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17/08/12

Ao vivo... Imperial Tiger Orchestra e Hamelmal Abate

Data - 21 de Julho de 2012
Local - Castelo de Sines
Notas - Havia uma certa expectativa relativamente ao concerto que juntava a Imperial Tiger Orchestra, oriunda da Suíça, com Hamelmal Abate, da Etiópia.
Se a Suíça é um país sem grande tradição musical, o mesmo já não se pode afirmar da Etiópia, pois como todos sabemos, em África, a música "corre" nas veias de uma forma única, bastando uns pequenos ruídos ou sons para que o ambiente se torne numa festa, e foi isso que aconteceu eu Sines.
O resultado da fusão da Imperial Tiger Orchestra, fundada em Genebra por Raphael Anker no ano de 2007, com a voz de Hamelmal Abate foi muito interessante e contou ainda com dois bailarinos etíopes, que funcionaram como a "cereja no topo do bolo", num concerto extremamente alegre, cheio de ritmo e grande qualidade musical, apesar de em certos momentos ser um estilo algo complexo, devido à fusão de duas sonoridades muito diferentes, mas que no final resultam muito bem, em que o jazz europeu se funde com a música tradicional etíope, e que por sua vez se fundem com o Jazz Etíope, criando aquilo a que se pode chamar euro-ethio-jazz.

Formação:

Hamelmal Abate - Voz
Raphael Anker - Trompete
John Menoud - Saxofones Barítono e Alto
Alexandre Rodrigues - Teclados
Cyril Moulas - Baixo, Phin, Guitarra, Krar
Julien Israelian - Bateria
Luc Détraz - Kebero e Naal
Getu Tirfe - Dança
Emebet Tizazu - Dança

08/08/12

Ao vivo... Festival Músicas do Mundo

Data - 20 e 21 de Julho de 2012
Local - Castelo de Sines
Notas - Comentários já publicados neste blog.

Ao vivo... Marc Ribot y Los Cubanos Postizos

Data - 21 de Julho de 2012
Local - Castelo de Sines
Notas - Marc Ribot, considerado por muitos como um dos melhores guitarristas da actualidade, apresentou-se no Festival Músicas do Mundo com o seu projecto mais conhecido, Marc Ribot Y Los Cubanos Postizos, e que foi criado em 1998.
Com bastantes influências da música anglo-saxónica, fundida com ritmos cubano em alguns momentos, o resultado final acaba por ser muito interessante, se bem que em algumas partes se torne monótono, mas essa monotonia acaba por surgir de forma natural, devido ao contagiante ritmo da música cubana, pois quando há uma alteração do estilo cubano para o estilo anglo-saxónico surge uma quebra de ritmo, ou um ritmo menos apelativo ao movimento dos corpos.
Marc Ribot Y Los Cubanos Postizos, são um projecto que vale a pena descobrir e que é formado por:

Marc Ribot - Guitarra e voz
Anthony Coleman - Piano
Brad Jones - Baixo
Ej Rodriguez - Bateria e percussões
Horácio "El Negro" Hernandes - Percussões

07/08/12

Ao vivo... Lizz Wright e Raul Midón

Data - 19 de Julho de 2012
Local - Jardim Marquês de Pombal - Oeiras
Notas - Devido à quantidade de espectáculos que as empresas organizadoras agendam durante este período de verão, não foi de estranhar o aspecto desolador do bonito recinto do Jardim Marquês de Pombal, em Oeiras.
Numa noite de verão, mas fria, era pouco o público presente para a recepção a Lizz Wright e Raul Midón.
Na primeira parte do concerto, esteve presente a portuguesa Elisa Rodrigues que, aos 25 anos e no ano em que lança o seu álbum de estreia "Heart Mouth Dialogues", é já considerada uma das grandes revelações, do panorama musical português, no campo do Jazz. Elisa Rodrigues não desiludiu e demonstrou boas qualidades vocais, não se inibindo perante uma plateia quase deserta, o que revelou alguma maturidade e segurança, num concerto curto mas agradável.
Lizz Wright e Raul Midón proporcionaram um bom concerto.
A excelente voz de Lizz Wright, que não está presa ao jazz tradicional e vagueia ligeiramente por vários estilos musicais do seu país, desde o Gospel tradicional ao Soul, cria uma "fusão" de estilos extremamente interessante, à qual se juntou o virtuosismo de Raul Midón na viola, com a sua forma de tocar que também foge ao Jazz tradicional dando à música um toque peculiar, no qual são evidentes as influências das raízes do músico que se repartem pela argentina e pelos ambientes afro-americanos. Estes dois estilos de cantar e tocar e estas duas maneiras de interpretar a música, conjugam-se na perfeição, proporcionando bons momentos a quem os ouve.

