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26/10/11

Tom Waits - Bad As Me

Apesar de já andar nisto há cerca de 40 anos e de contar com mais de 20 discos de originais editados, sempre que se suspeita estar para breve a edição de um novo disco de Tom Waits, a expectativa é imensa.
Desde o dia em que se começou a levantar a ponta do véu sobre "Bad As Me", até à sua edição, a curiosidade de o ouvir (para não dizer devorar) foi crescendo e, finalmente, é agora possível apreciar o mais recente trabalho deste génio nascido em 07 de Dezembro de 1949.
"Bad As Me" surge sete anos após o último trabalho de originais, "Real Gone" e, ao terminar uma primeira audição do disco, a reacção é imediata e espontânea: estamos perante um Tom Waits ao seu melhor nível. Quarenta anos volvidos, a sua música continua a ser de grande qualidade e inconfundível, como acontece logo com o tema de abertura "Chicago", e que nos leva a pensar que Tom Waits regressa a uma base musical de Blues, apesar da aparente anarquia que é a sua música, anarquia essa que continua em "Raised Right Men", tema em que se sente o respirar do Blues ouvido nos bares norte-americanos, aqueles bares que nos acostumámos a ver nos filmes, onde a música soa de forma suave, com um leve toque de Jazz, em versão Cabaret.
A primeira grande surpresa do disco, surge logo à terceira música, "Talking At The Same Time", uma balada bonita em que Tom Waits aparece com uma voz extremamente melódica e suave, uma voz muito diferente daquela com que o identificamos, uma voz que torna esta música uma das mais belas deste disco, um disco onde a anarquia musical de Waits alterna frequentemente com baladas deliciosas, algumas quase com espírito natalício.
Se ao ouvirmos temas como "Chicago", "Raised Right Men", "Get Lost", "Bad As Me", "Satisfied" e "Hell Broke Luce", deparamos com o Tom Waits do costume na já referida anarquia musical muita vez apelidada de esquisita, se bem que desta vez numa base rítmica Blues, em temas como "Talking At The Same Time", "Face To The Highway", "Play Me", "Back In The Crowd", "Kiss Me", "Last Leaf", "New Year's Eye", somos transportados de uma forma suave e inebriante para os bares e para as paisagens norte-americanas, para aquelas viagens que fazem parte do nosso imaginário.
A voz de Tom Waits, mesmo a mais "agressiva", consegue irradiar ternura e, ao fazê-lo, torna-se bela e mágica.

01 - Chicago
02 - Raised Right Men
03 - Talking At The Same Time
04 - Get Lost
05 - Face To The Highway
06 - Pay Me
07 - Back In The Crowd
08 - Bad As Me
09 - Kiss me
10 - Satisfied
11 - Last Leaf (dueto com Keith Richards)
12 - Hell Broke Luce
13 - New Year's Eye

Nota - 9/10

11/08/11

Peter Murphy - Ninth

Sete anos após a edição do seu último disco "Unshaterred", Peter Murphy regressa com este "Ninth".
Apresentando uma sonoridade ligeiramente diferente, "Ninth" é composto por onze temas que Peter Murphy tem tocado nos seus espectáculos, e isso nota-se, com uma música mais densa e com um sobressair de guitarras a que não estávamos habituados nos mais recentes trabalhos do músico.
"Ninth" é um trabalho de estúdio mas com pormenores de disco ao vivo, funcionando não como algo que se possa dizer fechado, mas sim solto, em que os músicos não parecem estar amarrados a algo pré-definido, pois o ambiente dos espectáculos ao vivo é recriado perfeitamente.
Se é possível afirmar que existe uma ausência de temas com melodias sedutoras, como por exemplo "Subway" ou "Cuts You Up", que têm uma sonoridade inebriante, já a voz de Peter Murphy continua excelente, desta vez abrilhantada por uma estrutura musical diferente e que acaba por aproximar Murphy do movimento gótico, fazendo jus à fama de que ele e os seus "Bauhaus" são os pais desse movimento.
Lembro-me de há uns anos ter assistido a um concerto de Peter Murphy no Festival do Sudoeste, e a entrada do músico em palco, por coincidência, foi acompanhada por um nevoeiro cerrado que cobriu parte da Herdade da Casa Branca. O seu corpo esguio, aliado à sua característica voz e ao ambiente criado pelo nevoeiro, deram origem a um dos melhores momentos musicais e cénicos de que lembro.
A música deste "Ninth" é isso tudo, escura e melodiosa, densa e sedutora, mística e forte, que proporcionará, seguramente, grandes espectáculos ao vivo.
Um excelente disco que termina com uma canção do melhor que Murphy fez até hoje, "Crème de la Crème".

