vila do Conde
Data - Dia ... de Agosto de 2001
Notas - Um concerto que gerou sentimentos díspares: Por um lado um imenso prazer de ver ao vivo, mesmo junto às grades do palco, Rachel Goswell e os Mojave 3. A excelente música deste grupo britânico fez as delícias do público presente que, infelizmente compareceu em número reduzido, e desse modo, surge um sentimento que contrasta com o prazer de ouvir a música deste grupo: o ar desolador do recinto do espectáculo com cerca de 100 pessoas para assistir. Uma pena, como também foi uma pena a organização ter a infeliz ideia de lançar fogo de artifício enquanto o grupo estava em palco, prejudicando assim a bela actuação. Tirando estes pormenores, foi uma noite inesquecível em que fui de propósito de Lisboa a Gaia para assistir ao concerto e regressei de seguida. Valeu a pena.
Na ausência de bilhete, pois o espectáculo era grátis, coloco uma foto do grupo.

14 August 2009

Homenagem... Les Paul

1915-2009
Lester William Polfun, inventor da guitarra Gibson Les Paul.

D'Outrora... Fernando Correia Marques

Terceira parte de uma entrevista feita pelo autor deste blog ao Fernando Correia Marques no ano de 1982, para o jornal Musicalíssimo.
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Perg. – Podes não te considerar um rocker, mas tens de ter algo a ver com o rock quando cantas temas como, por exemplo o “Hey mano”, ou mesmo o “Louco, amor louco”. Não concordas?
Resp. – A nível de rock considero-me um “revival”. Os anos 50 foram fundamentais para o rock, e o resto que se passou até agora são tentativas de se encontrar algo no caminho.
Perg. – O que achas do rock que se faz em Portugal?
Resp. – Em Portugal, infelizmente, o rock é muito mal tratado. Para além disto, existem empresários que são do pior que pode haver, em que exploram as bandas e os músicos até à medula, e todos nós sabemos que uma banda de rock não vive dos músicos que lá tocam. Eu, se tiver uma banda e os músicos não tiverem instrumentos, como é lógico, eles não podem tocar. Em Portugal os instrumentos musicais são considerados artigos de luxo e isso já é uma grande exploração que se faz às bandas musicais. É por isso que eu não acredito em muitos esquemas de rock que aprecem por aí ao nível da promoção empresarial. Isso é um roubo, infelizmente.
Perg. – Em termos de projectos para o futuro, o que é que tens em mente?
Resp. – Pretendo continuar a gravar, fazer um som porreiro e tentar experiências novas ao nível das letras e também tentar criar um estilo próprio.
...
Nota – Entrevista feita para o jornal Musicalíssimo. Fernando Correia Marques gravou os primeiros discos com o nome de Fernando e foi nessa altura que esta entrevista foi feita. Os seus primeiros singles, eram num estilo rock n’ roll muito comercial (daí o ser acusado de oportunismo para vender). A partir de 1983 o seu estilo musical situa-se na chamada música popular portuguesa ligeira, muitas vezes denominada “música pimba”. Ainda hoje grava, sob o nome de Fernando Correia Marques. Obtém grande sucesso e dá imensos concertos pelas terras portuguesas e no estrangeiro, junto das comunidades de emigrantes.

FIM

Momentos... Bruce Springsteen


Valladolid, dia 01 de Agosto de 2009

13 August 2009

Band Of Skulls - Baby Darling Doll Face Honey

O trio Band Of Skulls editou recentemente o seu trabalho de estreia, Baby Darling Doll Face Honey, para a editora Shangri-La. Oriundos de Southampton, Inglaterra, trazem-nos um conjunto de doze boas canções, estando patente em algumas delas influências revivalistas (destaque para o tema Blood) que, misturadas com um som alternativo muito actual, criam uma atmosfera musical simultaneamente curiosa e estranha, mas muito interessante.
Russel Marsden na guitarra e voz, Emma Richardson no baixo e voz e Matt Hayward na bateria, têm, com este disco, uma estreia auspiciosa; Baby Darling Doll Face Honey é um bom disco repleto de boas canções para serem tocadas ao vivo na digressão que o grupo está a preparar.

01 - Light Of The Morning
02 - Death By Diamonds And Pearls
03 - I Know What I Am
04 - Fires
05 - Honest
06 - Patterns
07 - Hollywood Bowl
08 - Bomb
09 - Impossible
10 - Blood
11 - Dull Gold Heart
12 - Cold Frame

Nota - 8/10

Ao vivo... Festival Algarve

Data - 12 de Junho de 2005
Local - Estádio Algarve (construído com o dinheiro dos contribuintes para estar sempre vazio).
Observações - Muito pouca gente. Bons concertos dos Da Weasel e Lanny Kravitz. Quanto a Ivete Sangalo... verdadeiro furacão.