06/08/12

Ao vivo... Sunny Murray Trio

Data - 03 de Agosto de 2012
Local - Anfi-Teatro da Fundação Calouste Gulbenkian
Notas - Apesar do seu inegável talento como baterista de Jazz, e com uma forma muito peculiar de tocar, Sunny Murray - acompanhado por John Edwards no contrabaixo e Tony Bevan no saxofone tenor - não conseguiu empolgar nem entusiasmar - quase que é possível dizer minimamente - o público que praticamente  encheu o idílico espaço da Fundação Calouste Gulbenkian.
Um palco com um conjunto de luzes sóbrias que, projectadas nas árvores, proporcionavam um cenário lindíssimo, sendo talvez isso o melhor da noite.
O grupo esteve em palco perto de uma hora, fazendo um intervalo ao fim de vinte minutos, o que ainda quebrou mais o ambiente vivido, que já não era bom.
Esta pausa fez com que uma parte do público abandonasse o espaço nessa altura.

03/08/12

Ao vivo... Oumou Sangaré e Béla Fleck

Data - 20 de Julho de 2012
Local - Castelo de Sines
Notas - Não é possível negar alguma expectativa quanto ao resultado final da colaboração de Béla Fleck, considerado o melhor banjoísta da actualidade, com a excelente voz da cantora do Mali, Oumou Sangaré.
Ha cerca de sete anos, Béla Fleck deslocou-se a África, continente de onde é oriundo o banjo, e de imediato se apaixonou, não só pelo continente, como também pela música africana, e é na sequência dessa paixão que surge este projecto, com uma das melhores cantoras do continente e com quem gravou o disco "Throw Down Your Heart, Africa Sessions, Part. 2" que venceu o Grammy para o melhor trabalho de World Music, no ano de 2011, e que foi, também, o 14º Grammy para Béla Fleck.
Como defensora acérrima dos direitos das mulheres e de grande intervenção política, Oumou Sangaré, não deixou de fazer uma breve referência ao que se tem passado ultimamente no seu país, Mali.
Musicalmente falando, foi um concerto muito bom, com músicos de grande nível, que proporcionaram bons momentos e com grande animação.

Formação:

Oumou Sangaré - Voz
Béla Fleck - Banjo
Will Calhoun - Bateria e percussões
"Benogo" Diakite - Kamele N'Goni
Alioune Wade - Baixo
Dandjo Sidibe - Coros

02/08/12

Ao vivo... Dead Combo

Data - 21 de Julho de 2012
Local - Castelo de Sines
Notas - Os portugueses Dead Combo passaram pelo Festival Músicas do Mundo para a abertura do segundo dia do primeiro fim-de-semana, proporcionando um bom concerto. Se momentos há em que a música do grupo aborrece um pouco, noutros momentos consegue empolgar, criando um misto de quase sonolência com excitação e empolgamento.
Neste concerto, o grupo contou com a colaboração daquele que é considerado por muita gente um dos melhores guitarristas da actualidade, Marc Ribot, e ainda com o português Alexandre Frazão na bateria, e foi nessa altura que a música do grupo soou melhor, pois ganhou mais ritmo e foi visível o prazer dos músicos em palco.

Ao vivo... Coldplay

Data - 02 de Junho de 2012
Local - London Emirates Stadium
Notas - Depois de ter assistido ao concerto dos Coldplay no Estádio do Dragão no Porto, é inevitável a comparação (ou falta dela) entre este concerto e o do Dragão.
Com um alinhamento igual, da primeira à última música, e com uma máquina a funcionar perfeitamente, o grupo que se formou em 1998 em Londres não surpreendeu nem desiludiu, se bem que fosse bastante visível no semblante dos músicos, o facto de estarem a tocar na sua cidade perante um estádio com a imponência do London Emirates Stadium completamente esgotado, e nem a habitual chuva de Londres arrefeceu os ânimos, quer dos músicos quer do público.
Relativamente à actuação de Rita Ora, que apresentou alguns temas do seu primeiro disco, "Ora", apesar de não ter deslumbrado, também não desiludiu, cumprindo o seu papel sem conseguir empolgar o público.
O mesmo aconteceu com Robyn, já mais experiente, mas que também não conseguiu agarrar o público. Interpretou dez temas de alguns dos seus discos já editados e algumas covers, entre as quais "Every Teardrop is a Waterfall", dos Coldplay.

