18 February 2013

Ao vivo... GNR

Data - 16 de Fevereiro de 2013
Local - Centro Cultural de Belém
Notas - "Afectivamente".
Os GNR decidem desligar a maior parte das tomadas: o baixo eléctrico cede lugar ao baixo acústico, a guitarra eléctrica passa as cordas ao violino e os teclados rendem-se ao piano. O próprio Rui Reininho será mais acústico, entenda-se, menos eléctrico. Os clássicos que celebrizaram o Grupo Novo Rock vão soar de forma diferente. Nunca a banda do Porto esteve tão próxima do público porque efectivamente este é um concerto de afectos."
Foi desta forma, com este pequeno texto, que os GNR apresentaram estes dois concertos, um no Coliseu do Porto e o outro no Centro Cultural de Belém, concertos estes que julgo terem funcionado de uma forma embrionária, para que desta forma pudessem confirmar a receptividade do público a uma vertente mais intimista que de certo modo reinventa a música do grupo, sem qualquer perca de identidade... antes pelo contrário. Está lá toda a essência da música de um grupo que já conta com 32 anos de carreira, que teima em não envelhecer, e desse modo, muitos dos seus grandes clássicos mantêm-se actuais e continuam a ser ouvidos  com muito agrado.
Foi um ambiente de festa aquele que se viveu nesta noite no grande auditório do CCB,e a alegria de poder participar nessa festa esteve bem patente, não só nos rostos do público que esgotou a sala, mas também nos sorrisos dos músicos e de todos os convidados que partilharam o palco com Rui Reininho, Toli César Machado e Jorge Romão. Para além dos vários convidados, o grupo contou com Rui Lacerda na bateria, Hugo Novo nas teclas (que ao fim de 5 anos vai abandonar o grupo) e Ianina Khmelik no violino, que desta forma acompanharam Rui Reininho, Jorge Romão que trocou o baixo eléctrico pelo acústico, e Toli Cesar Machado  que esteve quase sempre sentado ao piano.
Esta faceta acústica acaba por criar uma maior proximidade entre o grupo e o público, visto ser mais intimista e vocacionada para salas mais pequenas e, é ao ouvir esta nova "roupagem", esta nova sonoridade, que nos apercebemos da intemporalidade e versatilidade da música dos GNR, funcionando todas elas extremamente bem neste tipo de concerto.
O início da noite foi com a junção de duas músicas "Popless" e "Rei do Roque", passando da primeira para a segunda de uma forma muito bem estruturada, quase imperceptível e a "reboque" do violino de Ianina. Estava assim dado o mote para um noite em que se iam ouvir grandes clássicos com uma sonoridade diferente, sonoridade essa muito marcada pelo violino, que substituiu a guitarra. E funcionou.
Durante quase duas horas de espectáculo, passaram pelo palco do CCB, como convidados, o projecto Stereossauro (2 DJs), Mitó, vocalista do projecto A Naifa, Márcia, e ainda Camané.
O projecto Stereossauro, Beatbomber, composto por dois DJs, colaborou em três temas, "Sangue Oculto" com uma participação pouco conseguida, "Las Vagas" e, de uma forma brilhante, na introdução ao tema "Canil", em que usaram o clássico da música portuguesa, "Verdes Anos" de Carlos Paredes, proporcionando um dos melhores momentos da noite.
Mitó, vocalista do projecto A Naifa, emprestou a sua excelente voz ao tema "Sete Naves", interpretado em dueto com Rui Reininho e ainda à "Valsa dos Detectives", desta vez a solo e com uma actuação segura, bem como Márcia, outra das convidadas a passar pelo palco do CCB para interpretar "Morte ao Sol" com Rui Reininho, e também um dos temas do grupo de que ela é autora, "Cabra-Cega". Duas convidadas de luxo que interiorizaram bem a música do grupo, ambas possuidoras de excelentes vozes e com carreiras bem conseguidas, pois se o projecto A Naifa já tem o seu próprio publico, Márcia editou recentemente o seu segundo disco e começa a ter algum reconhecimento, não só a nível musical, como também pelas causas que defende em termos ambientalistas.
Quem também esteve em excelente plano foi Camané, e Rui Reininho disse, no seu estilo muito peculiar "o maior cantor (Rui Reininho, em altura) e o melhor cantor Camané". Que voz que este senhor tem: simplesmente soberbo naquela que para mim é uma das melhores canções dos GNR, "Cais", na qual Camané canta como se a canção tivesse sido escrita para si. Brilhante, quer neste tema, quer em "Você (Verbo Amar).
Para além destes temas em que participaram convidados, é de destacar o clássico "Pronúncia do Norte", "Canadádá", "Bellevue", "Mais Vale Nunca", "Sexta-Feira" ou o incontornável "Dunas", isto tudo dentro de um leque de grandes canções interpretadas com grande satisfação e alegria por parte dos músicos, e sempre com a irreverência de Rui Reininho que não se consegue controlar, não conseguindo evitar o envio de algumas farpas em várias direcções, mas sempre com sentido e com razão de ser, desde o mundo da política ao futebol, passando pela ética... ou pela falta dela.
Foi uma noite de boa música portuguesa, interpretada por um grupo com história e que aos poucos começa a entrar numa onda mais pop e simultaneamente mais sedutora, como acontece com tudo aquilo que tem charme: à medida que os anos passam, o charme aumenta.
É isso que se passa com a música dos GNR.