01 - Velocity bird
02 - Seesaw Sway
03 - Peace To Each
04 - I Spit Roses
05 - Never Fall Out
06 - Memory Go
07 - The Prince & Old Lady Shade
08 - Uneven & Brittle
09 - Slowdown
10 - Secret Silk Society
11 - Crème de La Crème

Nota - 8.5/10

10/08/11

Bonde Redhead - Penny Sparkle

A sonoridade, o experimentalismo e a melodiosa voz de Kazu Makino em alguns temas, fazem com que os Blonde Redhead sejam, muitas vezes, comparados aos Sonic Youth, se bem que a a música deste grupo não tenha tanto experimentalismo, nem brilhantismo, como a dos Sonic Youth.
Os japoneses Kazu Makino (guitarra e voz) e Maki Takahashi (baixo), juntaram-se aos italianos Simone (bateria) and Amedeo Pace (guitarra e voz) para formarem o grupo em 1993, lançando o primeiro disco, "Blonde Redhead", em 1995 e com produção de Steve Shelley, baterista dos Sonic Youth, o que talvez tenha influenciado a sonoridade da banda. Algum tempo após a edição deste trabalho, Takahashi abandona o grupo, continuam o mesmo como trio, o que acontece até aos dias de hoje.
Pelo caminho, editaram regularmente vários discos, mantendo um nível bastante equilibrado e sem altos e baixos. Chegam a Paredes de Coura com este "Penny Sparkle", um disco com o espírito dos Sonic Youth, simultaneamente melodioso e experimental, mas que garante a ausência de qualquer devaneio mais tresloucado, sendo expectável um concerto fabuloso.

01 - Here Sometimes
02 - Not Getting There
03 - Will There Be Stars
04 - My Plants Are Dead
05 - Love or Prison
06 - Oslo
07 - Penny Sparkle
08 - Everything Is Wrong
09 - Black Guitar
10 - Spain

Nota - 8/10

09/08/11

Crystal Stilts - In Love With Oblivion

E continuando a viagem por alguns discos dos grupos que vão actuar no palco principal do Festival de Paredes de Coura, no próximo dia 18 de Agosto, é chegada a vez dos Cristal Stilts, que são, na minha opinião o grupo mais fraco deste dia.
O grupo formou-se no ano de 2003 em New York, com Brad Hargett e JB Townsend. Gravaram os primeiros trabalhos, singles e EPs, durante o ano de 2004 e o primeiro CD foi editado em somente em 2008, "Alight of Night".
Na sua essência, os Crystal Stilts são um duo, mas para os espectáculos ao vivo recorrem a músicos convidados, mais ou menos fixos, como Kyle Forester nas teclas, Andy Adler no baixo e o "Vivian Girls" Frankie Rose na bateria. Este agrupamento de músicos acaba por participar na gravação deste "In Love With Oblivion" e mais tarde Frankie Rose abandona o grupo, entrando para o seu lugar Keegan Cooke.
A música dos Crystal Stilts tem evidentes influências de Jesus and Mary Chain ou Birthday Party, mas é um estilo de música simultaneamente oco e inócuo. Não chega a ser enfadonha, mas também não tem aquela potência e aquele poder de nos surpreender. Ouve-se, mas apesar dos dois trabalhos do grupo terem sido muito bem recebidos pela crítica especializada, não acredito na longevidade da música do grupo.

01 - Sycamore Tree
02 - Through The Floor
03 - Silver Sun
04 - Alien Rivers
05 - Half a Moon
06 - Flying Into The Sun
07 - Shake The Shackles
08 - Precarious Stair
09 - Invisible City
10 - Blood Barons
11 - Prometheus At Large

