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05/08/14

Ao vivo... Festival Vilar de Mouros 2014

Data - 02 de Agosto de 2014
Local - Vilar de Mouros
Notas - Após um interregno de oito anos, a Fundação AMA Autismo propôs-se fazer regressar o mítico Festival Vilar de Mouros, lutando contra várias adversidades, nomeadamente a falta de patrocínios e, consequentemente, falta de divulgação. Aliando a estes dois importantes factores o anúncio tardio do cartaz definitivo para o evento, era enorme a expectativa relativamente à adesão do público; enorme, mas previsível e aconteceu o que se esperava: o público não voltou a Vilar de Mouros, e seriam pouco mais de 10000 pessoas durante o festival.
Foi pena, mas mesmo com pouco público, esta edição ficará, obviamente, na história.
Quanto ao público, apesar de em número reduzido num espaço com capacidade para cerca de 50000 pessoas, divertiu-se e participou na festa de uma maneira diferente dos muitos festivais que existem por este país, e é aí que reside o misticismo de Vilar de Mouros. É um festival diferente, numa localidade lindíssima e com um ambiente fabuloso, onde tudo é uma festa, onde as pessoas estão e sentem-se bem, pois a gente da terra gosta dos festivaleiros e os festivaleiros retribuem, e isso faz com que Vilar de Mouros seja diferente, e a saudade proporcionada pelo longo hiato entre a última edição e a deste ano, não é diferente da que surge após o encerramento do festival, entre a deste ano e do próximo.
Relativamente à questão musical, o cartaz deste último dia era o mais equilibrado dos três dias anunciados. Pelo chamado palco secundário assistimos à actuação dos The Lazy Faithful, com um rock forte e agradável mas que ainda precisa de ser um pouco mais trabalhado para ganhar alguma consistência, e assistimos ainda a um bom concerto dos Búfalo, grupo que toca mais do que canta e que navega pelos mares do post-rock, com nítidas influências de Spiritualized ou Trans Am. Se inicialmente é um concerto agradável proporcionado por bons músicos, acaba por, passado algum tempo, tornar-se aborrecido e monótono, e isso não tem a ver com o desempenho do grupo, mas sim com o estilo musical.
Quanto ao chamado palco principal, o dia começou com Legendary Tigerman que mais uma vez deu um grande concerto, ficando a ideia que Paulo Furtado não sabe dar maus concertos. Fazendo-se acompanhar por Paulo Segadães na bateria e João Cabrita no Saxofone, este músico de Coimbra durante os 45 minutos que esteve em palco transformou o ambiente numa festa e, mesmo com pouco público junto ao palco o ambiente foi muito bom e terminou com Paulo Furtado a chamar para o palco quem quisesse ir, bastava "quererem dançar", e houve muita gente que o fez, e foi visível no rosto dos músicos, o ar de satisfação.
Seguiu-se a actuação dos Deolinda que deram um concerto relativamente curto e morno, sem conseguir agarrar o público, apesar da grande interacção com o público por parte da vocalista Ana Bacalhau, apesar de em algumas partes parecer algo despropositada. O momento alto do concerto, acabou por ser o convite dirigido a Paulo Furtado, para colaborar numa das canções de um concerto que terminou de forma abrupta mas que pareceu não incomodar ninguém, pois seguiam-se os Xutos & Pontapés, uma máquina bem oleada que arrasta sempre muito público, por onde quer que passe, e Vilar de Mouros não foi excepção.
O grupo que actualmente está a celebrar 35 anos de carreira não desiludiu nem acrescentou nada de novo. Tocaram temas novos do disco lançado recentemente mas, como é normal, os que mais prenderam e empolgaram o público, foram os clássicos da banda de Tim, Zé Pedro, Kalu, Cabeleira (em grande nível) e Gui. "Contentores", "Remar, Remar", "Circo de Feras", "Homem do Leme", "Maria" ou "Minha Casinha", são alguns exemplos dos clássicos do grupo e que puseram a plateia a cantar e a dançar, mostrando o quão bem oleado está esta banda que teima em continuar, mas que não satura e, no final de um concerto, a sensação que fica é agradável, como se fosse uma das primeiras vezes que os vemos actuar. Um bom concerto que teria tido um som excelente não fosse uma ou duas falhas que surgiram, mas que foram resolvidas de imediato.
E a seguir aos Xutos & Pontapés é chegada a vez de um senhor oriundo de Bristol subir ao palco: Tricky. E a seguir a Tricky, entraram em palco os Guano Apes que estão de regresso aos discos com "Offline", editado muito recentemente e praticamente desconhecido. Liderados pela carismática Sandra Nasic, o agrupamento alemão apresentou um alinhamento em jeito de Best Of, e ao longo de 21 temas percorreram a obra do grupo, sendo evidente o desconhecimento por parte do público relativamente ao último disco editado pela banda. Foi um bom concerto, cheio de energia e que passou depressa e, quando isso acontece, é porque é bom. Simpáticos e satisfeitos por estarem de regresso a Vilar de Mouros onde actuaram em 2003, os Guano Apes fecharam em bom nível, a edição deste ano do festival.
Para o fim, Tricky. Não foi o concerto de encerramento do festival, mas foi, seguramente, o mais memorável.... e estranho.
Mais uma vez foi notória a falta de "entrosamento" entre os músicos, não pela sua qualidade, mas pela forma de estar em palco de Tricky. Fica sempre a ideia que as canções não são ensaiadas e é notório que, durante todo o concerto, os músicos que o acompanham não tiram os olhos dele para saberem o que hão-de fazer e Tricky parece um maestro, ora levantando o braço, ora gesticulando, e nessas alturas ou a música sobe de tom ou os músicos começam a tocar noutro ritmo. Para quem está nas filas da frente isto é estranho, nota-se que nem tudo corre bem e eis que Tricky dirige-se à vocalista que o acompanha, segreda-lhe algo e ela empurra-o, e surgem os amuos; Tricky deixa-a a cantar sozinha em "Overcome", abandona o palco, quando regressa tira-lhe o microfone, depois a setlist, e chama para o palco o público e toca "By Myself" à frente do público que invadiu o palco e com os seus músicos atrás desse público, criando uma barreira entre ele e os seus músicos, como que a querer dizer que não precisa deles para dar um bom concerto, quando dois espectadores tentam tirar uma selfie com ele atira-lhe com os telemóveis ao chão, agradece a recepção do público, sai de palco, deixa os seus músicos a tocar sozinhos, e eles sem saberem o que fazer, quando têm de terminar e, passado alguns minutos, dão por terminado um dos concertos mais estranhos que vimos até hoje.

