31/12/16

2016... Ano improvável (Parte 4)


Quando já não se esperava pois 2016 estava a ser um ano demasiado mau - aliás como referido em publicações anteriores, foi um ano improvável - eis que surge próximo do seu final, mais precisamente no dia 25 de Dezembro como tratando-se de uma prenda de Natal de todo indesejável, a notícia da morte de George Michael. Outro músico de uma grande parte da banda-sonora da minha vida que partia.
Que ano, este 2016.
George Michael (Georgios Kyriacos Panayiotou), filho de pai cipriota e mãe britânica, nasceu no Norte de Londres no dia 25 de Junho de 1963.
Em 1981 ele e o seu colega de escola Andrew Ridgeley formaram os Wham!, que terminaram em 1986, tendo editado somente dois trabalhos, mas que mesmo assim deixaram temas incontornáveis na música pop do anos 80. "Wake Me Up Before You Go-Go", "Everything She Wants" ou "Last Christhmas" são alguns desses êxitos, e este último é já um dos enormes clássicos de Natal.
A sua carreira a solo começou quando ainda estava nos Wham! com a edição em 1984 do Maxi-Single "Careless Whisper" que se tornou de imediato num enorme sucesso à escala mundial, excedendo em muito os êxitos alcançados pelo grupo. Graças ao enorme sucesso obtido, não foi de estranhar que George Michael optasse por seguir a sua carreira a solo, lançando em 1987 "Faith", vendendo mais de 10 milhões de exemplares um pouco por todo o mundo.
Três anos depois editou "Listen Without Prejudice Vol. 1", e é nesta altura que começam a surgir as dificuldades de Michael em conviver com a fama. Recusa dar entrevistas e também recusa participar nos vídeos de promoção do disco. Esta incompatibilidade do seu ego com os objectivos da editora levaram a uma longa batalha judicial que terminou em 1993, com o músico a perder o processo em tribunal. George Michael chegou a acusar a Sony de sabotagem às vendas do disco, para além de, segundo as suas palavras, "mantê-lo num estado de escravidão profissional".
Sempre polémico e num modo de querer as coisas à sua maneira (uma característica da genialidade), em 2002 no documentário "Shoot The Dog" atacou Tony Blair e George W. Bush por causa da guerra no Iraque. Incomodados pela sua verdade (que mais tarde se comprovou), os jornais propriedade de Rupert Murdoch lançaram uma campanha feroz contra George Michael, uma campanha de difamação e depreciação como há muito não se via, mas que de modo algum afectaram a sua personalidade.
George Michael e a sua música marcaram uma geração e o seu último trabalho de originais "Patience" foi editado em 2004. Desde então não editou qualquer disco excepto dois temas originais que fizeram parte de um "Best Of".
O regresso aos palcos aconteceu em Coimbra, no dia 12 de Maio de 2007. Estive lá e foi o concretizar de um sonho poder vê-lo em palco.
Com uma vida de excessos e polémicas, apesar de indesejável a notícia não foi surpresa, mas doeu muito ouvi-la pela manhã, ao acordar.
Mais um músico que partia neste improvável ano de 2016.
Durante o ano de 2016 disse que estava a preparar um novo trabalho para ser lançado em 2017. Quem sabe se não será o disco que desde 1990 está por editar. Nos rumores que foram e vão surgindo no mundo musical, consta que "Listen Without Prejudice Vol. 1" daria origem a um "Listen Without Prejudice Vol. 2"; isso nunca aconteceu. Será esse o disco que estaria a preparar para 2017?
Com isto tudo, e sendo este o último texto sobre génios e músicos incontornáveis que partiram neste improvável ano de 2016, dá-me vontade de mencionar uma pequena frase de uma das suas mais belas canções, "A Different Corner", de 1986.
"Take me back in time, maybe i can forget..." o que foi este ano, de todo, horrível.

30/12/16

2016... Ano improvável (Parte 3)

Tal como Bowie e ao contrário de Prince, Leonard Cohen faz parte do restrito leque de músicos que me habituei a ouvir de forma ininterrupta ao longo dos anos.
Descobri a sua música em 1977, quando, com somente 15 anos de idade adquiri "Death of a Ladies' Man", disco que me cativou de imediato, tendo surgido dentro de mim um impulso sensorial que me levou à procura dos trabalhos anteriormente editados por este músico nascido no Quebec, Canadá, no ano de 1934.
Numa procura nem sempre fácil, pois na altura não existiam as tecnologias dos dias de hoje, consegui adquiri-los, "Songs of Leonard Cohen" (1967), "Songs From a Room" (1969) e "Songs of Love and Hate" (1971), sendo este último disco considerado por muitos como o seu melhor trabalho e uma obra incontornável na história da música, como incontornável é Leonard Cohen, homem discreto, sóbrio, encantador, dono de uma voz belíssima, e que destila charme por todos os poros da sua pele.
Ao olhar para uma foto sua, sempre de roupa escura e quase sempre com o seu chapéu, o nosso interior sente-se tocado, invadido; ao ouvir a sua música. os nossos sentimentos, a forma como nos sentimos no momento altera-se. Se estamos deprimidos, ela reconforta-nos; se estamos felizes, tem o dom de nos alegrar ainda mais.
No dia 07 de Novembro do improvável ano de 2016, Leonard Cohen partiu.
Soube-o uns dias mais tarde, dezoito dias decorridos do mês de Novembro. Estava longe do país onde resido e muito mais longe do país em que ele partiu. Por incrível que possa parecer, tinha feito um jejum de notícias de alguns dias e quando decidi aceder a sites noticiosos, levei outro murro no estômago, daqueles bem fortes que nos deixam sem respirar, sem capacidade de reagir. A primeira reacção que tive foi, e passo a citar "porra, morreu o Leonard Cohen".
Senti de imediato as lágrimas nos olhos, como se tivesse perdido alguém muito próximo, apesar de não o ser, longe disso. Leonard Cohen e a sua música faziam parte da minha vida como estando entranhados em mim, na minha pele.
Apesar de ser uma partida previsível atendendo à debilidade do seu estado de saúde nos últimos tempos, não deixa de ser um choque, uma injustiça levar um murro destes. Cohen sabia que estava prestes a partir naquela que seria a sua última viagem, sabia-o quando no dia 21 de Outubro deste ano lançou "You Want It Darker", onde diz, em forma de sussurro:

"If you are the dealer, I'm out of the game
If you are the healer, it means I'm broken and lame
If thine is the glory then mine must be the same
You want it darker
We kill the flame

Magnified, sanctified, be thy holy name
Vilified, crucified, in the human frame
A million candles burning for the help that never came
You want it darker

I'm ready my lord"

Ele estava... nós não.