Nota - 6/10

08/08/11

Twin Shadow - Forget

Retomando a viagem pelos trabalhos dos grupos que vão tocar no Festival de Paredes Coura - no dia 18 de Agosto, dia que tem como cabeça de cartaz os Pulp - é chegada a vez de prestar alguma atenção a Twin Shadow, projecto de George Lewis Jr., músico nascido na República Dominicana, residente na Flórida e que foi descoberto pelos Grizzly Bear.
Num género musical próximo do Chillwave, a música de Twin Shadow acaba por ser algo revivalista, e não passam despercebidas de ninguém as influências de alguma da música pop que se fez nos anos 80, principalmente aquele estilo musical que surgiu e que já tinha algumas influências da New Wave. Uma voz algo grave, melodiosa e assente numa estrutura musical também ela melodiosa e por vezes com alguns temas dançáveis, não sendo de estranhar um certo "bater de pé" em algumas das canções deste Forget, editado em 2010, que acaba por se tornar um disco bastante agradável, equilibrado, e do qual é difícil apontar algum tema que possa ser apelidado de tema forte do álbum, bem como escolher um tema que possamos considerar fraco.
É um disco que justifica alguma atenção, e estamos em crer que George Lewis Jr., dará um bom concerto em Paredes de Coura.

01 - Tyrant Destroyed
02 - When We're Dancing
03 - I Can't Wait
04 - Shooting Holes
05 - At My Heels
06 - Yellow Ballon
07 - Tether Beat
08 - Castles In The Snow
09 - For Now
10 - Slow
11 - Forget

Nota 8/10

06/08/11

La Habana Canta Sabina

Depois de ter iniciado uma viagem (ao som dos Warpaint) por alguns dos álbuns dos agrupamentos que vão estar em Paredes de Coura no dia 18 de Agosto, não resisto a fazer uma primeira interrupção para divulgar este disco (projecto) de homenagem a um dos melhores cantautores (cantantes) espanhóis, Joaquin Sabina.
Senhor de uma extensa obra em que alguns momentos menos felizes são esquecidos com o brilhantismo da maioria das suas canções, Joaquin Sabina continua a encantar com as suas canções, normalmente enriquecidas por belíssimos poemas, nos quais a sua voz caracteristicamente rouca funciona como uma "cereja no topo de um bolo".
Foram dez das imensas canções de Sabina, que foram reinventadas por um conjunto de músicos cubanos, com o som característico de cuba, mas sem as canções perderem a sua identidade e qualidade.
La Habana canta Sabina é um excelente disco para quem aprecia a música de Sabina, aqui com um toque cubano.

01 - Una Cancion para La Magdalena (Pablo Milanés)
02 - Quien Me Ha Robado El Mes de Abril (Kalunga)
03 - Que Se Llama Soledad (Haydée Milamés)
04 - Contigo (Jessica Rodriguez)
05 - Como Un Dolor de Muelas (Ivett Cepeda)
06 - A La Sombra de Un Leon (Amaury Perez)
07 - La Cancion Mas Hermosa Del Mundo (Buena Fe)
08 - A La Sombra de Un Leon (Pancho Amat Y El Cabildo Del son)
09 - 19 Dias Y 500 Noches (Frank Fernández)
10 - Tan Joven Y Tan Viejo ( Carlos Varela)

Nota 8/10

05/08/11

Warpaint - The Fool

O quarteto feminino Warpaint, oriundo de Los Angels, vai passar por Paredes de Coura, no dia em que tocam os Twin Shadow, Blonde Redhead, Crystal Stilts e os Pulp.
Numa primeira fase, o grupo era constituído pelas irmãs Jenny Lee Lindberg (baixo) e Shannyn Sossamon (bateria), Emily Kokal (voz e guitarra) e Theresa Wayman (voz e guitarra). Posteriormente Shannyn Sossamon abandonou o grupo, entrando para o seu lugar Stella Mozgawa, e é essa a formação actual.
Após alguns EPs editados em 2009 e que obtiveram bastante sucesso junto da crítica especializada, o primeiro grande trabalho da banda surge em Outubro de 2010 e trata-se de uma agradável surpresa, numa toada extremamente melódica, num ambiente celestial criando uma atmosfera de art rock, repleta de ambiências simultaneamente sedutoras e relaxantes, dentro de um estilo que nos traz à memória os Mojave 3, Here We Go Magic (também tocam em Paredes de Coura no mesmo dia), Beach House ou mesmo os Mazzy Star na sua vertente mais calma.
Sem deslumbrar, seduz, e acho que vai ser um excelente concerto no idílico cenário de Paredes de Coura.