30/07/12

Ao vivo... Spain

Data - 19 de Maio de 2012
Local - Hard Club, Porto
Notas - Excelente concerto da banda liderada por Josh Haden, formada em 1993 e que regressou aos discos e aos palcos, após um intervalo superior a dez anos. Banda de culto nos anos 90, editou agora "The Soul Of Spain" e foi esse disco que serviu de suporte a este espectáculo, apesar de não terem ficado de fora  os temas mais antigos e que ocuparam a primeira parte do concerto.
Na segunda parte, o grupo tocou, principalmente, temas do novo disco, um trabalho brilhante, num concerto intimista e que deliciou o público que, infelizmente, não conseguiu encher a magnífica sala do renovado Hard Club, que se mudou para a cidade do Porto, instalando-se no antigo mercado Ferreira Borges, na Ribeira.

Ao vivo... Avô Cantigas

Data - 12 de Maio de 2012
Local - Teatro Tivoli
Notas - Espectáculo de alguém que entretém os mais jovens e que passa de geração em geração.

26/07/12

Ao vivo... Frigg

Data - 20 de Julho de 2012
Local - Castelo de Sines
Notas - Oriundos da Finlândia, os Frigg apresentaram-se em Sines para uma dança colectiva, com o seu folk a fazer lembar "Bluegrass" e que o próprio grupo auto-denomina como "Nordgrass". Com uma música assente em violinos, violas e contrabaixo e uma boa disposição em cima do palco, foi com imensa facilidade que o grupo conseguiu transmitir para a plateia um ambiente de festa.
Logo aos primeiros acordes do grupo, uma onda de alegria propagou-se pela assistência que quase enchia o recinto e criou-se um ambiente de grande festa, no entanto, ao fim de algum tempo a música dos Frigg torna-se algo repetitiva, mas nem isso fez com que a alegria fosse quebrada, e este septeto que já tem uma longa carreira com seis discos editados, proporcionou um concerto muito agradável.

Formação:

Alina Jarvela - Violino
Tero Hyvaluoma - Violino
Tommi Asplund - Violino
Antti Jarvela - Contrabaixo
Thomas Logren - Guitarra
Petri Prauda - Bandolim, Cistre e Gaitas

Ao vivo... L'Enfance Rouge com Lofti Bouchnak

Data - 20 de Julho de 2012
Local - Castelo de Sines
Notas - O projecto L'Enfance Rouge que inclui elementos franceses e italianos e que desenvolve um estilo musical muito próximo do rock progressivo, apresentou-se nesta edição do Festival Músicas do Mundo com o tunisino Lofti Bouchnak, considerado um dos melhores intérpretes da canção árabe.
Se os L'Enfance Rouge eram repetentes no festival, já Lofti Bouchnak fazia a sua estreia, e a expectativa em ver como é que ia resultar esta fusão de dois estilos tão diferentes, aparentemente incompatíveis, era imensa, e, para surpresa de todos, apesar de algumas sonoridades mais estranhas às quais se aliava a postura dos músicos em palco, resultou plenamente.
O contraste de uma postura repleta de energia por parte dos elementos dos L'Enfance Rouge, com a postura mais sóbria e discreta dos músicos de Bouchnak e ainda com o seu fantástico dançar gestual, criaram um ambiente que enfeitiçou o público, fazendo com que o mesmo ficasse perplexo a olhar para o palco e que, no final do concerto, fosse visível nos rostos dos espectadores um enorme ar de satisfação.
Um espectáculo de de grande nível.
O grupo era composto por:

Lotfi Bouchnak - Voz
François R. Cambuzat - Guitarra e voz
Chiara Locardi - Baixo e voz
Jacopo Andreini - Bateria
Addelhakim Kayed - Alaúde (oud)
Abdelmajid Ben Adfallah - Violino
Ahme d Chaibi - Qânun

25/07/12

Ao vivo... Al-Madar

Data - 20 de Julho de 2012
Local - Castelo de Sines
Notas - Liderado pelo libanês Bassam Saba, o projecto Al-Madar da New York Arabic Orchestra, pretende estabelecer através de sonoridades e ambiências musicais, uma circunferência (significado de Al-Madar) entre a música árabe e toda uma panóplia de sons originários de uma grande e cosmopolita cidade como New York.
Acompanhado pelo ensemble Al-Madar, composto por quatro músicos oriundos da orquestra, Bassam Saba apresentou-se nesta edição do Festival Músicas do Mundo em Sines para nos apresentar temas do álbum editado em 2010, "Wonderful Land".
A fusão da música de raiz árabe de tradições milenares, com a música anglo-saxónica de cariz mais moderno, resulta de forma brilhante e consegue cativar o público, apesar de em alguns momentos parecer algo muito estranho, mas esse é um dos fascínios da chamada "World Music", principalmente quando entra pelo campo da fusão de vários estilos musicais.
A formação que tocou em Sines, foi:

Bassam Saba - Alaúde (oud), Nay, Saz, Flauta Ocidental e Violino
April Centrone - Bateria e Percussões
Timba Harris - Violino e Trompete
Gyan Riley - Guitarras
Brian Holtz - Baixo

07/06/12

Ao vivo... Coldplay

Data - 18 de Maio de 2012
Local - Estádio do Dragão
Notas - Artigo já publicado neste blog.