Numa outra das belíssimas oito canções que completam este seu último disco, sussurra-nos, como se estivesse junto aos nossos ouvidos:

"I'm leaving the table
I'm out of the game"

Ouvir atentamente "You Want it Darker" acaba por tornar-se uma experiência intensa e dura.
Neste décimo quarto álbum de originais, Cohen consegue surpreender-nos, por incrível que possa parecer, não pela qualidade apresentada no disco mas pela sua enorme capacidade de não nos desiludir e simultaneamente fazer com que nos sintamos parte da sua vida, como ele fez, faz, e fará, da nossa. "You Want it Darker" tem o dom de fazer com que interiorizemos que somos aquilo que ele nos chamava nos concertos - seus amigos -, sentimos que quer partilhar connosco os seus bons e maus momentos, sentimos que nos queria confidenciar a brevidade da sua partida.
Neste disco de sensações belas e estranhas, sentimos que alguém está a cantar para nós, num jeito simultaneamente doce, alegre e triste, melancólico, e fá-lo de uma forma envolvente, uma das características dos seus concertos. Vi alguns, senti isso. Em certos momentos às lágrimas invadiam os meus olhos, sim, lágrimas de felicidade, só que agora, quando ouço o disco com que ele nos deixou, elas voltam, mas desta vez são lágrimas de tristeza.
Lacrimejei ao ouvir o disco, e em segredo chorei quando soube que ele nos tinha deixado... aos seus amigos.

29/12/16

2016... Ano improvável (Parte 2)

Dia 21 de Abril, chego a casa cansado de mais um dia de trabalho, sento-me no sofá, ligo a televisão.
Ainda mal me acomodei e, "pás"... mais um murro no estômago.
Prince, muitas vezes apelidado de pequeno-génio de Minneapolis tinha partido.
Fiquei inerte ao ouvir a notícia da partida de mais um dos meus compositores preferidos.
Absolutamente genial, polémico, capaz do melhor e do pior, Prince Rogers Nelson editou mais de três dezenas de discos, entre o seu primeiro álbum "For You" editado em 1988 e o último "HITnRUN: Phase Two" editado em 2015, o que dá uma média superior a um disco por ano durante toda a sua carreira.
Sempre foi do conhecimento geral que Prince era um ávido compositor, constando ainda que, supostamente, terá deixado mais de uma centena de canções prontas a ser editadas. Consta também que passava os dias a compor, não sendo de estranhar ao analisarmos a sua produção musical
Não sendo, digamos, tão transversal como Bowie, Prince deixou uma marca incontornável no panorama musical, com trabalhos de enorme qualidade, como por exemplo "Purple Rain" (1984) que deu origem a um filme com o mesmo nome no qual é o actor principal, "Sign 'O' Times" (1987) ou "The Love Symbol Album" (1992).
Graças à sua ânsia de editar novos trabalhos e dar vazão à sua criatividade, teve uma carreira com muitos altos e baixos, vagueando por vários estilos musicais, desde o Funk ao Rock, passando pelo Jazz, e envolvendo-se em projectos de curta duração.
Como todos os génios, tinha algo de louco, não sendo de estranhar algumas facetas da sua personalidade muito peculiar, como por exemplo o facto de ter mudado de nome várias vezes, a sua guerra contra quem publicava vídeos e fotografias dos seus concertos na Internet e a sua luta pela defesa dos direitos de autor. A título de curiosidade pode-se referir que não existia qualquer vídeo dele que pudesse ser visto no Youtube, tendo inclusivamente processado quem insistia em os publicar.
Excêntrico, compositor genial, em palco movia-se de forma espectacular, dançava lindamente e era considerado por muita gente um dos melhores guitarristas do mundo, apesar de a sua música não assentar numa estrutura que permitisse grandes solos. Tinha uma forma muito particular de tocar, extraindo o som dos solos da sua guitarra com a mão que marcava a nota, enquanto com a outra, a direita, gesticulava e representava.
Inesquecível no Festival Super Bock Super Rock na Aldeia do Meco em que, ao lado de Ana Moura, Prince "cantou" com a sua guitarra o fado "Vou dar de beber à dor". Ana Moura cantou e Prince fez o mesmo com a guitarra sem cantar, em 2010.
No dia 21 de Abril deste improvável ano de 2016, Prince partiu com apenas 57 anos de idade.
Não me tendo marcado de forma tão indelével como por exemplo David Bowie, a música de Prince também preenche uma grande parte da banda-sonora da minha vida e, para além disso, sou dos que o considera um dos melhores guitarristas de sempre, e a guitarra é o meu instrumento preferido.
Sei que partiu, mas deixou-nos um legado enorme, e espero que se confirme o rumor de que deixou mais de uma centena de canções prontas a serem editadas.

28/12/16

2016... Ano improvável (Parte 1)

O ano que agora termina ficará na história da música como um dos piores de sempre; se não o pior.

Seria impensável que num só ano partissem quatro nomes incontornáveis e transversais do mundo musical.

Fatidicamente, somente com onze dias decorridos, levo o primeiro murro no estômago.
Na manhã desse dia, ao acordar, assim que ligo o pequeno rádio que me faz companhia matinal, ouço numa estação improvável, falar de David Bowie. Com uma sensação mista de pavor por aquela rádio estar a falar nele, e em estado de pré-choque, ouço a notícia da sua partida. Bowie tinha-nos deixado no dia anterior, 10 de Janeiro.
Dois dias antes tinha editado "Blackstar", trabalho de imensa qualidade e repleto de simbolismo. Ouvi-o no dia em que foi editado, quatro vezes seguidas, num "repeat" que se pretendia saciador, mas que se revelou incapaz de o ser, tal era o prazer sentido ao ouvi-lo. Disse-o nesse mesmo dia, a quem me era próximo, "este vai ser o melhor disco de 2016". Não me enganei.
"Blackstar" é daqueles trabalhos que se revela diferente de cada vez que o ouvimos; é como quando apreciamos uma pintura ou uma escultura: nunca é igual, e de cada vez que detectamos um pormenor, esse pormenor torna ainda mais belo o que estamos a apreciar.

"Look up here, i'm in heaven,
I've got scares that can't be seen
I've got drama, can't be stolen
Everybody knows me now

"Look up here man, i'm in danger
I've got nothing left to loose
I'm so high it makes my brain whirl
Deopped my cell phone down below
..."