12 August 2009

D'Outrora... Fernando Correia Marques

Segunda parte de uma entrevista feita pelo autor deste blog ao Fernando Correia Marques no ano de 1982, para o jornal Musicalíssimo.
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Perg. – Musicalmente, como é que te defines?
Resp. – Defino-me como um músico que gosta de cantar aquilo que compõe. Se for rock é rock, se for balada é balada; desde que eu componha e goste, está tudo bem.

Perg. – Tu podes gostar, mas os críticos acusam-te de um aproveitamento para cantares aquele género musical que está a vender mais, para dessa forma ganhares dinheiro. Não concordas?
Resp. – Vou-te responder em duas alíneas. Em primeiro lugar os críticos em Portugal são indivíduos em que a maioria deles não percebe nada de música, vão ver um concerto e não estão a perceber nada daquilo. Os críticos em Portugal funcionam da maneira que a música lhes entra no ouvido, ou seja: se fica no ouvido gostam, se não fica não gostam. Quem faz isso não é crítico, pois eles devem analisar o esquema todo, a música toda, e depois então podem criticar. Eu, quando não percebo uma coisa, não a crítico. Quem critica tem de ouvir o concerto e não se limitar a dizer que gosta quando a batida é boa, ou que não gosta quando a batida é má. Acho muito bem que se critiquem certas bandas estrangeiras que vêm cá dar concertos e que são uma bela porcaria. O concerto que as Girl School deram, por exemplo, na minha opinião foi um insulto actuarem cá e cobrarem um balúrdio. Esse dinheiro podia ser para os grupos portugueses. Não é porém os portugueses a fazerem as primeiras partes desses concertos, em que o som que temos sai completamente “esburacado” e onde somos pagos miseravelmente. Salvo raras excepções, os críticos portugueses não percebem muito de música.
O segundo ponto, em relação a eu estar a aproveitar-me do rock para ganhar dinheiro, isso é um erro, pois o rock também já este na moda nos anos 60. Por outro lado, não tenho interesse nenhum em estar o nível do rock já que não sou um rocker, pois se fosse formava uma banda e ia para a estrada, pois um rocker faz-se na estrada, não é num estúdio. Fiz o “Hey Mano” porque curti muito. O rock não dá dinheiro e as bandas que vivem disso vêem-se com muitas dificuldades para sobreviver. Eu não sou um rocker, apenas canto aquilo que componho e posso acrescentar que ainda não ganhei muito dinheiro como músico, por isso não acho que esteja a existir um aproveitamento.
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Momentos... Bruce Springsteen


Valladolid, dia 01 de Agosto de 2009

11 August 2009

Hoje - Amália Hoje

Sónia Tavares e Nuno Gonçalves (dos The Gift), Paulo Graça (dos Plaza) e Fernando Ribeiro (dos Moonspell), juntaram-se para este projecto "Hoje", com o intuito de homenagear a maior fadista de todos os tempos, Amália Rodrigues. Embora possa parecer, à partida, um projecto com o seu "quê" de estranho - um pouco por causa dos músicos que fazem parte do mesmo - arrisco afirmar que estamos perante o melhor disco de música portuguesa do corrente ano.
Um conjunto de temas interpretados outrora por Amália Rodrigues, aqui com uma "roupagem nova", um disco bem gravado, com uma excelente produção e, sobretudo, tocado e cantado com alma, como manda o fado. Obrigatório.

01 - Fado Português
02 - Grito
03 - Gaivota
04 - Nome de Rua
05 - Formiga Bossa Nova
06 - Medo
07 - Abandono
08 - L'Important C'est La Rose
09 - Foi Deus

Nota - 9/10

Ao vivo... Buena Vista Social Club

Data - 29 de Abril de 2000
Local - Coliseu dos Recreios de Lisboa
Observações - Grande espectáculo de música cubana. Um dos melhores concertos que ví até hoje, numa sala completamente esgotada com bilhetes à venda na candonga.

10 August 2009

D'Outrora... Fernando Correia Marques

Primeira parte de uma entrevista feita pelo autor deste blog ao Fernando Correia Marques no ano de 1982, para o jornal Musicalíssimo.

Fernando (Correia Marques), começou a ser um nome conhecido no nosso meio artístico quando editou o seu segundo single, que incluía o tema “Hey Mano”, que obteve grande sucesso. O primeiro disco da sua carreira foi o single “Melodia Chá-lá-lá”, editado em 1980 e que passou despercebido. Recentemente foi posto à venda o single “Louro Amor Louco / Ninguém é Louco” que, segundo informações colhidas junto de um responsável da editora, está a vender-se bem.
De seguia, transcreve-se uma entrevista feita recentemente.