01 - Set Your Arms Down
02 - Warpaint
03 - Undertow
04 - Bees
05 - Shadows
06 - Composure
07 - Baby
08 - Majesty
09 - Lissie's Heart Murmur

Nota - 7/10

04/08/11

Washed Out - Within and Without

Se o destaque de ontem foi para um grupo com alguma experiência, os Jeff The Brotherhood, o de hoje vai para um estreante em termos dos chamados trabalhos de longa duração. Após alguns EPs editados, Ernest Greene grava finalmente o seu primeiro CD, este Within and Without, para a label Sub Pop, normalmente sinónimo de qualidade.
Se ontem foi apresentado um disco virado para o rock puro, já o de hoje segue para um campo completamente oposto, com um pop melodioso num estilo synth pop, com alguns momentos bastante agradáveis, mas que numa audição completa e sequencial do disco tornam-se algo aborrecidos; ou seja, é aquele tipo de disco que se ouvirmos quatro ou cinco temas seguidos torna-se agradável, mas se ouvirmos do primeiro ao último tema, torna-se aborrecido.
Apesar de tudo é um bom disco, principalmente para esta altura do ano, com uma música agradável que dá uma sensação de frescura.

01 - Eyes Be Closed
02 - Echoes
03 - Amor Fati
04 - Soft
05 - Far Away
06 - Before
07 - You And I
08 - Within and Without
09 - A Dedication

Nota - 7/10

03/08/11

Jeff The Brotherhood - We Are The Champions

Este projecto iniciado em 2001, pelos irmãos Jake e Jamin Orrall, membros do Be You Own Pet, regressa este ano de 2011 com o seu quinto trabalho de originais. Pode ser mais do mesmo em relação aos anteriores trabalhos do grupo, mas este We Are The Champions é um disco bastante agradável, repleto de um bom rock, simples e directo, simultaneamente melódico e agressivo, com o verdadeiro estilo rock 'n' roll. Onze canções que merecem ser escutadas, em repeat.

01 - Hey Friend
02 - Cool Out
03 - Bummer
04 - Shreddr
05 - Diamond Way
06 - Endless Fire
07 - Ripper
08 - Mellow Out
09 - Stay Up Late
10 - Health and Strength
11 - Wastoid Girl

Nota - 8/10

28/05/11

Gil Scott-Heron - I'm New Here - (R.I.P.)

Faleceu ontem um génio. Gil Scott-Heron, autor de um dos melhores discos de 2010.
Por esse motivo, em jeito de homenagem, recupero a análise feita a "I'm New Here" na altura da sua edição.
Este "I'm New Here" é um disco, no mínimo, curioso, pois trata-se de um trabalho de música em forma de poesia... ou poesia em forma de música.
Dos quinze temas que fazem parte do disco, uns são declamados outros cantados pela excelente voz de Gil Scott-Heron e, a forma como os temas são elaborados e interpretados, transformam este disco em algo muito introspectivo, como se nos estivesse a ser contada uma história cheia de talento e beleza.
Alguns temas cantados, outros narrados e ainda outros que parecem relatos de histórias de bastidores, fazem com que a este disco se possa aplicar a frase "inicialmente estranha-se... depois entranha-se".
"I'm New Here" não é um disco fácil, pois tem tanto de estranho com de belo. Insere-se naquele género de registo que se aprende a gostar com o tempo, e não creio que possa ser ouvido em qualquer altura ou qualquer lugar; nada disso. É preciso estar com capacidade para interiorizar a música e o ambiente que o disco proporciona, e julgo estar-se perante o "companheiro" ideal para uma viagem pois, para além da sensação de companhia que nos transmite, proporciona-nos momentos de grande beleza e serenidade, embalados pela excelente voz de Gil Scott-Heron.

01 - On a Comming From a Broken Home (1)
02 - Me And The Devil
03 - I'm New Here
04 - Your Soul And Mine
05 - Parentes (Interlude)
06 - I'll Take Care Of You
07 - Being Blessed (Interlude)
08 - Where Did The Night Go
09 - I Was Guided (Interlude)
10 - New York Is Killing Me
11 - Certain Things (Interlude)
12 - Running
13 - The Crutch
14 - I've Been Me (Interlude)
15 - On a Comming From a Broken Home (2)