Foi com a crueldade destas palavras assentes numa base musical dura, que Bowie nos deixou, aos 69 anos de idade e 49 após a edição do primeiro disco, "David Bowie" em 1967.
Desde então editou uma quantidade considerável de trabalhos, nem todos de grande nível é verdade, mas, para contrabalançar esses discos menos conseguidos, lançou muitos que perdurarão para sempre na história da música de forma incontornável, como por exemplo a famosa trilogia de Berlim, "Low" e "Heroes" de 1977, e "Lodger" de 1979, entre muitos outros, mas seria demasiado exaustivo estar aqui a mencioná-los.
Por exemplo, quem não dançou, cantou, chorou, riu e foi feliz ao som de Absolute Beginners, Let's Dance, China Girl, Wild is The Wind, Seven, ou ainda Thursday's Child, entre tantos outros temas de um músico que me habituei a ouvir, quase diariamente, desde o início dos anos 70 e até aos dias de hoje, um músico que quando lançava um novo disco tinha em mim um efeito estranho e doentio, uma doença salutar que me enchia de prazer e ansiedade, pois não descansava enquanto não o tinha, deitava-me tarde ou acordava cedo, não interessava; o que interessava era ter oportunidade de o ouvir, de o devorar até à exaustão, que nem sempre surgia, e de acrescentar mais uma série de temas à banda-sonora da minha vida, da qual já faziam parte muitas das suas canções.
Neste improvável ano de 2016, David Bowie deixou-nos, hoje já acredito nisso, mas inicialmente, tenho de confessar que julguei ser uma manobra de marketing, um rumor, um boato, algo que viesse a ser desmentido. Sei que Bowie não alinhava nesse tipo de propaganda, mas mesmo assim, esperei, esperei... e esse desmentido nunca surgiu. Afinal era verdade.
Ainda hoje, é com sentimento de tristeza e olhos a quererem verter as lágrimas que me esforço por conter, que fico, quando ouço algumas das suas músicas, principalmente aquelas que mais me marcaram e acompanharam nos bons e maus momentos ao longo de mais de 40 anos, e, quando ouço "Blackstar", o disco em que se despede de nós, esse esforço é insuficiente, e sinto os olhos marejar.

31/10/16

Setlist... Tindersticks

Setlist do concerto na Casa da Música. A seguir a "Boobar" (que não interpretaram em Lisboa), os Tindersticks tocaram "Like Only Lovers" e no encore foram tocadas "Sometimes It Hurts" e "My Oblivion", para encerrar o concerto que durou cerca de noventa minutos.

30/10/16

Ao vivo... Tindersticks

Data - 29 de Outubro de 2016
Local - Casa da Música
Notas - Mais uma noite cheia de intensidade ao som da boa música de uma banda que não desilude em palco, Tindersticks. Mesmo sendo muito parecido com o de Lisboa, em termos de alinhamento, nunca é demais ouvir boa música.

27/10/16

Ao vivo... Tindersticks

Data - 26 de Outubro de 2016
Local - Teatro Tivoli
Notas - Uma sala praticamente esgotada para, mais uma vez, ser celebrada uma noite de culto aos Tindersticks, banda britânica com uma enorme legião de fans em Portugal e com inúmeras actuações em terras lusas.
Com um alinhamento assente em "The Waiting Room" (2016), durante cerca de hora e meia houve ainda oportunidade de ouvir alguns temas de trabalhos anteriores, como por exemplo "Medicine" de "The Something Rain" (2012) ou "She's Gone" de "Tindersticks I" (1995), ou ainda "Johnny Guitar", cover de Peggy Lee que o grupo liderado por Stuart Staples toca frequentemente.
Com som de grande qualidade, próximo da perfeição, foi notória a satisfação e envolvência do público e dos músicos naquilo que se pode chamar "noite de culto", tal o silêncio vivido na sala durante a interpretação dos temas, silêncio esse que dava lugar a intensos e ruidosos aplausos de satisfação no final de cada tema, e numa cadência perfeita, numa agradável noite numa sala aconchegada, a música dos Tindersticks envolvia-nos, fazendo, mais uma vez, parte da banda-sonora das nossas vidas... e que banda-sonora.
E que bem que sabe ouvir a conjugação da melancólica e terna voz de Stuart Staples com os pormenores musicais que nos são oferecidos pela guitarra de Neil Fraser, com a doçura das teclas de David Boulter, com a subtileza de Dan McKinna no baixo e com a classe de Earl Harvin na bateria.
Tão bom; e nunca cansa.

Setlist:

01 - Follow Me
03 - Were We Once Lovers?
03 - Second Chance Man
04 - Sleepy Song
05- Medicine
06 - Johnny Guitar (Peggy Lee Cover)
07 - She's Gone
08 - If You're Looking For a Way Out
09 - The Other Side Of The World
10 - Hey Lucinda
11 - How He Entered
12 - The Waiting Room
13 - Planting Holes
14 - We Are Dreamers!
15 - Show Me Everything
16 - Say Goodbye To The City
17 - A Night To Still

Encore

18 - Sometimes It Hurts
19 - My Oblivion

14/10/16

Ao vivo... Toty Sa Med

Data - 13 de Outubro de 2016
Local - Galeria Zé Dos Bois
Notas - O angolano Toty Sa Med trouxe África à Galeria Zé Dos Bois. Tendo como mote a divulgação do seu primeiro trabalho, o EP "Ingonbota", Toty deu início ao concerto apresentando-se sozinho em palco com as suas três guitarras, as mesmas com que gravou o seu EP de estreia, segundo o próprio disse.
Com um reportório assente em temas da música tradicional de Angola, Toty Sa Med contou com convidados especiais em palco, como Aline Frazão e Paulo Flores, que participaram em alguns temas, ajudando a que esta noite se tornasse numa celebração de amizade.

23/09/16

Ao vivo... Rodrigo Amado e Chris Corsano

Data - 22 de Setembro de 2016
Local - Galeria Zé Dos Bois
Notas - Não foi de admirar que Rodrigo Amado & Chris Corsano proporcionassem a quem encheu o aquário da Galeria Zé Dos Bois, mais uma excelente noite de música de improvisação percorrendo os vários campos do Jazz, com sonoridades densas e fores. Apesar de nem sempre ser fácil ou estar com espírito para isso foi um serão bastante agradável, que contou ainda com a actuação de Tom Carter que regressou à ZDB para uma apresentação a solo.

10/09/16

Ao vivo... Shopping

Data - 09 de Setembro de 2016
Local - Galeria Zé Dos Bois
Notas - Mais uma noite de bom Rock no aquário da ZDB. Rock puro, algo cada vez mais raro nos dias de hoje.