Perg. – Fernando, como esta entrevista se deve principalmente ao facto de teres editado recentemente mais um disco, o terceiro da tua carreira, gostava que falasses um pouco sobre esse teu novo trabalho.
Resp. – Uma das faces do single, “Louro Amor Louco”, é na mesma linha musical que o “Hey Mano”, embora não tão acelerada. Em “Louco Amor Louco” tento mostrar que todos nós temos um louco amor que é um amor louco; no tema “Ninguém é Louco” tento mostrar que de são e de louco todos temos um pouco. De facto, todos nós temos uma paranóia em que nos apetece fazer qualquer coisa; nas letras eu faço uma crítica social.

Perg. – Até que ponto essa crítica social pode ser importante?
Resp. – Quando digo, numa canção, “ninguém te engana, mas és enganado” ou “ninguém te crava, mas és cravado”, isso é verdade, critico aquilo que não gosto e isso vai obrigar-te a pensar, é algo real. Tudo o que canto tem um conteúdo que de facto é louco mas que tem uma parte sã. Inicialmente, nas letras das minhas canções, começo com uma parte sã e depois entro na parte louca que é para levar a pessoa a pensar naquilo que quero dizer.
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Momentos... Bruce Springsteen


Valladolid, dia 01 de Agosto de 2009

08 August 2009

07 August 2009

D'Outrora... Rui Veloso

Quinta e última parte de uma entrevista feira a Rui Veloso, publicada no jornal Musicalíssimo no dia 30 de Setembro de 1981.
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Perg. – Falaste em falta de condições. Achas que isso influi na qualidade?
Resp. – Influi minimamente. Um tipo, tendo uma boa guitarra evolui muito mais facilmente do que com uma má guitarra, pois o som é completamente diferente e essa diferença na qualidade do som é algo que incentiva os músicos, pois ao gostarem desse som tentam sempre fazer algo melhor.
Perg. – Seguiste algum critério especial quando escolheste o Zé Nabo e o Ramon Gallarza para te acompanharem em disco e ao vivo?
Resp. – Não segui critério nenhum pois nem os conhecia. Eles foram-me apresentados pelo António Pinho. Primeiro conheci uns músicos aqui em Lisboa que eram dos Petrus Castrus, mas não me dei bem com eles a nível musical, só ensaiamos duas vezes e depois acabou. Depois comecei a tocar com o Zé Nabo e com o Ramon e demo-nos bem, pois eles atinaram com aquilo que eu fazia e foi assim que aconteceu eles virem tocar comigo.
Perg. – Entre os grupos do rock português existem algumas divergências que fazem com que as bandas se ataquem umas às outras, para além da grande rivalidade entre as de Lisboa e as do Porto. Não achas que isso possa ser prejudicial para os grupos?
Resp. – Não acho que seja prejudicial.
Perg. – Por exemplo, no teu caso em que os Roxigénio acusam a tua música de ter um atraso de 20 anos em relação à deles?
Resp. – Eles podem dizer o que lhes apetecer. Eles não vendem 10 % dos discos que eu vendo e a prova é essa. O que eu costumo dizer é que isto é um pequeno país, cheio de grandes homens. Na minha opinião, essas divergências não afectam os grupos, pois existir uma certa rivalidade até é bom: picam os do sul e picam os do norte. Há sempre divergências e rivalidades.
Perg. – Então, não concordas quando se diz que isso afecta os grupos?
Resp. – Acho que não devia haver rivalidades, mas há sempre pretensiosismos. Eu até evito falar dos outros por causa disso, porque os músicos não entendem as críticas que os outros lhes fazem, ao nível de gosto. Se dizemos mal de um grupo, os músicos desse grupo ficam todos chateados e por isso, mais vale não falar. Quando houver algo de que goste mesmo, digo, como por exemplo GNR ou Jafúmega (apesar de ser um grupo um pouco indefinido). Há também os NZZN que acho engraçados.
Perg. – O que é que achas dos Street Kids?
Resp. – São mais ou menos, mas é uma onda em que eu não vou muito. Já gostei mais deles, mas acho que não evoluíram muito e ainda não têm um bom som. Sinceramente não há em Portugal algo de que eu goste muito, não há ninguém que “ligue” à minha onda a não ser o João Allain da Go Graal Blues Band que, quanto a mim, é um dos melhores guitarristas portugueses… se não for mesmo o melhor.
Perg. – Achas que o Rock que se faz cá em Portugal já tem qualidade suficiente para poder ir além fronteiras?
Resp. – Acho que sim; não vejo porque não. Lá fora também se faz muita música má, não é só cá. No entanto acho que se for cantado em português não consegue ter êxito lá fora, porque os estrangeiros não percebem nada de português. Por exemplo, no festival do Midem, houve quem se mostrasse interessado no meu disco mas disseram que as músicas tinham de ser cantadas em inglês e já ando a tratar disso. Mais tarde ou mais cedo, gravo um disco em inglês para ir lá para fora.
Perg. – Já que estamos a falar de ir para o mercado estrangeiro qual é, na tua opinião, o cantor português com mais hipóteses de obter êxito?
Resp. – Não há dúvida nenhuma de que é o José Cid. Ele é a pessoa que tem mais facilidades em fazer êxitos e tem a cabeça a pensar internacionalmente. Ele, se quiser, faz coisas lá para fora mas não pensa muito nisso, porque ganha bastante dinheiro cá em Portugal.
Perg. – Já que actualmente se fala tanto na qualidade da nossa televisão, o que é que achas desse tema?
Resp. – É uma merda. É uma anedota perfeita, e para ver isso não é preciso conhece-la muito a fundo; agora se uma pessoa começa a conhecer muito a fundo, então começa a ser triste.
Perg. – Uma das falhas nos teus espectáculos ao vivo é que, em palco, não és muito expressivo e estás muito parado. Não achas que isso dificulta um bocado a comunicação entre o músico e o público?
Resp. – Dificulta de certeza, mas eu não me consigo mexer, quer dizer é natural que me consiga mexer e ser mais comunicativo quando estiver mais à vontade e com um bom som de palco. Se não tiver problemas de som, estou mais à vontade, mas isso não tem acontecido pois tenho tido sempre problemas ao nível do som. Às vezes estou em palco e não ouço a minha guitarra. Além disso, já viste o que é estar em palco com uma guitarra ao tiracolo? E ainda por cima eu sou fraquito. Essencialmente o que faz com que me mexa pouco, é estar pouco à vontade.
Perg. – O que é que achas das editoras clandestinas de cassetes?
Resp. – Acho que isso está mal e devia acabar. É dinheiro que eu perco e que ganha alguém que empata o seu dinheiro em meia dúzia de gravadores, só para copiar e sem o mínimo de preocupação em termos de qualidade. Eu perco muito dinheiro com as cassetes piratas e esse dinheiro faz-me jeito.
Perg. – Para terminar esta longa entrevista, gostava que me dissesses quais os teus projectos para o futuro?
Resp. – Os meus projectos são ir gravando, trabalhando, pois isto é o meu trabalho, e também ir dando alguns concertos, mas não muitos, pois como já disse não tenho grande vida para concertos.