05/06/12

Ao vivo... Festival Rock in Rio

Data - 03 de Junho de 2012
Local - Parque da Bela Vista
Notas - Ultimo dia da 5ª edição do Festival Rock in Rio por terras lusas, e para o encerrar, nada melhor que um Boss, uma lenda viva da história do música: Bruce Springsteen, que regressa a Portugal dezanove anos depois do único concerto que deu por cá, no dia 01 de Maio de 1993, Estádio de Alvalade.
Para este dia de encerramento eram esperadas cerca de 80000 pessoas, mas à hora que os Kaiser Chiefs subiram ao palco principal estariam pouco mais de 30000 nessa zona, pois muitos aproveitaram os primeiros momentos do dia para vaguear um pouco pela auto-denominada cidade do rock, para estarem nas filhas dos sofás insufláveis, para fazerem cortes de cabelo idiotas, para esperarem horas nas filas dos carrosséis e desse modo matarem saudades da feira popular, e ainda para andarem pelo recinto em busca de lembranças que, quando da próxima arrumação de gavetas em casa, têm o seu destino traçado: o caixote do lixo ou, se seguirem os princípios ecológicos, para reciclagem.
Mas, vamos ao que interessa: a música e, pelo menos neste aspecto o dia prometia, com uns divertidos Kaiser Chiefs a abrir, ao quais se seguiam os James, uma banda que não sabe dar maus concertos, para depois entrarem em palco os Xutos e Pontapés, o tal grupo de quem se pode afirmar que "há mais pessoas em Portugal que nunca viram o mar, do que pessoas que nunca viram os Xutos",  e, a seguir, um senhor que do "alto" dos seus 62 anos, continua a ser um fenómeno de força, garra e entrega: Bruce Springsteen.
No que diz respeito aos Kaiser Chiefs, o grupo britânico formado em 2003 e liderado pelo imprevisível Ricky Wilson, conseguiu empolgar a plateia, mais pela presença em palco de Ricky do que pela música que o grupo tocou de forma enérgica e cheia de garra, só que continua muito preso, quase refém, do primeiro disco, "Employment" de 2003, e a prova disso foi que as músicas mais empolgantes e que conseguiram levar ao rubro os espectadores, foram "I Predict a Riot", "Oh My God" ou "Everyday I Love You Less and Less", por exemplo. Apesar de alguma indiferença do público perante temas dos outros discos já editados, a energia de Ricky Wilson torna-se contagiante e, graças a isso, o grupo oriundo de Leeds deu um bom concerto.
Após um curto intervalo, eis que sobe ao palco uma banda que desperta em muita gente uma imensa curiosidade, por um simples facto: os James não sabem dar maus concertos. É impressionante como  conseguem superar a adversidade de estarem perante um mar de gente que não está lá especificamente para os ver, e conseguem dar um concerto fabuloso, perfeito, com o fascinante e inebriante estilo de dança de Tim Booth, a sua extraordinária voz, a presença em palco sem grandes espalhafatos e correrias como o grupo anterior, mas uma presença enérgica e sedutora, que consegue fazer esquecer o motivo que levou os cerca de 80000 espectadores à Bela Vista e faz com que participem, cantem e saltem como se não houvesse mais ninguém a seguir, até que, passado pouco mais de uma hora, os James despedem-se e abandonam o palco, fazendo com que acordemos de um quase sonho e eis-nos de volta à realidade, e essa realidade é o concerto que se segue, os Xutos e Pontapés.