30/08/16

Ao vivo... David Fonseca

Data - 26 de Agosto de 2016
Local - Vilar de Mouros
Notas - David Fonseca deu um excelente concerto em Vilar de Mouros comprovando que a sua música funciona muito melhor em palco do que em disco, contrastando a garra e a força da música ao vivo com a excessiva suavidade melódica do disco.
Durante cerca de uma hora tocou alguns dos seus clássicos, num alinhamento típico de festival, em formato "Best of", aproveitando ainda para apresentar alguns temas do seu último disco, "Futuro Eu" de 2015, o primeiro cantado em português.
No entanto, acabaram por ser os temas interpretados em Inglês que mais cativaram, exceptuando, obviamente, a legítima homenagem a António Variações, pois David Fonseca fez parte do projecto "Humanos" que em 2004 editou um excelente disco homónimo, como forma de homenagem a esse músico que viveu antes do seu tempo, António Variações.
Apesar de ser um concerto curto, ainda interpretou temas dos Silence 4, e prestou mais uma merecida homenagem, desta vez a um monstro da música que partiu no início deste ano, David Bowie.

Ao vivo... Echo and the Bunnymen

Data - 26 de Agosto de 2016
Local - Vilar de Mouros
Notas - Onze anos depois, os britânicos Echo & The Bunnymen, liderados por Ian McCulloch regressaram ao Festival Vilar de Mouros.
Actuando, como sempre, na penumbra do palco, com tonalidades escuras e sem autorizar qualquer recolha de imagem, os Echo and The Bunnymen não desiludiram, ao contrário do sucedido em 2005.
Num concerto relativamente curto, com cerca de uma hora, os momentos que mais empolgaram o pouco público presente foram, como era previsível, os grandes clássicos da banda, como por exemplo "The Killing Moon".
De realçar ainda a excelente voz de McCulloch, que demonstrou estar em grande forma.

29/08/16

Setlist... Orchestral Manouvers in The Dark

Setlist do concerto dos Orchestral Manouvers in The Dark, no Festival Vilar de Mouros 2016

01 - Enola Gay
02 - Tesla Girls
03 - Messages
04 - Radio Waves
05 - History of Modern (Part 1)
06 - If You Leave
07 - (Forever) Live and Die
08 - She's LEaving
09 - Souvenir
10 - Joan of Arc
11 - Maid of Orleans (Joan of Arc)
12 - Talking Loud and Clear
13 - Metroland
14 - So In Love
15 - Dreaming
16 - Sailing On The Seven Seas
17 - Locomotion
18 - Electricity

Ao vivo... Festival Vilar de Mouros

Data - Dias 25, 26 e 27 de Agosto de 2016
Local - Vilar de Mouros
Notas - No ano em que se celebram os 50 anos da primeira edição do Festival Vilar de Mouros decorrida em 1965 e vocacionada somente para a chamada música folclórica, é feita mais uma tentativa de fazer ressurgir aquele que foi o primeiro festival da Península Ibérica.
Numa das mais bonitas zonas do país, numa pequena localidade que acolhe de muito bom grado o festival e se integra dento do espírito do mesmo, algo tem faltado para que o mesmo não consiga cimentar a sua posição no panorama dos festivais em Portugal.
Após o ressurgimento em 1996, realizou-se uma nova edição em 1999. Desde então e até 2006 o festival aconteceu de forma ininterrupta. Em 2006 existiu alguma megalomania ao celebrarem os 35 anos comemorativos da edição de 1971, ano em foi considerado o Woodstock português e por onde passaram Elton John e Manfred Mann, entre muito outros nomes de relevo do panorama musical português. Nesse ano de 2006 o festival foi celebrado com o lema "35 anos, 35 bandas, 35 Euros". Apesar de o preço ser muitíssimo acessível, o número de festivaleiros ficou muito aquém do previsto, resultando num enorme prejuízo.
Não sendo isto suficiente, a política entrou nos meandros do festival, e devido às divergências que foram surgindo o mesmo teve um interregno de 8 anos, regressando somente em 2014. Este enorme hiato, aliado à indefinição de datas e interesses de cariz político, teve graves consequências no Festival Vilar de Mouros, tendo o mesmo deixado de fazer parte do roteiro dos festivais portugueses.
Nem o facto de a edição de 2014 ter-se saldado por um enorme fracasso, demoveu a "Surprise & Expectation" de fazer uma nova tentativa para o ressurgimento daquele que, na opinião de quem escreve estas linhas, é um dos melhores festivais que se realiza em Portugal, um festival onde a música e o  ambiente se fundem de uma maneira como em nenhum outro sucede; o cenário idílico, o ambiente com verdadeiro espírito de festival, e a forma como se é acolhido pela gente da terra, são a prova mais do que evidente de que o Festival Vilar de Mouros não pode acabar.
Pode não ter estado muita gente na edição deste ano - segundo os números da organização, terão sido cerca de 22000 pessoas - mas a certeza com que ficou alguém que pela décima primeira vez marcou presença em Vilar de Mouros, é que quem lá esteve, saiu de lá feliz e com vontade de voltar.
Assim o desejo, e espero que a organização continue a ser tão boa como foi este ano.

P.S. - Brevemente serão publicados pequenos textos de alguns concertos.

28/08/16

Pulseira... Festival Vilar de Mouros

Pulseira da edição de 2016 do Festival Vilar de Mouros

27/08/16

Ao vivo... Orchestral Manoeuvres in the Dark

Data - 26 de Agosto de 2016
Local - Vilar de Mouros
Notas - Quase 40 anos após a sua formação (1978), os ingleses Orchestral Manoeuvres in The Dark, também conhecidos como OMD, continuam em grande forma. Arrisco mesmo a afirmar que este foi o melhor concerto da edição do renascido Vilar de Mouros, e um dos melhores concertos a que assisti até aos dias de hoje.
Os OMD apresentaram um alinhamento de grande nível que não deixou de fora nenhum dos clássicos deste grupo que regressou aos palcos em 2006 após um interregno que durou mais de dez anos, interregno esse originado pelo fim do grupo quando da edição de "Universal" em 1996, disco que passou praticamente despercebido no seguimento, aliás, do que já havia sucedido com os anteriores, já que após o estrondoso sucesso com os primeiros trabalhos - desde o homónimo OMD editado em 1980 até "Junk Culture" de 1984 - a partir da edição de "Crush" de 1985 foram editados vários discos que ficaram muito longe de obter qualquer sucesso, originando o final do grupo, ou pelo menos uma longa pausa.
Com a edição de "History of Modern" em 2010, os OMD voltaram aos trilhos do sucesso e em Vilar de Mouros, para além dos clássicos, ainda foi possível ouvir o excelente tema "Metroland", de English Electric, o último álbum de originais, editado em 2013.
Com disse Andy McCluskey na introdução a este tema: "A new song, don't worry... it's fantastic"; foi, e nem perante uma música praticamente desconhecida de uma grande parte do público o entusiasmo diminuiu e isso era bem visível nos rostos do público e dos músicos em palco, que se mostraram extremamente felizes com a recepção que lhes foi proporcionada, prometendo voltar em breve.
Espera-se que cumpram o prometido.