Momentos... Bruce Springsteen


Valladolid, dia 01 de Agosto de 2009

06 August 2009

D'Outrora... Rui Veloso

Quarta parte de uma entrevista feita a Rui Veloso, publicada no jornal Musicalíssimo no dia 30 de Setembro de 1981.
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Perg. – Quais são as tuas principais influências?
Resp. – As minhas principais influências são de músicos blues, como por exemplo Eric Clapton, B. B. King e também de Mark Knopfler, isto como guitarristas; como voalistas gosto muito do Stevie Wonder e do Ray Charles. Acho que é difícil procurar influências, pois ouço imensas coisas.
Perg. – Achas que existe aquilo a que muita gente chama “Movimento Rock português”?
Resp. – Acho que não.
Perg. - Porquê?
Resp. – Porque isso não existe, esse movimento não existe. Existem músicos a tocar, mas não existe um movimento. Os músicos não se conhecem entre si, portanto, não pode haver movimento nenhum. O que se está a passar é que as editoras abriram as suas portas aos grupos.
Perg. – A partir da altura em que tu surgiste, começaram a aparecer uma série de grupos incentivados pelo êxito do teu LP. Consideras que foste o responsável pelo aparecimento desses grupos?
Resp. – Eu não fui a chave disso; a chave foi a venda do meu disco e do êxito que obtive. As editoras, a partir dessa altura começaram a exigir que os grupos cantassem em português, pois assim tinham mais sucesso.
Perg. – Afirmaste que as editoras abriram as suas portas aos grupos portugueses. Não te parece que, caso esses grupos fracassem, essas portas possam ser fechadas?
Resp. – Os grupos não vão dar prejuízo porque já existe um público. É natural que as vendas venham a estabilizar, mas há sempre quem compre. Há muitos grupos que já vendem bem como por exemplo, GNR, Salada de Frutas, UHF, Táxi e muitos mais; se esses grupos vendem bem é porque há mercado e, como tal, há público.
Perg. – Mas não achas que será tarde para aparecer um movimento desses?
Resp. – Não acho que seja tarde, e não sei porque razão é que as editoras só agora é que começaram a dar o apoio necessário. Há músicos, eles gravam e existem, e havendo músicos não quer dizer que eles estejam atrasados. Há uma data de factores a que se deve este atraso. Por exemplo, uma boa guitarra cá em Portugal é caríssima e além disso temos falta de aparelhagem, e existe também o problema do alto preço do material, pois esse tipo de material quando é importado, tem de pagar uma taxa de luxo que é muito elevada e isso põe os instrumentos a um preço exorbitante.
...