Nota - 9/10

03/12/10

Caribou - Swim

Dan Smith nasceu em 2-89 em Ontário, no Canadá. Iniciou-se nas andanças do mundo da música em 2001 com o projecto Manitora, onde editou dois trabalhos, "Start Breaking My Heart" (2001) e o aclamado "Up In Flames" (2003). Graças à boa recepção que estes discos obtiveram por parte da crítica e do público, Dan foi considerado como um dos músicos mais promissores do início da década. Durante o ano de 2005 decide alterar o nome do projecto para Caribou e nesse mesmo ano lança o trabalho "The Milk Of Human Kindness" que, apesar de ficar um pouco aquém dos discos anteriores, teve boa aceitação por parte da crítica.
Finalmente em 2007, graças ao excelente "Andorra", os Caribou são confirmados como uma grande revelação e o disco é considerado, unanimemente pela crítica, como um dos melhores do ano. Numa onda repleta de ambiências, o disco traz-nos um som invulgar, criado por uma mescla de instrumentos que acaba por funcionar como um todo, dando grande consistência a um estilo com uma sonoridade muito especial e própria.
Após um interregno de três anos, os Caribou estão de regresso aos discos com este "Swim", onde se mantém a onda do grupo, sempre próxima do chill-out, mas sem nunca entrar em definitivo nessa onda. É um disco cantado e tocado de uma forma muito melódica e com temas que "encaixam" perfeitamente em ambientes de bares, quer em inicio de noite quer em final.
Deste temas calmos, ideais para um inicio de noite em que apetece simplesmente ter uma conversa, a outros temas já com mais energia, que nos puxam para a pista de dança, mas sempre de uma melódica e suave... como se quer que seja uma noite.

01 - Odessa
02 - Sun
03 - Kaili
04 - Found Out
05 - Bowls
06 - Leave House
07 - Hannibal
08 - Lalibela
09 - Jamelia

Nota - 9/10

01/12/10

John Grant - Queen Of Denmark

Se existem discos com a capacidade de nos surpreenderem imenso, e pela positiva, este Queen Of Denmark de John Grant, é um deles.
O vocalista e fundador dos Czars, surge neste seu primeiro trabalho a solo acompanhado pelos Midlake e o resultado é um disco de bom nível, repleto de canções agradáveis e melódicas.
Um conjunto de doze temas, todos eles cantados e interpretados de uma forma suave, numa produção cuidada e bem executada, fazem com que este disco possa ser considerado como um dos mais agradáveis discos deste ano que está prestes a terminar.
Se bem que em alguns temas, como por exemplo "Chichen Bones" ou "Silver Platter Club" , existam pormenores de gosto duvidoso e desnecessário, no aspecto geral "Queen Of Denmark" é muito agradável e justifica alguma atenção, pois existem temas de um pop melódico e suave de grande nível que, sem nunca cair no gosto fácil, são brilhantes.
Destaque para o tema que dá nome ao disco e que encerra este excelente trabalho de John Grant, "Queen Of Denmark", um tema extraordinário.

01 - TC And Honeybear
02 - Marz
03 - Where Dreams Go To Die
04 - Sigourney Weaver
05 - Chiken Bones
06 - Silver Platter Club
07 - It's Easier
08 - Outer Space
09 - JC Hates Faggots
10 - Caramel
11 - Leopard and Lamb
12 - Queen Of Denmark

Nota - 8/10

16/11/10

Isobel Campbel & Mark Lannegan - Hawk

"Hawk", o novo trabalho editado recentemente pelo duo Isobel Campbel & Mark Lannegan, chega a assustar com o seu início algo enfadonho.
Pode-se afirmar que os três primeiros temas destinam-se a consumo interno do mercado americano, pois são demasiado "fechados" numa onda country, mas ausente do tradicional ritmo e com uma sonoridade muito introspectiva, naquele género de música de viagem, como se estivéssemos a atravessar uma daquelas imensas estradas americanas ou aqueles desertos infindáveis.
Finalmente, em "Come Undome", essa viagem imaginária termina (ou será que é apenas um intervalo?), como se fosse o momento da chegada ao destino, ou pelo menos a um ponto intermédio, um ponto mais urbano, num daqueles bares tipicamente de estrada onde paramos para descansar e, durante esse descanso, é nos dada a possibilidade de ouvir temas repletos de influências da música popular americana, com aquele inconfundível cheiro a Blues, cheiro esse abrilhantado por uma boa sonoridade ao nível das teclas.
Seguem-se "No Place To Fall", "Get Behind Me" e "Time Of Season", um conjunto de temas com essa sonoridade mais urbana e que comprova que realmente estamos no intervalo dessa viagem. Nesta parte do disco, o brilhantismo de Mark Lannegan como compositor e intérprete é evidente e a sua voz, simultaneamente cavernosa e sedutora, torna-se embriagante.
Após este pequeno descanso, a viagem recomeça com a bela Isobel Campbell a proporcionar-nos grandes momentos de prazer com a sua voz cheia de ternura em "To Hell And Back Again", um tema calmo e bonito que parece ter sido feito para nos ajudar a acordar e a recomeçar a viagem.
E como estamos perante um disco que se torna numa banda sonora de viagem, "Cool Water" e "Eyes Of Green", levam-nos novamente para as pradarias americanas, desta vez de uma forma suave, a condizer com o cenário por mais imaginário que ele seja, pois está-se perante uma viagem virtual que termina de forma apoteótica com "Lately", tema abrilhantado por um coro Gospel em tom de festa.
Pode não ser o melhor trabalho deste duo, mas é seguramente um excelente disco.