18/08/16

Recortes... Festival Vilar de Mouros 2016

Cartaz do Festival Vilar de Mouros de 2016, ano em que se celebram os 50 anos da primeira edição. Este ano verifica-se mais uma tentativa no sentido de o Festival passar a ter periodicidade regular, o que não tem sido nada fácil.
Depois das tentativas, aparentemente falhadas, de 2006 e 2014, pode ser que, como é costume dizer-se, à terceira seja de vez.
Esperemos que sim, pois este evento realiza-se numa das zonas mais bonitas de Portugal e, para além disso, tem um ambiente totalmente diferente dos imensos festivais que há nesta época do ano em todo o país. Não é melhor nem pior do que os outros... é diferente.
É um festival em que existe uma plena integração da comunidade local, com o público do festival, criando um ambiente e proporcionando momentos inesquecíveis.

09/08/16

Momentos... GNR

Data - 13 de Janeiro de 2016
Local - Espinho
Notas - Jantar que os GNR fazem anualmente com um pequeno grupo de fans.

01/06/16

Ao vivo... Steve Gunn

Data - 31 de Maio de 2016
Local - Galeria Zé Dos Bois
Notas - Bom concerto de Steve Gunn, no qual este músico de Brooklyn apresentou temas do seu mais recente disco, "Eyes on the lines" editado recentemente pela Matador.
Depois de ter colaborado com Kurt Vile, Gunn continua a desenvolver a sua carreira a solo, sem no entanto deixar de participar em projectos conjuntos com Vile e ainda com outros grupos, como por exemplo His Golden Messenger ou Mike Copper com quem editou em 2014 "Cantos de Lisboa", para além de muitos outros projectos de cariz rock, mas com algum experimentalismo à mistura.
Na primeira parte da noite o guitarrista Sleepy Doug Shaw apresentou alguns temas novos, num espectáculo que acabou por se tornar monótono.

22/05/16

Setlist... Bruce Springsteen

Setlist do concerto de Bruce Springsteen no Rock in Rio. Como é característico nos seus concertos, o alinhamento definido por Bruce Springsteen no início dos seus concertos acaba por ter várias alterações. Esta imagem foi tirada do palco mas a setlist real já foi publicada neste site.

21/05/16

Ao vivo... Bruce Springsteen

Data - 19 de Maio de 2016
Local - Parque da Bela Vista
Notas - Excelente concerto de Bruce Springsteen apesar de ser num formato mais curto do que é costume.
Mesmo assim, durante cerca de duas horas e meia e acompanhado pela sua banda de sempre, a E Street Band, pode-se afirmar que o "Boss" não desiludiu com o seu ritmo frenético e entusiasmante, e a sua simpatia extraordinária.

Setlist "real" do concerto de Bruce Springsteen na edição do Rock in Rio de 2016

01 - Badlands
02 - No Surrender
03 - My Love Will Not Let You Down
04 - Cover Me
05 - Darkness On The Edge Of Town
06 - Hungry HEart
07 - The Promised Land
08 - Out In The Street
09 - Downbound Trains
10 - I'm On Fire
11 - Atlantic City
12 - Darlington County
13 - Working On The Highway
14 - Johnny 99
15 - The River
16 - Because The Night
17 - Spirit In The Night
18 - Lonesome Day
19 - The Rinsing
20 - Thunder Road
21 - Born In The U.S.A.
22 - Born To Run
23 - Glory Days
24 - Dancing In The Dark
25 - Tenth Avenue Freeze-Out
26 - Twist And Shout
27 - This Hard Land

Ao vivo... Festival Rock in Rio

Data - 20 de Maio de 2016
Local - Parque da Bela Vista
Notas - Neste dia, entre outros artistas, passaram pelo Parque da Bela Vista, Fergie, Mika e os Queen + Adam Lambert.
Numa das edições mais fracas de que há memória do Rock in Rio Lisboa, este acabou por ser o dia com mais público, apesar de muito desse público estar lá pelos presentes e pelo ambiente de festa, não pela música.
Enquanto que o concerto da ex-Black Eyed Peas, Fergie, foi bastante fraco, apesar de todo o seu esforço, o libanês Mika acabou por proporcionar um espectáculo agradável, graças à excelente boa-disposição e à enorme interacção com o público.
No entanto, neste dia, a grande expectativa residia na actuação de um dos grupos mais importantes da história da música Rock de todos os tempos, os britânicos Queen.
Sem o lendário Freddie Mercury, falecido no dia 24 de Novembro de 1991, o grupo actualmente constituído por Brian May e Roger Taylor tem mantido actividade regular em termos de espectáculos, primeiro com Paul Rodgers (2005-2009), e desde então com o finalista do concurso American Idol, Adam Lambert. John Deacon, e muito bem, recusou-se a fazer parte deste projecto desde o início.
Apesar das reconhecidas qualidades vocais de Lambert, nada nem ninguém poderá algum dia, substituir Mercury, não só pelo seu carisma, mas também pelo seu inigualável timbre musical.
Para alguém que sempre acompanhou a obra deste grupo formado em Londres no ano de 1971, para alguém que devorou todos os seus álbuns até à exaustão, desde "Queen" de 1973 até "Innuendo" de 1991 e ainda ao póstumo "Made in Heaven" de 1995 editado como forma de homenagem a Freddie Mercury, para esse alguém, vêr em palco Brian May e Roger Taylor é excelente; mas não deixa de ser péssimo, vêr e ouvir Adam Lambert a desempenhar o papel de Freddie Mercury.
Apesar de não se poder colocar em causa a qualidade de Lambert, que tem a inteligência de não copiar excessivamente a postura de Mercury, repito, para quem acompanhou a carreira do grupo, foi uma sensação estranha a que viveu neste dia no Parque da Bela Vista.