Ao vivo... Festival do Sudoeste 2006





Data - 03, 04, 05 e 06 de Agosto de 2006
Local - Herdade da Casa Branca (Zambujeira do Mar)
Notas - O maior festival de verão. Alguns destaques do cartaz: Gentleman, Prodigy, Goldfrapp, David Fonseca, Daft Punk, Madness, Skin, Xutos & Pontapés, Zero 7, Revistados, The Twilight Singers com Mark Lanegan, Nouvelle Vague, Jimmy Cliff.

05 August 2009

D'Outrora... Rui Veloso

Terceira parte de uma entrevista feita a Rui Veloso, publicada no jornal Musicalíssimo no dia 30 de Setembro de 1981.
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Perg. – Com o êxito que obtiveste com o teu primeiro disco, criaste um certo compromisso para com as pessoas que o compraram e geralmente, quando um cantor aparece com um primeiro disco que se vende bem, esse cantor mais tarde ou mais cedo “morre”, quer dizer deixa de se falar nele. Será que isso é algo que te preocupa?
Resp. – Preocupa-me na medida em que eu preferia ganhar dinheiro à custa dos discos, porque não tenho grande vida para fazer espectáculos e é nesses espectáculos que se ganha dinheiro, embora eu não tenha ganho muito mas, se a coisa for bem feita, pode ganhar-se muito dinheiro. No meu caso, como ganhei mais ou menos bem com a venda de discos, preferia viver à custa dos discos, mas para isso é preciso manter um certo público que os compre, como é lógico. O “Ar de Rock” já é quase disco de ouro, e o single ultrapassou o disco de prata há muito tempo. É evidente que não acredito que o meu segundo LP vá vender tanto como o primeiro. Tenho a impressão que o grande número de vendas do “Ar de Rock”, deveu-se mais ao entusiasmo inicial e toda a gente o comprou porque não havia mais nada.
Perg. – Este teu próximo trabalho vai ser mais à base de blues, ao passo que no “Ar de Rock” apareceste numa onda um bocado diferente. Não achas que essa mudança de estilo pode vir a decepcionar alguns dos teus fans que compraram o primeiro disco?
Resp. – Acho que não. Não é a opinião de quem comprou o “Ar de Rock” que me vai forçar a mudar de estilo ou a continuar com o mesmo estilo e uma coisa que o público tem de respeitar é a criatividade. Portanto, não é o público que vai indicar a via que eu devo seguir e, mesmo assim, não acho que vá decepcionar. Se gostarem… gostaram; se não gostarem… não gostaram. Isso é um problema meu.
Perg. – Como disse na pergunta anterior, o teu próximo disco vai ser à base de Blues. Para além disso tem a particularidade de ser cantado em português. Achas que a língua portuguesa se integra dentro do espírito do Blues?
Resp. – É uma experiência. Eu acho que sim, mas não é fácil. O que é preciso é haver sensibilidade por parte da pessoa que escreve para apanhar a métrica e os sons e caso haja essa sensibilidade a coisa funciona e eu até tenho um blues em português.
Perg. – Mas achas que o blues tem aceitação suficiente no mercado português?
Resp. – Acho que sim. Os espectáculos de blues que já houve em Portugal, como por exemplo o Blues Band, foram porreiros e tiveram bastante público; e mais, no festival de jazz de Cascais, havia muita malta que ia lá só para ver tocar o pessoal do blues. Acho que tem aceitação.
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Momentos... Bruce Springsteen


