Mostrar mensagens com a etiqueta Ano 2012. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ano 2012. Mostrar todas as mensagens

02/04/12

Ao vivo... Mark Lanegan

Data - 31 de Março de 2012
Local - Espaço TMN ao vivo
Notas - Pouco passava das 21 horas de uma noite chuvosa, quando os Creature With The Atom Brain, subiram ao palco do Espaço da sala TMN ao vivo. Apesar de a sala não estar cheia para a recepção a estes praticamente desconhecidos belgas, o grupo não se intimidou e durante os cerca de trinta minutos que esteve em palco acabou por mostrar ser uma agradável surpresa, com um rock simples muito à base de guitarras, com pequenos solos e alguns riffs interessantes, sempre num ambiente de visível boa disposição.
Após um curto intervalo, quando os relógios marcam 22 horas e 15 minutos, com a sala completamente cheia, entra em palco a Mark Lanegan Band, com os seus músicos trajados de negro, ficando para último o herói da noite: Mark Lanegan. Com um andar calmo, como se estivesse a passear numa avenida, Lanegan chega ao centro do palco, posiciona-se, e com um olhar simultaneamente vazio e intenso, abstracto e intimidativo, aliado a uma pose e a expressões extremamente densas, prepara-se para nos levar por uma viagem longa através do seu próprio universo, e de um modo como só ele o consegue transmitir, onde a sua voz cavernosa, num ambiente escuro, nos toca, com um excelente jogo de luzes e um som de grande nível.
Com um alinhamento musicalmente irrepreensível, Lanegan manteve sempre essa postura, como se estivesse longe do público, criando uma estranha forma de empatia... que às vezes parecia falta dela, sempre com o seu ar sisudo, pouco comunicativo, distante do público mas, simultaneamente perto, pois a sua expressão atraia-nos para junto dele, e nós íamos, não fisicamente, mas mentalmente, siderados.
Aquela voz incomodava, era fascinante, e fez com que a Mark Lanegan Band desse um concerto memorável, e, no final, aconteceu algo inimaginável, a cereja no topo do bolo... Mark Lanegan deixa cair a máscara da distância, da frieza, do olhar vazio e intenso, abstracto e incomodativo, e torna-se numa figura simpática e agradável, disposta a deixar-se fotografar e a autografar todo o merchandising adquirido e os bilhetes do concerto, com se estivéssemos num conto de fadas, como se fizéssemos parte desse conto, e o homem mau tenha-se tornado no homem bom, naquele que está disposto e terminar em festa uma noite da qual possamos dizer, tal como nos contos de fadas: felizes para sempre, pois foi essa a sensação com que o público ficou ao abandonar uma sala onde teve oportunidade de assistir e viver, uma grande noite de música.

27/03/12

Ao vivo... Tindersticks


Data - 26 de Março de 2012
Local - Cinema São Jorge
Notas - Depois do excelente concerto do dia 25 de Março em Santa Maria da Feira, os Tindersticks rumaram a Lisboa para mais um concerto, desta vez na Sala Manoel de Oliveira, no cinema São Jorge.
Não podendo dizer que a expectativa era imensa, pois neste tipo de espectáculo não há grandes alterações de um concerto para o outro, pode-se afirmar que valeu a pena e que, mais uma vez, os Tindersticks deram um excelente concerto, para um publico devoto que insiste em prestar culto a este grupo de Nottingham.
A primorosa execução por parte dos músicos, aliada ao alinhamento praticamente igual do Festival para Gente Sentada, cria a sensação de ser mais do mesmo, de ser apenas mais um concerto de um grupo de eleição, o que, na minha opinião, não corresponde à realidade, pois a música dos Tindersticks vive muito de pequenos pormenores, e de cada vez que a ouvimos descobrimos novos pormenores, de uma forma infinita.
Se o alinhamento do concerto foi igual ao do dia anterior - com incidência no mais recente disco do grupo, o excelente "The Something Rain" - já o encore teve pequenas alterações, como por exemplo com "If She's Torn", e é então que surge um momento que ir-se-á perpetuar na memória de quem o viveu: próximo do final da música, as luzes do palco reduzem a intensidade, os músicos descem o nível de som, fica apenas a voz de Staples, com um pequeno fundo musical, numa sala cheia, completamente às escuras, num silêncio arrepiante. Mágico.
Uma excelente noite musical, que contou na primeira parte com Thomas Belhom que, à semelhança do dia anterior em Santa Maria da Feira, cumpriu sem deslumbrar, com a sua música de dificil execução.