Confesso não perceber a razão que levou a organização a colocar os Xutos e Pontapés a seguir aos James. Não quero com isto afirmar que Tim, Zé Pedro, Cabeleira e Kalu não mereçam, mas acho que seria muito mais justo os James tocarem a seguir aos Xutos, um grupo que já há imenso tempo não acrescenta nada de novo aos seus concertos. São as mesmas músicas, os mesmos gestos, o mesmo visual, a mesma postura em palco. Ao fim e ao cabo é mais do mesmo, mas acaba por resultar, pois como as canções são sempre as mesmas, as pessoas já sabem as letras de cor, o que, se por um lado é positivo pois cria entusiasmo, por outro lado não deixa de dar a entender alguma falta de criatividade dos músicos no sentido de produzirem canções novas que façam esquecer as antigas. A regra tem funcionado, e em equipa que ganha não se mexe, mas acaba por aborrecer.
Depois do concerto dos Xutos e Pontapés, e após um intervalo maior do que o normal, eis que entra em palco alguém de quem  o jornalista John Landau disse, em Maio de 1974, "Eu vi o futuro do rock n' Roll e o seu nome é Bruce Springsteen. Numa noite em que precisei de me sentir jovem, ele fez com que me sentisse como se estivesse a ouvir música pela primeira vez".
Esta frase, dita numa crítica a um concerto de Bruce Springsteen por alguém que mal o conhecia e que mais tarde se tornou seu empresário, diz tudo sobre este grande músico.
Bruce Springsteen em palco é arrasador e não precisa de confetes, de grandes jogos de luzes, de fogo de artifício, nem nenhum tipo de adereços para proporcionar um excelente concerto de rock puro, e passados praticamente 40 anos desde a edição do seu primeiro disco, "Greetings From Asbury Park, N. J.", a sua música continua  a funcionar e a passar de geração em geração, e um dos maiores exemplos disso é "Because The Night", tema deste primeiro disco e que continua a empolgar quem o ouve, o que, aliás, é uma característica da música de Springsteen, pois fica a ideia que os seus concertos vão muito para além da música e tornam-se uma espécie de celebração onde toda a gente é feliz, quase criando a ideia que estamos no mundo ideal. A felicidade dos músicos em palco, a entrega e a energia que libertam são contagiantes e, coincidência ou talvez não, é engraçado apreciar os raios de felicidade espelhados na cara das pessoas que, como Landau referiu na altura estão a ali como se estivessem a ouvir música pela primeira vez, só que desta vez sabem as letras e cantam, gritam e saltam até à exaustão.
Atrevo-me a afirmar que este concerto que durou duas horas e vinte minutos, arrisca-se a ser considerado o melhor concerto do ano de 2012, em Portugal.
Para finalizar formalizo um desejo: que Bruce Springsteen não demore tanto tempo a regressar a Portugal e que venha em breve.