14 February 2013

Ao vivo... Metz

Depois da passagem pela Plano B na cidade do Porto, para um concerto intenso e forte perante uma sala completamente esgotada, era chegada a vez de Lisboa na Galeria Zé dos Bois, e o pequeno aquário da ZdB, foi mesmo muito pequeno para tanto público e para a música dos Metz.
Este trio, oriundo de Toronto, Ontário, Canadá, durante quase uma hora descarregou energia com o seu rock puro e duro, muitas vezes próximo do Punk / Hardcore, e o público, que inicialmente esteve tímido, acabou por corresponder, e a partir desse momento houve espaço e tempo para pequenas "sessões" de mosh e crowdsurfing, fazendo deste modo jus à forma como o grupo define a sua música "Uma música sobre transpirar, beber, e andar aos encontrões aos amigos". Houve tudo isto neste concerto: uma sala demasiado pequena e quente, copos de cerveja a voar em direcção ao palco, e o grupo a oferecer uma garrafa de Whisky para o público partilhar, garrafa essa que depois voltou ao palco, praticamente vazia.
Com apenas um álbum editado, "Metz" pela Sub Pop em 2012, este trio formado em 2010 por Alex Edkins (voz e guitarra), Chris Slorach (voz e baixo) e Hayden Menzies (bateria), cumpriu na sua primeira passagem por Portugal, com bons desempenhos ao nível vocal, ora cantando ora berrando, músicas curtas, estruturalmente fortes, velozes e duras, assentes numa guitarra e num baixo que tanto "rasgam" como fazem curtos solos, e todo este frenesim sonoro assenta num desempenho soberbo por parte de um baterista incansável.
Um excelente concerto de um grupo que promete e que regressa a Portugal para o Primavera Sound.
Na primeira parte, tocou o duo português Cangarra, numa boa actuação que durou cerca de 30 minutos, durante os quais Ricardo Martins na bateria e Cláudio Fernandes na guitarra, conseguiram entusiasmar o público com o seu post-rock experimental e bem interpretado.

Nota - Como me esqueci da máquina fotográfica, "roubei" esta foto da net (faroutandbeyond.tumblr.com). Qualquer coisa, agradeço contacto via comentários e a foto será imediatamente retirada.

