30 April 2012

Ao vivo... Il Divo

Mesmo não sendo grande apreciador do estilo musical dos Il Divo, não é possível afirmar que o espectáculo que o grupo deu no Pavilhão Atlântico em Lisboa, tenha sido um mau espectáculo... muito longe disso.
Com um som de grande qualidade, algo muito raro nesta sala de espectáculos, e um jogo de luzes excelente, sóbrio mas eficiente, o grupo que se formou em Inglaterra no ano de 2003 e que é composto por quatro bons cantores de quatro países diferentes, proporcionou ao imenso público que esgotou o Pavilhão Atlântico, e durante quase duas horas, momentos de rara beleza.
O espanhol Carlos Marin, o francês Sébastien Izambard, o norte-americano David Miller e o suíço Urs Buhler, souberam usar os seus dotes vocais e naturais para encantar uma plateia maioritariamente feminina, não poupando rasgados elogios às senhoras presentes, nem certos jogos de sedução.
Musicalmente falando, que é o que interessa, o alinhamento deste espectáculo incidiu, principalmente, pelo mais recente trabalho do grupo "Wicked Games", editado em 2011. Obviamente que não podiam ficar de fora temas dos discos anteriores, como por exemplo "Unbreak My Heart", "Mama", ou "Unchained Melody" que, na minha opinião, proporcionou o momento alto da noite, no que à interpretação vocal e orquestral diz respeito.
A juntar ao bom som e iluminação, a cereja no topo do bolo acabou por ser o alinhamento escolhido, alternando temas menos conhecidos com verdadeiros clássicos, como por exemplo "Don't Cry For Me Argentina" de Andrew Lloyd Webber, "Somewhere" da obra "West Side Story" de Bernstein, "My Way" de Frank Sinatra em que David Miller quase cai ao tropeçar num degrau das escadas situadas no centro do palco, o sempre belo "Hallelujah" de Leonard Cohen, ou ainda o maravilhoso "Adagio" de Albioni, num leque de canções intemporais, que jamais se perderão no tempo.
De uma forma sucinta, pode-se afirmar que foi um bom concerto, com boas músicas e boas vozes.

23 April 2012

Recortes... Pela Internet

A propósito da condenação de alguém que sacou três músicas da net (diga-se de passagem com um gosto altamente duvidoso), não resisto a copiar e colocar neste blog, um comentário que li no Jornal Público a esta notícia.
Este comentário é publicado, não só pela curiosidade focada no mesmo, mas também por toda a verdade que contém.

"E discos mais baratos, não?!?

Eu sou a favor da pirataria em varíadíssimas situações. Tenho centenas de discos "sacados" da net por falta de alternativa. Discos fora de catálogo, sem distribuição, etc... Se não consigo comprar o disco não o posso ter? O artista prefere que eu ouça ou não a música dele?!? Compro muitos discos directamente a músicos por valores entre os 5 e os 10€. Discos novos e recentes. E os artistas ganham dinheiro; aliás muito mais do que no circuito normal. Baixar o preço dos discos é parte da solução, ou então manter o manter o preço e pagar o valor merecido aos músicos. Faço parte de um projecto com disco no mercado fisico e digital e a minha parte são 0,16€ em cada disco. Acham que eu me importo que o disco seja "sacado"? Nada!!!! Prefiro que toda a gente roube o disco e que vá aos concertos!"
Comentário assinado por Alexandre Camões.
P.S. - Os músicos pirateados forma os Delfins, João Pedro Pais e Alanis Morrisette, com as canções "Queda de um anjo", "Não há" e "Right Through You", respectivamente.

04 April 2012

Momentos... Mark Lanegan

Mark Lanegan durante a sessão de autógrafos, após o concerto no Espaço TMN ao vivo

02 April 2012

Ao vivo... Mark Lanegan

Data - 31 de Março de 2012
Local - Espaço TMN ao vivo
Notas - Pouco passava das 21 horas de uma noite chuvosa, quando os Creature With The Atom Brain, subiram ao palco do Espaço da sala TMN ao vivo. Apesar de a sala não estar cheia para a recepção a estes praticamente desconhecidos belgas, o grupo não se intimidou e durante os cerca de trinta minutos que esteve em palco acabou por mostrar ser uma agradável surpresa, com um rock simples muito à base de guitarras, com pequenos solos e alguns riffs interessantes, sempre num ambiente de visível boa disposição.
Após um curto intervalo, quando os relógios marcam 22 horas e 15 minutos, com a sala completamente cheia, entra em palco a Mark Lanegan Band, com os seus músicos trajados de negro, ficando para último o herói da noite: Mark Lanegan. Com um andar calmo, como se estivesse a passear numa avenida, Lanegan chega ao centro do palco, posiciona-se, e com um olhar simultaneamente vazio e intenso, abstracto e intimidativo, aliado a uma pose e a expressões extremamente densas, prepara-se para nos levar por uma viagem longa através do seu próprio universo, e de um modo como só ele o consegue transmitir, onde a sua voz cavernosa, num ambiente escuro, nos toca, com um excelente jogo de luzes e um som de grande nível.
Com um alinhamento musicalmente irrepreensível, Lanegan manteve sempre essa postura, como se estivesse longe do público, criando uma estranha forma de empatia... que às vezes parecia falta dela, sempre com o seu ar sisudo, pouco comunicativo, distante do público mas, simultaneamente perto, pois a sua expressão atraia-nos para junto dele, e nós íamos, não fisicamente, mas mentalmente, siderados.
Aquela voz incomodava, era fascinante, e fez com que a Mark Lanegan Band desse um concerto memorável, e, no final, aconteceu algo inimaginável, a cereja no topo do bolo... Mark Lanegan deixa cair a máscara da distância, da frieza, do olhar vazio e intenso, abstracto e incomodativo, e torna-se numa figura simpática e agradável, disposta a deixar-se fotografar e a autografar todo o merchandising adquirido e os bilhetes do concerto, com se estivéssemos num conto de fadas, como se fizéssemos parte desse conto, e o homem mau tenha-se tornado no homem bom, naquele que está disposto e terminar em festa uma noite da qual possamos dizer, tal como nos contos de fadas: felizes para sempre, pois foi essa a sensação com que o público ficou ao abandonar uma sala onde teve oportunidade de assistir e viver, uma grande noite de música.