01/06/12

Ao vivo... Festival Rock in Rio

Data - 26 de Maio de 2012
Local - Parque da Bela Vista
Notas - Depois de no primeiro dia o número de espectadores ter rondado os 42000, não posso deixar de manifestar alguma surpresa pela afluência deste segundo dia em que superada a barreira dos 80000 espectadores, e maior surpresa ainda (ou talvez não), foi o facto de a maior parte desses espectadores ter debandado assim que acabou o concerto dos Linkin Park, deixando o imenso Parque da Bela Vista com um aspecto desolador para o grupo que encerrava o dia, os Smashing Pumpkins.
O primeiro grupo a subir ao palco foram os americanos Limp Biskit, que deram um concerto extremamente fraco e a demonstrarem que o seu estilo musical está algo decadente. Não deixa de ser relevante que num alinhamento de dez músicas, seis delas tenham saído do mesmo disco "Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water" de 2000 e que foi o disco de maior sucesso de um grupo que já tem oito discos editados, e mais relevante ainda é o facto de terem tocado somente o tema "Bring It Back", de "Gold Cobra", ultimo disco editado pelo grupo, em 2011. Outra coisa que também ajudou a que o concerto fosse fraco e sem ritmo, não conseguindo agarrar o público, foram os intervalos entre as canções que em alguns casos eram extremamente longos.
Para contrastar com o concerto morno dos Limp Biskit, os também norte-americanos Offspring entraram em palco com um ritmo muito interessante, com o seu punk-pop, e apresentaram o alinhamento tipico de festivais, o tal jeito Best Of, que percorreu alguns discos da já longa carreira deste grupo que se formou em 1985 e que vai lançar no próximo mês o álbum "Days Go By", do qual  foi possível ouvir o tema que dá nome ao disco e que pareceu ser interessante. No entanto, a música do grupo torna-se repetitiva, e mesmo com um início muito bom em termos de concerto, chega-se a uma determinada altura em que aborrece. Foram dezasseis temas que percorreram a discografia do grupo, como por exemplo, os álbuns "Smash" de 1994, "Americana" de 1998 e "Splinter" de 2003, entre outros. Com um som de grande nível e uma boa presença em palco, o grupo liderado pelo carismático Dexter Holland, podia ter dado um excelente concerto, mas acabou por dar um bom concerto.
Depois do aborrecido concerto que abriu o palco principal e do que se lhe seguiu, a expectativa para o Linkin Park era enorme. Surpreendentemente, os Linkin Park acabaram por proporcionar o melhor concerto do dia para uma multidão que, ao contrário do que muita gente pensava, estava lá para os ver, para poder apreciar a forma brilhante como o grupo de Los Angeles concilia o cantor Chester Bennington com o rapper Mike Shinoda em excelentes duetos, aliados a uma panóplia de efeitos sonoros produzidos pelo DJ Joe Hahn e a um bom ritmo por parte do baterista Rob Bourdon, e ainda pela sonoridade Metal de Brad Delson. O estilo Nu-Metal do grupo ainda funciona, apesar de alguma crítica afirmar que é um estilo musical ultrapassado.
Os Linkin Park provaram o contrário e, mesmo no tema novo que tocaram, "Burn It Down", do álbum "Living Things" a editar brevemente, conseguiram agarrar o público da mesma forma como o agarraram durante toda a noite, através de um alinhamento bem escolhido de modo a que não existissem momentos fracos ou monótonos que pudessem quebrar o ritmo do espectáculo e o entusiasmo do público, que não se cansou de aplaudir e cantar alguns temas (impressionante no medley "Loatr / Sotd / Iridescent), chegando ao ponto de, apesar da excelência do som, a voz dos músicos mal se ouvir, não por estar baixa ou fraca, mas sim porque o entusiasmo era muito grande, para aquele que acabou por ser o melhor concerto do dia e, seguramente, um dos melhores da edição deste ano do Rock in Rio.
Como já foi referido, após o concerto dos Linkin Park assistiu-se a uma debandada de mais de metade dos espectadores, muitos dos quais assumiam não conhecer nenhuma música de um grupo que obteve grande sucesso nos anos 90, e que desde a sua formação no ano de 1987 em Chicago, é liderado por Billy Corgan, tendo passado por Portugal no passado mês de Dezembro, no Campo Pequeno. Estabelecendo uma comparação entre estes dois concertos, se no alinhamento do Campo Pequeno alguns dos grandes êxitos do grupo ficaram de fora, como por exemplo "Today", "Ava Adore" ou "1979", já neste no Parque da Bela Vista, o alinhamento percorreu esses hits, para além de alguns temas novos do próximo "Oceania", a editar em breve.
Apesar do alinhamento apresentardo ser bom, o concerto desiludiu, pois Billy Corgan excedeu-se nos solos de guitarra que eram demasiado longos para poderem entusiasmar uma plateia que, se por um lado mal conhecia a obra do grupo, por outro lado mostrou não ser grande apreciadora de devaneios musicais, e nesses momentos demonstrava um enorme desinteresse pelo que se estava  passar em palco. Para além disto tudo, o som esteve mau, com falhas de voz e, talvez pelo vento que de vez em quando se fazia sentir, a música ficava como que vazia, pois deixavam de ser audíveis certos intrumentos em algumas partes. Resumidamente foi um mau concerto por parte dos Smashing Pumpkins de Billy Corgan, e atrevo-me a afirmar que foi o pior concerto deste primeiro fim-de-semana de Rock in Rio 2012.