20/05/16

Ao vivo... Stereophonics

Data - 19 de Maio de 2016
Local - Parque da Bela Vista
Notas - Os britânicos Stereophonics, infelizmente desconhecidos para uma grande parte do público, apesar de se terem formado no já longínquo ano de 1992 e com perto de uma dezena de discos editados, acabaram por ser a grande surpresa do dia, interagindo com o público e, de forma experiente, conseguiram cativá-lo e prender a sua atenção, algo que não era fácil pois aguardava-se a presença de Bruce Springsteen e os Xutos & Pontapés estavam "a jogar em casa".
Com um alinhamento em formato Best Of, o grupo liderado por Kelly Jones agradou imenso nesta edição do Rock in Rio, chegando a ouvir-se muitos comentários na plateia, no sentido de que já mereciam um concerto em nome próprio e numa sala mais pequena.

Ao vivo... Xutos & Pontapés

Data - 19 de Maio de 2016
Local - Parque da Bela Vista
Notas - Esta ano, os Xutos & Pontapés voltaram a marcar presença em mais uma edição do Festival Rock in Rio, que de dois em dois anos é realizado em Lisboa e que se auto-intitula "O Maior Festival do Mundo" mas que de alguns anos a esta parte tem vindo a perder um pouco da sua identidade, visto estar a tornar-se cada vez mais pop e menos rock e, para além disto, tem adoptado uma vertente mais comercial e de diversão.
Hoje em dia há quem veja uma ida ao RiR como uma oportunidade de passar um dia divertido durante o qual aproveita-se para tirar selfies, andar em carroceis, e trazer algumas lembranças (quase lixo) para casa. Opções.
Quanto ao concerto dos Xutos & Pontapés, talvez tenha sido um dos seus piores concertos. A banda parecia estar distante, o público amorfo e ausente reagia apenas aos hits do passado de um grupo que enche os recintos por onde passa, mas do qual as pessoas só conhecem (praticamente) os temas mais antigos, exceptuando os seus fiéis seguidores... que são bastantes.
Na opinião de quem escreve este pequeno texto, que vale o que vale, a banda composta por Tim, Zé Pedro, Kalú, Cabeleira e Gui devia reinventar-se, criar uma nova dinâmica e não estar refém dos hits do passado, o que acontece actualmente, acabando por tornar-se maçador assistir a um concerto deste histórico grupo.

Ao vivo... Festival Rock in Rio

Data - 19 de Maio de 2016
Local - Parque da Bela Vista
Notas - Comentários já publicados.

19/05/16

Ao vivo... Peter Murphy

Data - 16 de Maio de 2016
Local - Aula Magna
Notas - Sala cheia para prestar culto a Peter Murphy, que deu um bom concerto num estilo unplugged. Se inicialmente o som chegou a ser assustadoramente mau, ao fim de duas músicas, com os respectivos acertos, ficou de grande nível, algo habitual naquela que é uma das melhores salas de Lisboa.
Apesar de terem ficado de fora muitos dos grandes êxitos da carreira a solo do eterno senhor Bauhaus, o público saiu de lá extremamente satisfeito, ou não estivessem lá na esperança de ouvirem temas dessa mítica banda... o que aconteceu.

09/05/16

Ao vivo... GNR

Data - 08 de Maio de 2016
Local - Teatro Tivoli
Notas - Concerto de entrada livre anunciado com muito pouca antecedência. Mais uma vez, incompreensivelmente, os GNR não conseguem encher uma sala em Lisboa. Não terá sido somente a pouca divulgação do evento a "responsável" por isso. Infelizmente o grupo de Rui Reininho Tóli César Machado e Jorge Romão raramente esgotam salas em Lisboa, vá-se lá saber porquê.
Bairrismos? Se for esse o caso é uma tremenda estupidez pois este grupo que se formou em 1980 (da formação original só resta Tóli César Machado), tem tido uma carreira das mais consistentes da música portuguesa, apresentando sempre, ou quase sempre, discos de grande qualidade, e a prova disso é o mais recente trabalho "Caixa Negra".
Um excelente concerto que, para além de incluir temas desse disco, não deixou de percorrer toda a carreira do grupo, havendo apenas a apontar a fraca qualidade do som.

Ao vivo... AC DC

Data - 07 de Maio de 2016
Local - Passeio Marítimo de Algés
Notas - Perante o anunciado dilúvio que se confirmou durante todo este dia de Maio, a expectativa para o concerto dos AC/DC era enorme, pois sem Brian Johnson na voz e com Axl Rose a substituí-lo a curiosidade tomou conta, não só dos cerca de 55000 fans da banda australiana, mas também de toda uma imensidão de jornalistas dos quatro cantos do mundo que marcou presença neste concerto, um concerto que iria acrescentar um parágrafo na história da música, parágrafo esse que tanto poderia ser em letras douradas com num negro muito escuro, pois tudo o que mete Axl Rose tem um final sempre imprevisto.
A substituição de Johnson por Rose não foi bem aceite por muitos fans do grupo, no entanto Axl não comprometeu e, apesar de cantar sentado numa poltrona por causa de ter fracturado a perna recentemente, apesar desse enorme contratempo, Axl encheu por completo o palco, sem deixar que o seu ego interferisse com o facto de não ser o principal elemento em palco, dando todo o protagonismo aos membros do grupo, principalmente a Angus Young.
Graças a estes factores, à postura e desempenho de Axl, e à postura e desempenho dos membros do grupo, neste dia que começou chuvoso e terminou com um por-de-sol lindo como que a anunciar que nessa noite, no Passeio Marítimo de Algés, na cidade de Lisboa, iria ser escrita com letras de ouro uma página inimaginável na história do rock.
Fez-se história... e estive lá.

04/05/16

Ao vivo... Muse

Data- 03 de Maio de 2016
Local - MEO Arena Lisboa
Notas - Segundo dia dos Muse em Lisboa com mais um concerto totalmente esgotado. Se em termos cénicos foi exactamente igual ao do dia anterior, já no alinhamento existiram algumas diferenças, com a inclusão de alguns temas por exclusão de outros, tendo, também este, tido a duração de perto de duas horas.
Na primeira parte de ambos os dias, tocaram os holandeses De Staat, com um rock simples mas com margem de progressão.
Resumindo um pouco estes dois concertos, pode-se dizer que os Muse cumpriram na perfeição o conceito do que é um concerto / espectáculo ao vivo. Alinhamento perfeito, concertos com bom ritmo, sem quebras e empolgantes.
Ficamos a aguardar pelos concertos de estádio.