01 - We Die And See Beauty Reign
02 - You Won't Let Me Down Again
03 - Snake Song
04 - Come Undome
05 - No Place To Fall
06 - Get Behind Me
07 - Time Of The Season
08 - Hawk
09 - Sunrise
10 - To Hell & Back Again
11 - Coll Water
12 - Eyes Of Green
13 - Lately

Nota - 8/10

03/11/10

Karnataka - The Gathering Light

Karnataka são um grupo formado em 1996 por Rachel Jonas (voz), Ian Jones (baixo e guitarra), Jonathan Edwards (teclas), Paul Davies (guitarra) e Gavin Griffiths (bateria).
Em "The Gathering Light", disco editado este ano de 2010, o grupo apresenta-nos um agradável disco de rock progressivo, melódico, e com alguns momentos de excessiva ligeireza, que faz com que a música do grupo quase saia da onda progressiva e chegue muito perto do New Age. No entanto, estas divagações e estes percursos musicais, são bem feitos e de forma muito agradável.
Em certos momentos, ao longo do disco e principalmente nos temas mais extensos, são feitos bons solos de guitarra, solos esses que nos fazem lembrar os Pink Floyd mas que, obviamente, estão longe do brilhantismo que David Gilmour nos proporciona.
Não quer com isto dizer que existe uma colagem ou uma aproximação que seja evidente, à música dos Pink Floyd; existe sim uma grande influência.
A música dos Karnataka, um pouco graças à voz de Rachel Jonas, apresenta-se algo diferente do que é normal no chamado rock progressivo, com um pequeno toque "ligeiro". É esse toque que faz com que o som do grupo não assuma a vertente conceptual característica do rock progressivo e que, por vezes, faz com que esse estilo musical seja demasiado enfadonho.
"The Gathering Light" é um disco diferente e, não sendo deslumbrante, dá-nos um imenso prazer a ouvir, não em "repeat", mas de vez em quando no sossego da casa e numa boa aparelhagem, pois por muito bom que um iPod possa ser, não chega ao nível de uma aparelhagem das chamadas tradicionais.

01 - The Calling
02 - State Of Grace
03 - Your World
04 - Moment In Time
05 - The Serpent And The Sea
06 - Forsaken I, II e III
07 - Tide to Fall
08 - The Gathering Light

Nota - /10

28/09/10

Kele - The Boxer

"The Boxer" é o disco de estreia a solo de Kele Okereke, guitarrista e vocalista dos Bloc Party.
Aproveitando o hiato do grupo, desde o ano de 2009, Kele decidiu aventurar-se numa carreira a solo com este "The Boxer", disco produzido por Hudson Mohawke e que foi lançado recentemente.
Detentor de uma voz inconfundível, Kele, apresenta-nos um disco que não deslumbra mas também não desilude. Apesar da tentativa de um distanciamento da música dos Bloc Party, são inegáveis as semelhanças, quando mais não seja pelo facto de ser Kele Okereke o autor das músicas do grupo.
Este "The Boxer" é um disco com uma música fresca e despretensiosa, com alguns temas interessantes, mas que acaba por tornar-se enfadonho, um pouco devido ao uso excessivo de instrumentos numa onda synth-pop.
No conjunto dos dez temas que fazem parte do disco, destaco pela positiva "Everything You Wanted", um tema bem ritmado e muito forte, excelente para passar na rádio e desse modo fazer com que seja um trabalho bem sucedido, pelo menos comercialmente.