30/05/12

Ao vivo... Festival Rock in Rio

Data - 25 de Maio de 2012
Local - Parque da Bela Vista
Notas - O primeiro dia do Festival Rock in Rio 2012 foi, ao contrário do habitual, dedicado aos sons mais pesados, no que ao palco principal diz respeito, tendo passado por lá os Sepultura com os Tambours du Bronx, Mastodon, Evanescence e Metallica.
O primeiro concerto neste palco aconteceu ainda o sol brilhava, às 19 horas, com os Sepultura a entrarem em palco acompanhados pelo colectivo francês "Les Tambours du Bronx", grupo formado nos anos 80, inicialmente composto por 18 membros cuja música assenta numa experiência de percussões de cariz muito urbano, com uma sonoridade agressiva mas bem elaborada. Este tipo de som, estranho mas ritmado, acabou por funcionar muito bem com o Death Metal / Trash Metal dos Sepultura, acabando por ter um efeito apaziguador na agressiva música do grupo que se formou no Brasil em 1984 e que desde então tem mantido uma carreira regular e tem passado diversas vezes por Portugal, sempre com bons concertos, e este não foi excepção.
Depois do bom espectáculo proporcionado pelos Sepultura e os Tambours du Bronx, é chegada a vez dos Mastodon tocarem para os cerca de 43000 espectadores que foram ao primeiro dia desta edição do Rock in Rio.
Não fosse pelo facto de o concerto ter sido demasiado curto (cerca de 45 minutos) o grupo que se formou em Atlanta no ano de 1999, teria dado o melhor concerto do dia. Com um som de grande nível, aliado à já famosa e primorosa execução musical dos membros do grupo - Troy Sanders (baixo e voz), Brent Hinds (guitarra e voz), Brann Dailor (bateria) e Bill Kelliher (guitarra) - os Mastodon mostraram o porquê de serem considerados uma das melhores bandas dentro do seu estilo musical, estilo esse que vagueia por um heavy metal com pequenos pormenores de rock progressivo e post-hardcore, e a música do grupo funciona tão bem ao vivo como em disco e, ao contrário do que se possa pensar,  nos temas longos que a banda costuma tocar, a qualidade musical dos músicos é de tal nível que nem se dá pelo tempo a passar, fica-se, isso sim, deliciado com essa execução.
O facto de ainda estarmos a digerir a excelente actuação dos Mastodon e a estagnação criativa por parte da banda liderada por Amy Lee, fez com que o concerto dos Evanescence fosse (na minha opinião) o mais fraco do dia.
Com o estilo musical característico deste grupo que se formou no Arkansas em 1995, a música dos Evanescence acaba por ser "mais do mesmo". Apesar de o alinhamento escolhido ser em jeito de Best Of percorrendo toda a carreira do grupo, desde o primeiro disco "Origin" de 2000 até ao mais recente "Evanescence" de 2011, o concerto foi fraco e monótono. Se em termos de sonoridade musical a nível instrumental o grupo esteve em bom nível, com os temas bem tocados e com força, já a nível vocal Amy Lee mostrou algumas debilidades, chegando a desafinar em algumas partes e demonstrando alguma falta de garra. Para além de não deslumbrarem, também não se pode afirmar, sequer, que tenham cumprido e fica a ideia que o grupo chegou a uma encruzilhada da qual dificilmente conseguirá sair, com um estilo musical "Has Been", ultrapassado, e refém de meia dúzia de hits, mas que não são suficientes para que o grupo consiga manter a chama e o sucesso que obteve no início da carreira, principalmente com "Fallen" em 2003.
E eis que para suceder ao concerto fraco dos Evanescence, é chegada a hora dos Metallica subirem ao palco. Clientes habituais de terras lusas, James Hatfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo têm uma legião de fans impressionante que neste dia não hesitou em vestir de negro o Parque da Bela Vista, para poderem assistir ao concerto de uma das maiores bandas de Metal ao vivo, ainda por cima com a aliciante de nesta digressão o grupo que se estreou com "Kill 'Em All" em 1983, tocar na íntegra o homónimo "Metallica" de 1991, mais conhecido como "Black Album", não faltando ainda temas como  "Master of Puppets" de 1986 ou "Seek & Destroy" de Kill 'Em All, num bom alinhamento, que pecou apenas pelo facto de "Metallica" não ter sido tocado pela ordem, sendo que houve uma primeira parte com hits passados do grupo, depois tocaram o "Black Album" na íntegra, e para o final mais alguns hits. Já que o alinhamento dos temas que fazem parte desse disco foi, propositadamente, separado dos outros com um pequeno interlúdio, teria feito todo o sentido que eles fossem tocados pela ordem em que aparecem no disco, o que não aconteceu.
No entanto, isto não fez com que o concerto não fosse bom; foi, foi muito bom. Só que já houve melhores e o próprio grupo interagiu com o público menos do que é costume, o que foi pena, mas a sonoridade, a postura do grupo ao vivo e a entrega dos músicos em palco, continuam a ser brilhantes e talvez seja por isso que costumo dizer que toda a gente devia, pelo menos uma vez na vida, assistir a um concerto dos Metallica.
Foi o meu oitavo.