Setlist... Muse


Setlist do concerto dos Muse, no dia 03 de Maio de 2016

01 - Drones (Gravação)
02 - Psycho
03 - Reapers
04 - Resistance
05 - Dead Inside
06 - Bliss
07 - The 2nd Law: Isolated System
08 -The Handler
09 - Supermassive Black Hole
10 - Prelude
11 - Starlight
12 - Citizen Erased
13 - Munich Jam
14 - Madness
15 - Undisclosed Desires
16 - JFK
17 - Stockholm Syndrome
18 - Time Is Running Out
19 - Uprising
20 - The Globalist
21 - Drones (Gravação - Reprise)
22 - Mercy
23 - Knights Of Cydonia

03/05/16

Ao vivo... Muse

Data - 02 de Maio de 2016
Local - MEO Arena Lisboa
Notas - O recinto da MEO Arena há muito tempo estava esgotado para os concertos dos Muse em Portugal. Desde o seu primeiro concerto por cá, na pequena sala da Aula Magna em Abril de 2002, Matthew Bellamy, Chris Wolstenholme e Dominic Howard, têm vindo a construir uma carreira sólida que vai esgotando todos os recintos, de todos os países por onde passa, e Portugal não é excepção.
Se no que a edições discográficas diz respeito, a carreira do grupo tem, momentaneamente, vindo a perder algum fulgor, em palco passa-se exactamente o contrário, confirmando que este grupo formado em 1997 em Teignmout, Devon, Inglaterra, é actualmente uma das melhores bandas em palco, com uma música poderosa e repleta de força.
No primeiro dos dois concertos em Lisboa, no âmbito da digressão de promoção do mais recente trabalho do grupo - "Drones" (2015), no qual conseguem voltar aos discos de excelente nível, redimindo-se dessa forma do mal-amado "The 2nd Law" (2012), não foi de estranhar que o alinhamento desta primeira noite recaísse sobre "Drones" (6) e "Black Holes and Revelations" de 2006 (5), mas sem deixar de passar por "Absolution" de 2003 (4), "The 2nd Law" (3), "Origin of Simmetry" de 2001 (1) e "The Resistance" de 2009 (1), e ainda o excelente dueto bateria-baixo em "Munich Jam".
Com Drones, os Muse voltaram aos bons discos, e com esta digressão, na qual o palco é colocado ao meio da plateia permitindo uma visão de 360º, o grupo confirma toda a sua força em palco, montando um excelente espectáculo cénico, aliado a uma qualidade sonora de excelência.
Arrisco mesmo a afirmar que os Muse são das poucas bandas da actualidade (a par com Coldplay), que têm capacidade para encher estádios.

Muse... Setlist

Setlist do concerto dos Muse, no dia 02 de Maio de 2016

29/04/16

Ao vivo... Hey Colossus

Data - 28 de Abril de 206
Local - Galeria Zé Dos Bois
Notas - Com oito álbuns editados em dez anos de existência, os londrinos Hey Colossus passaram pelo aquário da Zé Dos Bois para um bom concerto perante uma plateia que não foi suficiente para esgotar a pequena e excelente sala, mas que acabou por estar bem composta. Bom concerto de rock puro e duro, algo que nos dias que correm é cada vez mais raro.
Na primeira parte tocaram os Killimanjaro, trio oriundo de Barcelos, que lentamente vai impondo a sua música e o seu estilo no panorama rock português, apesar de actualmente existir muito pouca divulgação por parte das rádios nacionais para este tipo de música. José Gomes, Joni Dores e Luís Masquete formaram os Killimanjaro em 2011 e passaram pela ZDB para apresentarem alguns temas de Hook, álbum de estreia, conseguindo agarrar a plateia com bons pormenores musicais.
Depois de os ter visto em Paredes de Coura em 2014, é notória a evolução da música e sonoridade deste trio.

28/03/16

Ao vivo... A-Ha

Data - 26 de Março de 2016
Local - O2 Arena
Notas - Viagem ao passado ao som de um dos grupos mais marcantes da década de 80, os noruegueses A-Ha. O som excelente e o previsível alinhamento com principal incidência nos temas mais antigos e que ajudaram a imortalizar este trio composto por Magne Furuholmen, Morten Karket e Pal Waaktaar, fizeram com que esta se tornasse uma noite inesquecível para todos os que esgotaram esta excelente sala londrina.
Houve ainda tempo para ouvir alguns temas dos mais recentes trabalhos do grupo, "Foot of The Moutain" de 2009 e "Cast in Steel" de 2015.

Setlist... A-Ha

Setlist do concerto dos A-Ha na O2 Arena, Londres, no dia 26 de Março de 2016.

01 - I've Been Losing You
02 - Cry Wolf
03 - Move To Memphis
04 - Stay on These Roads
05 - The Swing of Things
06 - Cast in Steel
07 - Crying in the Rain (Carole King cover)
08 - Mother Nature Goes To Heaven
09 - We're Looking for the Whales
10 - Velvet (Savoy cover)
11 - Lifelines (Pal na voz)
12 - Here I Stand and Face the Rain (Anneli Drecker na voz)
13 - Sycamore Leaves
14 - She's Humming a Tune
15 - Foot of the Moutain
16 - Hunting High and Low
17 - Scoundrel Days

Encore 1
18 - The Sun Always Shines on T.V.
19 - Under The Makeup
20 - The Living Daylights

Encore 2

21 - Take on Me

18/03/16

Ao vivo... Angel Olsen

Data - 17 de Março de 2016
Local - Galeria Zé dos Bois
Notas - Angel Olsen, com o seu folk tipicamente americano, a sua voz suave e a sua simpatia, tem tudo o que é necessário para nos transportar virtualmente para longe, para um local paradisíaco repleto de paisagens e sons idílicos. As suas actuações são sempre de grande nível, próximas da perfeição, e mais uma vez isso ficou provado na ZDB.