11 February 2013

Biffy Clyro... Opposites

Os primeiros acordes que ouvimos neste mais recente disco dos Biffy Clyro, são suaves, umas teclas harmoniosas e a característica voz de Simon Neil, embalam-nos, até que, aos dois minutos, começamos  a ouvir uns sons de guitarras que, de forma subtil, vão subindo de intensidade, é então a partir desse momentos que sentimos o verdadeiro espírito, poder e força, da música deste trio escocês que, ao seu sexto disco de estúdio confirma a maturidade atingida em 2009, com a edição de “Only Revolutions”.
Desde então. o grupo tem feito imensos concertos e participado em vários festivais, criando a ideia de ser uma banda com grande potencial ao vivo. Arrisco mesmo a afirmar que podemos estar perante uma das melhores bandas da actualidade em espectáculos ao vivo, e, ainda por cima, a música do grupo presta-se a isso, com bons ritmos e boas guitarras que, mesmo sem fazerem aqueles solos desgarrados e longos, dão um ritmo de grande intensidade e agressividade à música do grupo.
Este “Opposites” é um bom exemplo disso. Apesar de ser um CD duplo, é um disco que não satura, um disco completo e que nos satisfaz, da primeira à última música.
Se o início é feito com os tais acordes calmos e suaves, já o restante do disco é feito de grandes ritmos, alguns contra-ritmos, e com algumas baladas pelo meio. Se “Opposites”, “Trumper or Trap” e “The Thaw” se situam dentro dos parâmetros das chamadas baladas tradicionais dos grupos de Rock, já “The Tog” e “Skylight” são diferentes, pois são músicas cuja estrutura assenta essencialmente na voz de Simon Neil e numa sonoridade mais melódica, por vezes mais próxima de ambiências sonoras do que musicais (principalmente em “The Tog”), mas com pormenores muito interessantes, com algumas variações de intensidade musical que nunca chegam a ser variações rítmicas, proporcionando momentos muito agradáveis.
Para alem destas baladas que, como são poucas,  tornam-se mais fáceis de destacar, os outros temas que fazem parte deste disco duplo são, todos eles, cheio de garra, energia e força, e, apesar de ser extremamente difícil  destacar um tema deste “Opposites”, não posso deixar de mencionar, por exemplo, “Biblical” , “Different People”, “Black Chandeller”, “Little Hospiltals”, e “Modern Magic Formula”, que são temas que podem funcionar muito bem ao vivo, pois já em disco transmitem imensa energia, com uma construção simultaneamente melódica e agressiva, uma voz bem colocada e terna que serve de contrabalanço à agressividade transmitida pela parte musical da banda, agressividade essa que também é, diga-se “amaciada”, por pormenores orquestrais em fundo musical.
Os Biffy Clyro formaram-se em 1995, em Glasgow na Escócia. Este trio, composto por Ben Johnston (bateria), Simon Neil (voz e guitarra) James Johnston (baixo), tem mantido ao longo dos anos alguma regularidade em termos de edições discográficas, tendo sido editado o primeiro disco no ano de 2002. Na altura “Blackened Sky”,  foi um fracasso em termos comerciais e mal recebido pela critica musical, mas desde então o grupo tem evoluído e com este “Opposites” atinge e confirma a maturidade musical, que já tinha ficado evidenciada em “Only Revolutions”, lançado em 2009.
É devido a esta evolução do grupo e à energia que é transmitida nos discos, que repito o que já mencionei antes: estamos perante uma das melhores bandas ao vivo.
Biffy Clyro têm concerto agendado para o Optimus Alive.

Disco 1

01 - Stingin' Belle
02 - Sounds Like Balloons
03 - Biblical
04 - The Joke's on Us
05 - Black Chandelier
06 - A Girl and His Cat
07 - Opposite
08 - The Frog
09 - Little Hospitals
10 - The Thaw

Disco 2

01 - Different People
02 - Modern Magic Formula
03 - Spanish Radio
04 - Victory Over The Sun
05 - Pocket
06 - Trumpet Or Tap
07 - Skylight
08 - Accident Without Emergecy
09 - Woo Woo
10 - Pictture a Knife Fight