01 - Walk Tall
02 - Õn The Lam
03 - Tenderoni
04 - The Other Side
05 - Everything You Wanted
06 - The New Rules
07 - Unholy Thoughts
08 - Rise
09 - All The Things I Could
10 - Yesterday's Gone

Nota - 7/10

23/09/10

Arcade Fire - The Suburbs

"Funeral" (2004), "Neon Bible" (2007) e "The Suburbs" (2010).
Ao terceiro disco, à terceira obra-prima, os Arcade Fire trazem-nos dezasseis temas novos, que tornam "The Suburbs" um disco longo, sem ser fastidioso.
Por incrível que possa parecer, o grupo consegue manter um nível excelente e dessa forma confirmar as potencialidades evidenciadas em "Funeral" e mantidas em "Neon Bible", onde conseguem superar o síndrome do primeiro álbum.
"The Suburbs" acaba por ser a confirmação de que este grupo - oriundo de Montreal, Canadá - é, actualmente, um dos colectivos de maior criatividade na cena indie a nível mundial, apesar de nele ser evidente uma vertente mais comercial e menos conceptual, comparativamente com os anteriores trabalhos editados pelo grupo.
No dia 18 de Novembro de 2010, os Arcade Fire vão actuar no Pavilhão Atlântico em Lisboa, num concerto que será, seguramente, memorável, não só pelas excelente músicas que o grupo tem espalhadas pelos seus três trabalhos, mas também devido aos excelentes e divertidos concertos que a banda dá, transmitindo uma energia e uma alegria contagiantes.

01 - The Suburbs
02 - Ready To Start
03 - Modern Man
04 - Rococo
05 - Empty Room
06 - City With No Children
07 - Half Light I
08 - Half Light II (No Celebration)
09 - Suburban War
10 - Month Of May
11 - Wasted Hours
12 - Deep Blue
13 - We Used To Wait
14 - Sprawl I (Flatland)
15 - Sprawl II (Mountains BeyondMountains)
16 - The Suburbs

Nota - 9/10

22/09/10

Manic Street Preachers - Postcards From a Young Man

Apesar de já há algum tempo circular na internet, foi editado esta semana Postcards From a Young Man, disco que assinala o regresso dos Manic Street Preachers, que tivemos a oportunidade de ver na edição deste ano do Alive, onde deram um bom concerto.
Este é aquele tipo de disco que se pode intitular "Radio Friendly". Composto por doze excelentes temas, todos eles propícios à edição em formato single, para assim poderem passar nas rádios, pois como sabemos (pelo menos em Portugal), a grande maioria das rádios existentes limita-se a passar os temas que fazem parte do chamado "Lado A" do single, são rádios sem programas de autor que se limitam a passar aquilo que as editoras impõem, com excepçao para as rádios Radar e Europa (se bem que esta tem outra onda musical, mais vocacionada para o Jazz).
Com este Postcards From a Young Man, o grupo formado por James Dean Bradfield (voz e guitarra), Sean Moore (bateria) e Nicky Wire (baixo), dificilmente conseguirá superar o mítico The Holy Bible, ou mesmo o anterior trabalho do grupo Journal For a Plague Lovers, editado em 2009. É, no entanto e como já referi, um excelente trabalho com canções bem construídas e melódicas, sem devaneios, numa música acessível e de grande qualidade.
Um disco extremamente agradável, de um pop discreto, belo e subtil, cujo momento alto surge logo na terceira música Some Kind Of Nothingbess, com partes a fazer lembrar os espirituaus negros, numa melodia apoteótica que conta com a colaboraçao de Ian McCulloch dos Echo & The Bunnymen.
Seguramente um dos grandes discos do ano de 2010.