26/02/16

Ao vivo... Festival Rescaldo

Data - 25 de Fevereiro de 2016
Local - Galeria Zé Dos Bois
Notas - Pelo aquário da ZDB passaram dois projectos recentes da música alternativa portuguesa, Acid Acid e Plus Ultra.
Em meados do ano de 2014, o radialista Tiago Castro decidiu transpor para os palcos toda a sua paixão pela música. A partir de uma guitarra, um sintetizador e alguns samples começou por participar em alguns festivais, como por exemplo o Mucho Flow e o Reverence Valada. Nesta noite, na ZDB, apresentou alguns dos seus temas, com uma sonoridade que pode ser apelidada de estranha, em looping constante, com distorções e influências que tanto percorrem caminhos do Krautrock como do psicadelismo electrónico proporcionando ambiências estranhas mas envolventes. Um bom concerto de um bom músico, mas com um estilo musical muito difícil.
Após a curta actuação do Tiago Castro, seguiu-se a actuação dos Plus Ultra.
Esta banda oriunda do norte do país pode ser apelidada de super-grupo, já que são compostos por Gon, membro dos Zen, Kino dos Ornatos Vioelta e Azevedo dos Mosh.
Com uma guitarra e "duas" baterias, os Plus Ultra deram um excelente concerto de rock puro e duro, um rock de definição difícil, pouco melódico e anárquico, mas simultaneamente agradável e repleto de musicalidades e sonoridades que levavam à dança, tornando o ambiente do pequeno aquário próximo do insuportável, e não fosse a excelente prestação dos músicos teria sido difícil, mas atendendo ao espectáculo proporcionado ninguém se lembrou do calor.
Grande noite de música, ambiente quente, corpos suados e ritmos dançantes.

16/02/16

Setlist... Tindersticks

Setlist do concerto dos Tindersticks na sala Volksbuhne, em Berlin

01 - Follow Me
02 - Second Chance Man
03 - Were We Once Lovers
04 - Help Yourself
05 - Hey Lucinda
06 - This Fear of Emptiness
07 - How He Entered
08 - The Waiting Room
09 - Planting Holes
10 - We Are Dreamers
11 - Like Only Lovers Can

12 - Johnny Guitar (Peggy Lee cover)
13 - Keep You Beautiful
14 - Medicine
15 - She's Gone
16 - Flicker
17 - Boobar Come Back To Me
18 - A Night So Still
19 - Sleepy Song
20 - This Fire Of Autumn
21 - The Other Side Of The World

Encore

22 - Slippin' Shoes
23 - Factory Girls

15/02/16

Ao vivo... Tindersticks

Data - 13 de Fevereiro de 2016
Local - Volksbuhne, Berlin
Notas - Nem os problemas técnicos que originaram um atraso de uma hora no início do concerto, nem a ausência das cadeiras inicialmente previstas para que as pessoas se sentassem foram suficientes para que o concerto dos Tindersticks não fosse mais um a acrescentar à longa lista de momentos memoráveis que a banda liderada por Stuart Staples, tem proporcionado ao longo dos anos aos seus fans.
Numa noite musical com duas partes, a primeira foi preenchida com a interpretação na íntegra do mais recente trabalho deste grupo que se formou em Nottingham no já longínquo ano de 1992. Enquanto os temas de "The Waiting Room" - disco de grande nível, editado muito recentemente - eram tocados pelo grupo, no ecrã eram projectadas curtas-metragens que serviam de suporte a cada música, como se estivéssemos numa sala de cinema a vêr esses pequenos filmes com a banda-sonora dos mesmos a ser tocada em directo, provocando um efeito misto em que teríamos de ouvir e ver a música e de ver e ouvir as imagens, despertando todos os nossos sentidos, algo que, pessoalmente, me dá imenso prazer.
Após um pequeno intervalo, segundo Stuart Staples "iriam ser passados os créditos dos filmes", o grupo voltou para a segunda parte, durante a qual seriam tocados temas dos álbuns anteriores, tendo sido possível ouvir, canções de "The Hungry Saw" (2008) com natural destaque para "Boobar Come Back To Me"; de "Tindersticks II" (1995), com um belíssimo momento em "She's Gone"; "Falling Down a Montain"(2010), com a lindíssima "Keep You Beautiful"; "Johnny Guitar", uma cover de Peggy Lee; e ainda temas de "The Something Rain" (2012) o disco que fez com que os Tindersticks voltassem ao prazer de tocar, de estar em palco, sendo essa a ideia que transparece para quem os segue há muitos anos. Para além do brilhantismo musical que sempre tiveram, fica a ideia que este disco marca um ponto de viragem na obra do grupo e isso foi confirmado em 2013  com a edição de "Across Six Leap Years", disco em que Earl Harvin (bateria), Dan McKinna (baixo), Neil Fraser (guiatrra), David Boulter (teclas) e Stuart Staples (voz), pegaram em clássicos do grupos e revisitaram-nos, tocando-os com uma nova "roupagem", mais acústica e cada vez mais bela e sedutora.
O mais recente "The Waiting Room" confirma isto tudo, sendo seguramente um dos grandes discos do corrente ano.

01/02/16

Ao vivo... Rafael Toral - Space Collective 3

Data - 29 de Janeiro de 2016
Local - Galeria Zé Dos Bois
Notas - Sendo que as suas actuações cada vez são mais raras, a expectativa para este concerto na Zé Dois era enorme.
Perante um aquário que não encheu, Rafael Toral apresentou-nos alguns temas da sua indefinida música, com uma sonoridade na qual se sente a liberdade de criação e de estilo, não estando amarrada a qualquer estrutura musical.
Fazendo-se acompanhar por Afonso Simões na bateria e por Ricardo Webbens em diversos instrumentos electrónicos, Rafael Toral conduziu-nos numa viagem musical com tanto de estranha como de cativante.
Na primeira parte actuou Bleiddwn, um projecto musical muito recente, cuja estrutura divaga pelo lado mais negro das pistas de dança.

11/01/16

Homenagem... David Bowie

08.01.1947 - 10.01.2016
Um dos meus músicos preferidos, partiu.
Durante o fim-de-semana estive a ouvir "Blackstar", trabalho editado no passado dia 08, data em que este músico nascido em Londres celebrou os seus 69 anos.
Após ouvir pela segunda vez consecutiva, disse a quem estava comigo "hoje, dia 10 de Janeiro de 2016, digo-te que este vai ser um dos 10 melhores discos de 2016"
Hoje, ao acordar, ligo o rádio e "levo" com uma notícia destas.
Um murro no estômago.
Bowie deixa-nos um legado de mais de duas dezenas de discos de originais, repletos de excelentes músicas, umas soberbas, outras nem por isso, e algumas menos conseguidas.
Deixa-nos, também, no dia do seu aniversário, um dos seus melhores discos de sempre, como se fosse uma carta de despedida, com letras escuras e sombrias, um disco para ouvir, ouvir, ouvir, e quando já estivermos fartos de o fazer, voltamos a ouvir, pois Bowie foi para o reino do arco-íris, mas a sua obra fica para que nós possamos continuar a deleitar-nos com as suas canções e também para que, no futuro, os mais novos saibam que alguém como David Bowie passou por aqui e que esse alguém fez-nos felizes, fez-nos dançar e, hoje, fez-nos chorar.