Nota - 7.8 / 10

05 February 2013

Nick Cave & The Bad Seeds... Push The Sky Away


Desde “Dig, Lazarus, Dig!!!", editado em 2008, que Nick Cave não lançava um disco de originais com os The Bad Seeds.
Durante este hiato, Nick Cave Nick Cave participou no projecto Grinderman, com Warren Ellis, Martyn Casey e James Sclavunus, que editaram dois discos, “Grinderman” em 2007 e “Grinderman 2” em 2010. Para além do argumento do filme "Lawless", estreado em 2012, Nick Cave fez ainda a respectiva banda sonora.
“Push The Sky Away” assinala o regresso de Nick Cave & The Bad Seeds às edições discográficas, num registo de bom nível, repleto de canções calmas e agradáveis.
Se para muitos fans do músico australiano, este disco pode não ser dos melhores nem daqueles de maior criatividade, face à ausência daquele estilo musical a que nos habituou em que a agressividade e o tipo de construção musical assentam numa base rítmica que em certos momentos é superada por sons extraídos dos instrumentos musicais, quase de uma forma desconexa, este “Push The Sky Away” é um bom disco, que não cansa e ouve-se com muito agrado, da primeira à última música.
Se, por exemplo, “We No Who U R”, “Wide Lovely Eyes” e “Mermaids”, são baladas melódicas e quase ternas, outros temas há em que aquele estilo mais rock a que Cave nos habituou, está bem presente, como por exemplo em “Jubilee Street” que começa de uma forma calma mas termina com pequenos devaneios musicais, mantendo sempre uma base rítmica próxima da balada.
“We Real Cool” e “Finishing Jubilee Street” são outros temas interessantes, mas o momento alto surge na penúltima música, “Higgs Boson Blues”, na minha opinião, a melhor deste disco, uma canção longa, com mais de 7 minutos e na qual surge a forma de cantar característica e fascinante de Nick Cave.
Pode-se gostar mais da vertente rock e “barulhenta” de Nick Cave, mas também se gosta desta faceta mais calma e melódica e destas canções bonitas, mas tenho sérias duvidas que funcionem bem em concertos ao vivo, no âmbito de um festival.
Nick Cave tem concerto agendado para o Primavera Sound, no Porto.

01 – We No Who U R
02 – Wide Lovely Eyes
03 – Water’s Edge
04 – Jubilee Street
05 – Mermaids
06 – We Real Cool
07 – Finishing Jubilee Street
08 – Higgs Boson Blues
09 – Push The Sky Away

Nota 8.0/10

04 February 2013

My Bloody Valentine... M B V


Sons distorcidos, vozes abafadas por vezes imperceptíveis, guitarras poderosas e saturadas, alguns solos, um autêntico caos ruidoso e sonoro.
Estes são os ingredientes que compõem "M B V", o disco que, de uma forma surpreendente, foi lançado esta semana pelos My Bloody Valentine, banda de culto que se formou em Dublin em 1984.
Liderados pelo guitarrista Kevin Shields, editaram o primeiro disco em 1985, o EP “This Is Your Bloody Valentine”, sem grande sucesso. No final de 1987, o vocalista Dave Conway abandona o grupo, sendo substituído por Bilinda Butcher, na voz e guitarra. É após esta alteração que a música do grupo começa a ter a sua própria identidade e sonoridade e em 1988, editam o muito festejado e aclamado “Isn’t Anything”, que obteve grande sucesso junto da crítica britânica e surpreendeu o mundo musical da altura, graças a um estilo muito próprio, aliado a uma presença em palco no mínimo estranha, já que os músicos actuavam com os olhos fixos no chão, sem encarar o público, daí surgindo a definição de “Shoegaze” para o seu estilo musical.
Em 1991 é editado o mítico – por muita gente considerado um dos melhores discos da história da música – “Loveless”, um disco soberbo que ainda hoje faz sentido, e que catapultou o grupo para um patamar muito elevado, apesar de ser uma música ruidosa e complexa, mas de grande qualidade e genialidade.
Após a edição deste disco, o grupo esteve inactivo durante muitos e muitos anos, e, vinte e dois anos depois, quase que de um dia para o outro, lançam um novo disco, apanhando de surpresa toda a imprensa musical e até os próprios fans, que há já muito tempo ansiavam por algo novo, mas sem grandes esperanças, apesar dos rumores que iam surgindo pela imprensa.
Neste início de Fevereiro aí está, o novo disco dos My Bloody Valentine, intitulado somente “M B V”, e que sucede a “Loveless” de 1991.
A sonoridade desse mítico disco, mantém-se neste novo trabalho, não só na parte mais ruidosa, como também na parte mais melódica, este M B V, acaba por dar uma certa continuidade à obra do grupo. Poder-se-ia afirmar estarmos perante "mais do mesmo"' não fosse a criatividade e o talento destes músicos, que continuam a ter a capacidade de surpreender pela positiva, e aquilo que podia parecer uma continuidade de Loveless – o tal mais do mesmo - não é, e não deixa de ser curioso que, à medida que vamos ouvindo o disco, apodera-se de nós a sensação de estarmos perante algo novo, tal a genialidade presente, que faz com que por vezes a música do grupo pareça estranha e requer mais do que uma simples audição.
Ao todo, este “M B V” traz-nos nove temas, todos eles repletos de guitarras em desgarradas permanentes, pequenos solos, temas caóticos e ruidosos, distorções, tudo o que se possa imaginar num cenário de caos, como se a música estivesse a ser interpretada de uma forma anárquica, mas, é então que a voz de Bilinda Butcher nos traz de volta à realidade, apesar de em alguns temas surgir abafada, mas isso faz com tenhamos a necessidade de ir à procura da paz que irradia dessa voz doce, terna e meiga, com um efeito “balsâmico”.
Se, a título de exemplo, em temas como “She Found Now”, “Nothing Is” ou “Wonder 2”, sentimos o efeito caótico da música do grupo, já em “Only Tomorrow” ou “Is This And Yes”, sentimos esse bálsamo, e aí sim, entendemos o tudo o que possa ser escrito sobre este disco e sobre os My Bloody Valentine.
Este pode não vir a ser considerado um dos melhores discos do ano (o que duvido), mas vai ser, seguramente, considerado o acontecimento do ano.
Um disco a ouvir em “repeat”, muitas e muitas vezes, pois a boa música é algo de que se vai gostando cada vez mais, à medida que se vai ouvindo e “entranhando” em nós, de forma viciante.
Este é um desses discos.