Valladolid, dia 01 de Agosto de 2009

04 August 2009

D'Outrora... Rui Veloso

Segunda parte de uma entrevista feita a Rui Veloso, publicada no jornal Musicalíssimo no dia 30 de Setembro de 1981.
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Perg. – O “Ar de Rock” foi um LP que caiu do ar, quer dizer, apareceu de repente. O que é que vai aparecer agora?
Resp. – Para mim, a única diferença que existe agora é que antes eu fazia músicas e não as gravava e agora já as gravo. Continuo a fazer músicas, coisas que eu e o Tê escolhemos, digamos que é um trabalho de continuidade. Uma pessoa todos os dias está a sofrer influências musicais, influências de todo o género e ao mesmo tempo está a crescer, a cabeça vai envelhecendo e portanto, tudo isso se vai reflectir. Não sei colocar as coisas de outra maneira, mais ao nível de sensações.
Perg. – Essa tua definição de saíres, de não seres o ídolo protótipo, tem alguma coisa a ver com a continuidade do disco, pois tu assumiste uma responsabilidade em termos de qualidade de impacto.
Resp. – São coisas que me passam ao lado, são as pessoas que me classificam dentro de um certo estilo, dentro de vários parâmetros em que está incluída a chamada qualidade. Não sei se a minha música tem ou não qualidade, pois isso depende do padrão que uma pessoa toma, quer dizer, se for um padrão nacional talvez tenha alguma qualidade, mas se for um padrão internacional já é capaz de não ter assim tanta qualidade.
Perg. - Mas agora tu tens uma responsabilidade perante as pessoas que compraram o teu disco e que aguardam o teu próximo trabalho.
Resp. – Às vezes nem me lembro dessa responsabilidade e algo de que ninguém se lembra é que eu tenho só 24 anos e ainda sou um puto. Muitas vezes, as pessoas esperam que eu reaja como um homem e depois põem-me um peso em cima chamado responsabilidade, e isso oprime. A música é uma coisa que oprime um bocado quando se entra no meio. Era bom ter-se a possibilidade de ter uma casa fora, ninguém chatear por causa de contratos, não ter a preocupação de gravar um disco e, além destas, há uma série de coisas que se um gajo acorda mal disposto, começa-se a lembrar e fica oprimido.
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Ao vivo... Festival do Sudoeste 2005

Data - 04, 05, 06 e 07 de Agosto de 2005
Local- Herdade da Casa Branca (Zambujeira do Mar)
Observações - Para além da reconciliação dos Oasis com o público do Sudoeste, convém destacar as actuações de Ben Harper, Kasabian, The Thrills e Josh Rouse.

03 August 2009

D'Outrora... Rui Veloso

Primeria parte de uma entrevista feita a Rui Veloso, publicada no jornal Musicalíssimo no dia 30 de Setembro de 2001.

Rui Veloso é sem dúvida alguma, o nome mais importante do panorama rock português. Essa importância deve-se a vários factores, como por exemplo o facto de ter sido ele o primeiro cantor a chegar ao primeiro lugar de todos os tops com um disco de rock cantado em português e, isso fez com que as editoras abrissem as suas portas aos grupos portugueses, pois o seu LP “Ar de Rock” obteve um sucesso estrondoso.
Actualmente está a preparar outro disco que promete ser de grande qualidade.

Todos estes motivos serviram de pretexto para lhe fazer uma entrevista… mais uma.
Perg. – Rui Veloso, quais as principais diferenças que se deram na tua vida, depois de teres editado o “Chico Fininho”?
Resp. – A principal diferença é que antes vivia no Porto e agora vivo em Lisboa. O estatuto de estrela não serve para nada e eu não o sigo à regra, mas há muitos gajos que o seguem, e esses são capazes de arranjar conhecimentos, mas que não passa disso, porque amigos arranjam-se aos poucos.
Perg. – Antes de editares o “Chico Fininho” o que é que fazias? O que sentes depois de o teres editado e de teres adquirido o sucesso?
Resp. – Antes estava pior, porque sonhava gravar um disco e ter guitarras; agora gravo e toco e consegui fazer disto a minha vida. Mas este mundo da música dá cabo da cabeça a uma pessoa, porque os músicos atacam-se uns aos outros e por vezes nós, músicos, ouvimos cochichos desagradáveis. O antes é antes e o agora é agora; uma pessoa tem de fazer para que o que vem a seguir seja ainda melhor e fazer com que nos sintamos mais à vontade.
Perg. – Essa violência nos poemas das tuas músicas ao retratar os problemas do dia a dia, vem de onde ou de quem?
Resp – Vem do Carlos Tê que é quem escreve os poemas.
Perg. – Tu não escreves mas és quem os canta, quem lhes dá vida. Identificas-te de alguma maneira com aquilo que cantas?
Resp. – Identifico-me totalmente com aquilo que está escrito e é por isso que eu e o Carlos Tê nos damos muito bem, engatamos um no outro a nível musical. Eu atino com o que ele faz e ele atina com o que eu faço. Mas essa violência a que te referes, essa maneira de pôr as coisas a frio e de mostrar às pessoas como as coisas se passam, vem dele.
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Momentos... Bruce Springsteen

Primeira selecção de uma série de "posts" com fotos (com a qualidade possível) tiradas no concerto de Bruce Springsteen em Valladolid.

02 August 2009

Momentos... Bruce Springsteen

Aspecto do palco no estádio José Zurrilla em Valladolid, onde Bruce Springsteen deu um concerto soberbo no dia 01 de Agosto do corrente ano.

14 July 2009

Ao vivo... Jamie Cullum

Data - 23 de Abril de 2005
Local - Freeport de Alcochete
Observações - Um daqueles concertos em que mais de metade dos presentes só lá estava pois os bilhetes eram atribuídos gratuitamente.