26/03/12

Ao vivo... Festival para Gente Sentada


Data - 25 de Março de 2012
Local - Cine-Teatro António Lamoso - Santa Maria da Feira
Notas - Neste segundo dia do Festival para Gente Sentada, em Santa Maria da Feira, passaram pelo palco do Cine-Teatro António Lamoso, os portugueses "The Telegram", o francês Thomas Belhom.
Com início marcado para as 22 horas, os concertos começaram às 21.30, o que, se por um lado favorece quem ainda tem que fazer uma longa viagem de regresso a casa (como era o caso), por outro lado é extremamente negativo, pois calculo que houvesse quem quisesse ver os grupos todos, principalmente quando para abrir a noite estava um grupo com bastante qualidade, os "The Telegram".


Em formato duo, este grupo de Santa Maria da Feira formado por Filipe Amorim e Paulo Santos, foi uma boa surpresa, com um estilo musical próximo do country americano, mas com uma vertente mais intimista e suave e que funcionou bem no evento em questão, no entanto, tenho algumas dúvidas quanto à longevidade que a banda pode ter, pois infelizmente em Portugal este estilo musical não tem grande divulgação e apoio por parte da comunicação social... e todos sabemos com isso é importante. Espero estar errado quanto a este prognóstico, pois gostei muito do que ouvi nos trinta minutos em que estiveram em palco, com uma música muito bem elaborada, cantada e interpretada com sentimento.
Após um pequeno intervalo de cinco minutos (algo invulgar neste tipo de espectáculo), subiu ao palco  o francês Thomas Belhom.


Multi-instrumentista talentoso, com um estilo muito próprio, com temas à base de viola, caixa de ritmos, bateria, e uma enorme panóplia de pequenos sons vão preenchendo o vazio musical e criam um ambiente e uma sonoridade interessante, a fazer lembrar Dan Deacon, mas numa vertente menos "industrial". Sem deslumbrar, é possível afirmar que Thomas Belhom também não desiludiu, mas ficou uns pontos aquém do grupo que abriu a noite, e acabou por arrefecer os ânimos do publico que esperava, ansiosamente pelos Tindersticks.



O alinhamento escolhido pela banda liderada por Stuart A. Staples acabou por surpreender o público que esgotou o auditório. Os Tindersticks arriscaram, como se estivessem a jogar em casa, e escolheram tocar na integra o seu ultimo disco "The Something Rain", deixando de fora os maiores êxitos do grupo.
Apesar de sentirmos a falta de "Tiny Tears", "Rented Rooms", "City Sickness", "Mistakes" ou "Raindrops", só para citar algumas, foi um excelente concerto, pois este novo disco do grupo funciona muito bem ao vivo, com mais força, uma força que se alia a momentos de uma beleza sublime, que, muito por força da voz de Stuart A. Staples encantam e seduzem, mas ao contrário do que possa parecer, não é só a voz de Staples que tem esse efeito, e a prova disso foi, por exemplo em "Chocolate", um tema longo e falado, em que Dave Boulter parece estar a ler uma carta, mas cujo fundo musical é repleto de sons e pormenores indescritíveis, pequenos acordes musicais, de tal forma subtis que, na minha opinião, proporcionaram o momento alto da noite.