01 - (It's Not War) Just The End Of Love
02 - Postcards From a Young Man
03 - Some Kind Of Nothingness (Feat. Ian McCulloch)
04 - The Descent (Part 1 & 2)
05 - Hazelton Avenue
06 - Auto Intoxication
07 - Golden Platitudes
08 - I Think I've Found It
09 - A Billion Balconies Facing The Sun
10 - All We Make Is Entertainment
11 - The Future Has Been Here 4 Ever
12 - Don't Be Evil

Nota - 9/10

21/09/10

Grinderman - Grinderman 2

Grinderman 2 marca o regresso dos Grinderman, projecto liderado pelo inconfundível Nick Cave e do qual fazem parte Martyn Casey no baixo, Warren Ellis na guitarra e violino, e Jim Sclavunus na bateria.
Três anos após a edição do primeiro trabalho do grupo, estamos perante um regresso extremamente salutar e interessante, apesar de previsível. Um disco marcado, à semelhança do anterior, pela forte influência de Nick Cave, músico de uma criatividade inconfundível, que tanto nos brinda com temas caóticos e desconexos, repletos de experimentalismos como se estivessemos numa Jam Session (Bellringer Blues ou When My Baby Comes), como nos traz canções extremamente melódicas dignas de qualquer compilação de Love Songs (Palaces Of Montezuma).
Estamos perante um excelente disco, estando ao nível do melhor que Nick Cave fez até hoje e, comparando com o anterior trabalho do grupo, pode-se afirmar que Grinderman 2 está ao mesmo nível, não desiludindo mas também não surpreendendo nem inovando. Poder-se-ia afirmar que é mais do mesmo, mas na música de Nick Cave as coisas nunca são o que parecem, pois é algo inconfundível e repleto de pequenos pormenores que, com o tempo, são detectados.
Nick Cave, na minha opinião é detentor de uma capacidade criativa e de improvisação muito acima da média, como todos os génios.

01 - Mickey Mouse And The Goodbye Man
02 - Worm Tamer
03 - Heathen Child
04 - When My Baby Comes
05 - What I Know
06 - Evil
07 - Kitchnette
08 - Palaces Of Montezuma
09 - Bellringer Blues

Nota - 9/10

16/09/10

Interpol - Interpol

"O bom filho à casa torna".
Este ditado aplica-se aos Interpol que, cerca de seis anos após abandonarem a editora em que fizeram os melhores trabalhos, a Matador, regressam com este "Interpol". Liderados pelo carismático guitarrista e vocalista Paul Banks, trazem-nos um excelente disco, repleto de belas canções, densas, de uma densidade que só os Interpol conseguem transmitir, com uma voz igualmente densa e "escura", quase que tenebrosa, e uma guitarra em constantes divagações e solos discretos mas densos e intensos, que nos enebriam e arrepiam.
Apesar de, à partida, estar longe do nível do primeiro trabalho do grupo "Turn On The Bright Lights" datado de 2002, este "Interpol" é um excelente disco que, atrevo-me a incluir naquele género de disco que se aprende a gostar à medida que o vamos ouvindo.
Normalmente, esse tipo de disco, torna-se uma obra de arte porque, a arte aprecia-se, e quanto mais se aprecia, à medida que a vamos apreciando, gostamos cada vez mais.

01 - Success
02 - Memory Serves
03 - Summer Well
04 - Lights
05 - Barricade
06 - Always Malaise (The Man I Am)
07 - Safe Without
08 - Try It On
09 - All Of The Ways
10 - The Undoing

Nota - 8/10

17/05/10

Kayo Dot - Coyote

A música dos Kayo Dot é indescritível, é algo fora de todos os parametros normais e expectáveis: é desconexa, anárquica e confusa.
Sendo um daqueles discos que será impossível escutar nas rádios "normais", "Coyote" é um trabalho estranho e de difícil classificação, mas não deixa de ser agradável de ouvir, se bem que é preciso estar com algum espirito para poder assimilar a música que este grupo, formado em Massachusetts em 2003, nos traz neste seu quarto trabalho.
Composto unicamente por cinco temas, cinco longos temas, o grupo formado por Toby Driver, Mia Matsumiya, David Bodie, Dan Means e Terran Olson, apresenta-nos um disco na linha dos anteriores, um trabalho de experiências e vivências musicais, como já referi algo desconexas, mas com um fio condutor pelo qual passa todo o tipo de experiências e sons que os elementos do grupo extraem (e muito bem) dos seus instrumentos.
Estamos perante um disco de um estilo musical muito próximo do chamado rock progressivo, neste caso extremamente complexo, com temas longos e sem qualquer refrão, mas que justifica alguma atenção.

01 - Calonyction Girl
02 - Whisper Ineffable
03 - Abyss Hinge 1: Sleeping Birds Sighing in Roscolux
04 - Abyss Hinge 2: The Shrinking Armature
05 - Cartogram Out Of Phase

Nota - 8/10