23/05/12

Ao vivo... Bruce Springsteen

Data - 13 de Maio de 2012
Local - Estádio Olímpico de Sevilha
Notas - Apesar de Bruce Springsteen regressar a Portugal este ano de 2012 para o Festival Rock in Rio - desta vez com a sua E Street Band, ao contrário do que aconteceu quando da sua passagem pelo Estádio de Alvalade em 1993 -  nada como assistir a um concerto do "Boss" em nome próprio, acompanhado pela sua mítica banda, infelizmente sem o lendário saxofonista, Clarence Clemons, The Big Man, falecido no dia 18 de Junho de 2011. Vi Clarence Clemons tocar nos concertos de Bruce Springsteen em Madrid (07.06.1999) e Valladolid (01.08.2009), e jamais esquecerei a entrada do músico em palco, com todo o seu porte, estilo e carisma, que faziam com que fosse tão aplaudido como o próprio Bruce. Por norma, Clemons era o último a entrar em palco, como se nos concertos de Springsteen, ele fosse a cereja no topo do bolo. E era.
Nesta Wrecking Ball Tour, Springsteen faz-se acompanhar pelos suspeitos do costume, a sua E Street Band, com os "residentes" Stevie Van Zandt, Nils Lofgren, Roy Bittan, Max Weinberg, Garry Tallent e Patti Scialfa (ausente neste concerto), à qual junta Soozie Tyrell, Charles Giordano e Jake Clemons (filho de Clarence) no saxofone, como que a querer manter o espírito de Clemons dentro do grupo.
O alinhamento escolhido acabou por surpreender, com a inclusão de alguns temas, como por exemplo "The Ties That Bind", "Darlington County" ou "Out in The Street", nos quais se destacam o saxofone, ficando desde logo a ideia que esta digressão acaba por funcionar como uma espécie de homenagem a um músico que acompanhou Bruce Springsteen durante toda a sua carreira, uma homenagem mais do que justificada.
Logo a abrir o concerto, Springsteen começa com "Badlands", pondo ao rubro uma plateia que, apesar de estar sob uma temperatura de 35 gruas não se conteve, e ainda teve forças para vibrar e saltar de alegria,  alegria essa que permaneceu durante toda a noite e que acabou por passar para  palco, ou terá sido a alegria do palco que passou para a plateia?
Não deixou de ser impressionante toda a energia que, não só Bruce Springsteen mas todo o grupo, demonstram quando estão em palco, com momentos em que agem como crianças, em que brincam uns com os outros, ora atirando água com as esponjas de se refrescarem, ora pura e simplesmente rindo, como miúdos no meio de uma grande diversão.
E este concerto foi isso, e muito mais. Seguramente marcante para toda a gente presente foi quando na introdução a "My City Of Ruins", Springsteen diz:
"So Who is The "Minister of Soul" and the "Secretary Of The Brotherhood?"
"Do I have to say his name?"
Não foi necessário, pois os cerca de 40000 espectadores começaram a chamar em uníssono, Clarence Clemons, num momento simultaneamente impressionante e arrepiante, para que ele os pudesse ouvir, onde quer que esteja, no reino do arco-íris.
Foram, como já foi referido, quase três horas de magia, com um Bruce Springsteen extremamente simpático e brincalhão, divertido e a interagir imenso com o público, a ir buscar uma menina à plateia para cantar em dueto "Darlington County", ou a ir buscar outra para, por breves momentos, fazer o papel que Courteney Cox fez no vídeo de "Dancing in The Dark".
Foram, ao todo, 27 músicas.
Foi, também, uma actuação memorável de um músico com 62 anos (23.09.1949), mas que continua a estar em palco como se tivesse 20.
Brilhante.

09/05/12

Ao vivo... Nate Young

Data - 13 de Abril de 2012
Local - Galeria Zé dos Bois
Notas - Nate Young, um dos membros dos Wolf Eyes, deu um concerto para cerca de 50 pessoas no "aquário", desta vez com cadeiras, da Galeria Zé dos Bois.
Com o seu estilo musical muito próprio, com sons e ruídos produzidos principalmente através de osciladores, Young tocou apenas dois temas com cerca de 30 minutos cada um, que foi o suficiente para que o público abandonasse  com ar de satisfação, a excelente sala situada no Bairro Alto. Apesar de não ser uma música com características intimistas, o concerto acabou por o ser, muito por força da lotação da sala estar, propositadamente, reduzida. Uma música, de certo modo estranha, mas que desperta grande curiosidade na forma como é tocada e pelos sons que produz.
Quanto aos Tropa Macaca, que tocaram na primeira parte, este duo português cuja música assenta numa guitarra e também nos osciladores, parecia estar ausente e o espectáculo não funcionou. Demasiado fechados no seu mundo, um pouco por causa da sonoridade do grupo, o concerto acabou por ser isso mesmo, ou seja, dava a sensação de estarem em palco dois músicos a tocar para si com alguém a assistir. Se Young conseguiu, de certa forma e à sua própria maneira, interagir com o público, já este duo deixou um pouco a desejar.

02/05/12

Ao vivo... Il Divo

Data - 28 de Abril de 2012
Local - Pavilhão Atlântico
Notas - Comentário já publicado neste blog.