P.S. - Bilhete autografado por Stuart A. Staples, Dave Boulter e Dan McKinna

21/03/12

Ao vivo... Dream Theater



Data - 26 de Fevereiro de 2012
Local - Coliseu dos Recreios
Notas - Apesar de serem assíduos no que diz respeito a visitas a Portugal, foi a primeira vez que assisti a um concerto dos Dream Theater.


Para este regresso a Portugal, os Dream Theater escolheram os Periphery para a abertura do concerto. Com um estilo muito próximo, o metal progressivo do grupo liderado por Spencer Sotelo acabou por funcionar como uma espécie de aperitivo para os Dream Theater. Não sendo um concerto de grande nível  acabaram por cumprir, e isso foi reconhecido pelo público que não se fez rogado em os aplaudir.


Relativamente aos Dream Theater, a banda do Guitar Hero John Petrucci não desiludiu, apesar de também não ter deslumbrado. Um concerto onde tudo correu bem, com um bom som e bons momentos musicais. A entrada em palco deu-se ao som de Hans Zimmer, enquanto eram projectados pequenos filmes de animação e a música de abertura foi "Bridges In The Sky", do novíssimo álbum "A Dramatic Turn of Events", disco que serviu de base à actuação do grupo.
Com um alinhamento idêntico a toda a tournée, sem variações de concerto para concerto, ao contrário do que a banda fazia outrora, acabou por ser um bom concerto, mas pouco mais.
Não deslumbrou, mas, apesar de tudo, nesta noite fria de Fevereiro, ouviu-se música muito bem executada, mas demasiado previsível, o que contraria um pouco a lógica dos concerto ao vivo.
No entanto, os Dream Theater não desiludiram... cumpriram.

19/03/12

Ao vivo... Musical do Gomas


Data - 17 de Março de 2012
Local - Warner Colombo
Notas - Teatro musical infantil, muito agradável, com a particularidade de ser representado numa sala de cinema.

14/03/12

Ao vivo... Thurston Moore


Data - 13 de Março de 2012
Local - Galeria Zé dos Bois
Notas - Num concerto exclusivo a sócios, o "aquário" da Galeria Zé dos Bois encheu, não só de público mas também de talento, um talento que tem sido comprovado ao longo dos muitos anos de carreira de Thurston Moore, tanto a solo como com os Sonic Youth.
Visivelmente bem disposto e comunicativo, perante cerca de 150 espectadores, Thurston Moore fez-se acompanhar por Keith Wood na guitarra, Samara Lubelski no violino e John Maloney na bateria, que durante duas horas presentearam o restrito público presente com uma excelente noite de música, repleta de sonoridades caóticas (podia-se ler na guitarra de Thurston "I Love Chaos"),  distorções, e momentos de genialidade musical


Após uma primeira parte totalmente instrumental, que durou cerca de 45 minutos e durante a qual foi possível ouvir temas do próximo disco a editar brevemente, o grupo fez um pequeno intervalo, segundo Thurston Moore para trocarem de guitarras... vieram com as mesmas, e num início em tom de brincadeira (algo que não estava à espera por parte do músico), partimos para uma viagem de mais de uma hora, já com temas cantados, com Thurston Moore a recorrer a cábulas, com as guitarras a soarem contagiantes e enraivecidas, contrastando com a relativa calma da voz de Moore na maior parte dos temas.


Com um alinhamento que percorreu toda a carreira do grupo, foi uma noite que ir-se-á perpetuar na memória de quem lá esteve, pois viveram-se momentos de grande intensidade com um concerto excelente,  e essa excelência acabou por se reflectir no ambiente vivido na sala, criando a ideia de estarmos num local em que um dos melhores guitarristas da actualidade, de uma das melhores bandas de sempre, está ali a tocar para nós, quase em exclusivo, e com momentos em que parecia uma "Jam Session", repleta de virtuosismos.


Uma noite que vai ficar inesquecível.