10 July 2009

D'Outrora... Filhos da Pauta

Segunda parte de uma entrevista feita pelo autor deste blog aos "Filhos da Pauta" no Rock Rendez-Vous.
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Perg. – Achas importante que através das letras se critique aquilo que não está correcto?
Resp. - (Carpinteiro) Nós criticamos um todo do qual fazemos parte e estamo-nos marimbando para a sociedade pois a sociedade actuar está a tender para um egocentrismo. Não há sociedade… há uma pessoa em cada um, somente.
(Joca) – Nós nas letras das nossas canções falamos daquilo que existe. Por exemplo, temos um tema chamado “Pintor”, que fala do haxixe e o nome da música é o termo que se usa para o adquirir. Isso é uma realidade e temos de falar nisso.
(Carpinteiro) – Mas só o povo é que compra haxixe, pois os da alta sociedade comprar cocaína e heroína.
Perg. – Quanto a contratos e gravações de discos, o que é que têm a dizer?
Resp. - (Carpinteiro) – O que está destinado é que vamos gravar um single, mas ainda não temos marcado a data do estúdio; isso já pertence à editora que é a Valentim de Carvalho e às suas burocracias.
Perg. – Quais as possibilidades que vez de conseguirem obter sucesso?
Resp. - (Carpinteiro) - Não pensei muito nessa questão, pois o estouro dá-se mais através da promoção, disso não tenho dúvidas e a editora aposta em nós.
Perg. – Queres dizer que por vezes a qualidade da música não é importante?
Resp. - (Carpinteiro) – A qualidade não é o mais importante. O que interessa é a promoção, mais nada.

FIM

09 July 2009

D'Outrora... Filhos da Pauta

Primeira parte de uma entrevista feita pelo autor deste blog aos Filhos da Pauta, no Rock Rendez-Vous, no início dos anos 80.

Apesar de já se verificar em menor quantidade, de vez em quando ainda aparece algum grupo de rock português cuja música tem qualidade, como por exemplo os Filhos da Pauta, que brevemente vão editar um disco. Eles dão-nos, segundo nos disseram “música a martelo”, afirmação de que discordo pois a música deles não é feita às três pancadas, antes pelo contrário. Pelo que nos foi dado a ouvir durante a sua actuação no rock Rendez-Vous, a música do grupo tem qualidade e o seu vocalista tem uma voz extremamente potente, apesar de um pouco imatura. Os Filhos da Pauta são um grupo que promete.
Após esta pequena introdução, vamos passar à entrevista que lhes fizemos no final da sua actuação no RRV.
Perg. – Em primeiro lugar, gostava que um de vocês fizesse a apresentação do grupo.
Resp. – (Carpinteiro) O grupo é formado por mim na voz, Quintela no baixo, Joca na guitarra, Araújo na bateria e o Jorge nas teclas.
Perg. - Como é que se definem musicalmente e quais as vossas influências?
Resp. – (Carpinteiro) Influências directas, propriamente ditas, não temos. Eu tenho mais influências dos fado do que do Rock n’ Roll e é por isso que nos dedicamos um bocado a essa linha. Tu até podes ver que quando estou em palco, a cantar, exploro um bocado essas influências do fado. A nível do grupo, as influências que podem existir são por causa destes anos todos de Rock n Roll. Quanto a influências portuguesas, é só o fado e o folclore. A nossa sigla de apresentação é que “somos a banda mais fatela e mais malaica de 1982”, porque repara quando uma pessoa se põe com olhos citadinos a olhar para fora da cidade, é capaz de chamar fatela ou malaico a uma certa camada da população e em cima do palco é essa camada que eu pretendo representar, o povo.
Perg. – Porquê o povo fora da cidade e não o de dentro, já que vocês passam a maior parte do tempo na cidade?
Resp. – (Carpinteiro) O povo da cidade pouco me diz.
(Joca) – Repara que o mise-en-scene dele tenta cair no ridículo e destruir aquela imagem de novo-rico, a imagem do gajo que partiu dos primórdios dos campesinos com as botas ao pescoço e hoje em dia é um novo-rico. Ele tenta mostrar isso, que é uma pessoa revoltada e a sua coreografia em palco tenta mostrar os males da sociedade que o rodeia, por exemplo nas cidades.
Perg. – Através das letras, tentam fazer alguma crítica à sociedade?
Resp. - (Carpinteiro) Não é bem isso. Por exemplo, o povo da aldeia onde eu vivo é um povo que está sempre naquela de revolta.
Perg. – Porquê?
Resp. – Não existe uma razão directa do porquê da revolta do povo. O povo nunca está contente e não existe uma razão directa que justifique isso; se lhes fores perguntar porquê, eles não sabem. Eu ligo-me mais com o povo de fora da cidade.
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Ao vivo... Moby

Data - 26 de Outubro de 2002
Local - Pavilhão Atlântico
Observações - Excelente concerto de Moby, um músico que na minha opinião "funciona" melhor ao vivo do que em disco.