01 – She Found Now
02 – Only Tomorrow
03 – Who Sees You
04 – Is This And Yes
05 – If I Am
06 – New You
07 – In Another Way
08 – Nothing Is
09 – Wonder 2

Nota – 9/10

03 February 2013

Grouper... The Man Who Died In His Boat

Grouper, é um projecto de Liz Harris, jovem oriunda de Portland, que desde 2003 - em nome próprio, em colaboração com outros projectos ou como Grouper - tem tido uma carreira regular, não só em termos de edições discográficas, como também nos níveis qualitativos dessas mesmas edições.
Todos os discos editados foram bem recebidos pela crítica e, graças a isso, Liz Harris / Grouper, conseguiram criar um grupo de fans, que pode não ser muito numeroso mas é, seguramente, extremamente devoto e seguidor da sua carreira.
Este "The Man Who Died In His Boat", é a prova da coerência e maturidade de Harris que, passados sete discos desde a edição de "Way Their Crapt" em 2005, continua a inovar e a apresentar um som muito característico, que tão depressa vai do instrumental suave e estranho, a um ambiente com sonoridades ruidosas e experimentais, ou ainda a um estilo doce e calmo, graças a uma voz meiga que, em certos momentos, contrasta com uma sonoridade mais ruidosa da parte instumental, contraste esse que não choca, e até acaba por funcionar de uma forma muito agradável.
Este é um daqueles discos do qual não se gosta à primeira, mas também não se detesta. Dá-se uma segunda oportunidade, e essa segunda oportunidade acaba por ser fascinante e viciante num disco que reune todas as condições para poder vir a ser considerado um dos grandes trabalhos de 2013, apesar de o ano mal ter começado.

01 - 6
02 - Vital
03 - Clouds In Places
04 - Beig Her Shadow
05 - Cover The Long Way
06 - Difference (Vocals)
07 - Vanishing Point
08 - The Man Who Died In His Boat
09 - Towers
10 - STS
11 - Living Room

Nota - 8.5

01 February 2013

Ao vivo... Oneohtrix Point Never e Nate Boyle

Data -25 de Setembro de 2012
Local - Teatro Maria Matos
Notas - Daniel Lopatin, músico natural de Brooklyn, Nova Yorque, também conhecido como Oneohtrix Point Never, aliou-se ao produtor de vídeo Nate Boyce, para este espectáculo de promoção ao disco "Reliquary House".
Um espectáculo no mínimo estranho, em que Lopatin se entregou por completo a sintetizadores e osciladores, enquanto Boyce tratou da projecção de vários vídeos, também eles estranhos, que se interligavam com uma banda-sonora, também ela estranha, mas que, apesar de ser abstracta e até mesmo desorientada, proporcionou um espectáculo interessante.