07 July 2009

Ao vivo... Festival Vilar de Mouros 2003

Data - 18, 19 e 20 de Julho de 2003
Local - Vilar de Mouros
Observações - Grande concerto de Tricky, desilusão dos Him e um Rufus Wainwright completamente fora de contexto. Um festival que valeu pelo ambiente e por toda a envolvente paisagística. Nesta edição de Vilar de Mouros tocaram ainda Guano Apes, Sepultura, David Fonseca, Blasted Mechanism, Los Planetas, Lenine, Public Enemy, Wailers, Tomahawk e Melvins.

06 July 2009

Moby - Wait For Me

O regresso de Moby aos discos, com este "Wait For Me", não acrescenta nada de novo à já extensa lista de trabalhos lançados por este músico de Nova York, e inclusivamente, dá a sensação de ser uma "segunda parte" do seu último trabalho "Last Night". Composto por dezasseis temas, "Wait For Me", transmite-nos um ambiente chill-out e traz-nos à memória muitos dos temas do disco lançado em 2008.
Na minha opinião trata-se de um disco inconsequente na carreira de Moby, com imensas possibilidades de ser votado ao esquecimento, já que não está dotado de temas fortes (talvez as únicas excepções sejam Mistake e o lindíssimo JLTF). Será extremamente difícil extrair um tema que possa dar um bom single, e desse modo criar um grande sucesso de vendas que possa impulsionar o disco.
É pena, pois apesar de não ser um disco brilhante, não se pode considerar um mau disco; apenas não acrescenta nada de novo à carreira de Moby e fica a sensação de ser aquele género de trabalho lançado somente para cumprir prazos contratuais e também de que Moby podia e tinha capacidade para ir mais longe, pois é um compositor de grande talento.

01 - Division
02 - Pale Horses
03 - Shot In The Black Of The Head
04 - Study War
05 - Walk With Me
06 - Stock Radio
07 - Mistake
08 - Scream Pilots
09 - JLTF-1
10 - JLTF
11 - A Seated Night
12 - Wait For Me
13 - Hope Is Gone
14 - Ghost Return
15 - Slow Light
16 - Isolate

Nota - 6/10

03 June 2009

É hoje o concerto do ano

Já os vi uma vez e a expectativa para a noite de hoje não é grande... é enorme. Passei no estádio hoje, às 8 da manhã, e já havia pessoas (com ar de quem passou lá a noite), à espera que as portas abrissem, o que só vai acontecer por volta das 17 horas e 30 minutos. Após o cancelamento da actuação dos irlandeses "The Answer", a primeira parte vai ser assegurada pelos portugueses Vicious Five a segunda parte pelos, também portugueses, Mundo Cão. Finalmente, por volta das 21 horas e 30 minutos, entram em palco os AC / DC para aquele que será, seguramente, o concerto do ano.

02 June 2009

Ao vivo... Rolling Stones

Data - 12 de Agosto de 2006
Local - Estádio do Dragão
Observações - Que dizer sobre um concerto dos Rolling Stones? Inolvidável. Primeira parte com os Dandy Warhols.

01 June 2009

Placebo - Battle For The Sun

Ao ouvir o mais recente disco dos Placebo, "Battle For The Sun", pode-se afirmar que os novos temas que nos trazem são "mais do mesmo". Isso é inegável, no entanto, temos de admitir queapesar das evidentes semelhanças com trabalhos anteriores, estamos perante mais um bom disco do grupo liderado por Brian Molko.
Sem um tema que se destaque, "Battle For The Sun" é um disco equilibrado, com canções muito agradáveis no estilo e ritmo a que o grupo nos habituou ao longo dos seus quinze anos de carreira; um conjunto de temas fortes e excelentes para serem tocados ao vivo, algo em que os Placebo são muito bons.
Tendo que destacar um tema dos treze que fazem parte do disco, não resisto a "Happy You're Gone", uma bonita balada com um bom arranjo de "orquestra" e onde a voz de Brian Molko "encaixa" muito bem, como aliás em todo o disco. Excelente, também e pelas mesmas características, "Come Undone".

01 - Kitty Litter
02 - Ashtray Heart
03 - Battle For The Sun
04 For What It's Worth
05 - Devil In The Details
06 - Bright Lights
07 - Speak In Tongues
08 - The Never-Ending Why
09 - Julien
10 - Happy You're Gonne
11 - Breathe Underwater
12 - Come Undome
13 - Kigs Of Medicine

Nota - 8/10