15/04/14

Ao vivo... The Legendary Tigerman

Data - 27 de Março de 2014
Local - Discoteca Lux
Notas - A pequena sala da discoteca Lux, encheu para assistir ao concerto de "True", o mais recente trabalho discográfico de Paulo Furtado, The Legendary Tigerman", disco este já considerado como um dos melhores deste músico de Coimbra, também membro dos Wraygunn e dos já extintos Tédio Boys.
Após a primeira canção da noite, surge um Paulo Furtado no seu melhor, "convidado que está à conversa devia ser decapitado", e, esta irritação com as pessoas que insistiam em estar à conversa durante todo o desenrolar do concerto foi evidente até à última canção. Nem o pequeno aviso que fez - "sou conhecido por duas coisas: tocar guitarra e urinar na cabeça das pessoas. Não me queiram ver a fazer a segunda", nem o mandar o pessoal que estava à conversa abandonar a sala e ir para o c..... -, foram suficientes para que o público adoptasse um comportamento digno de quem está a assistir a um concerto, independentemente do nível do músico que está em palco, e já no encore, o Paulo Furtado pousa a guitarra, salta do palco, e dirige-se a um grupo que, insistentemente, continuava à conversa, estando um pouco alheio àquilo que se passava em palco e que era "somente" a apresentação de um dos melhores discos português de um dos melhores músicos portugueses, The Legendary Tigerman. Segundo Paulo Furtado, "o problema é as pessoas terem medo de por os outros na ordem, seja na política seja no caralho que o foda".
Por muito que esta atitude possa ser criticável eu estou de acordo, pois, se existe algo que irrita durante um concerto é a cambada de papagaios que por lá aparece, e a juntar a estes ainda há aqueles que só sabem o refrão de uma música e, quando chega a essa parte cantam a todos os pulmões e, quando o refrão termina... a veia de papagaio volta à tona. Irritante.
Mas, voltemos ao que interessa, ao concerto, propriamente dito.
Desta vez, Paulo Furtado não esteve sozinho em palco, tendo contado com as excelentes colaborações de Paulo Segadães na bateria, durante praticamente todo o concerto (soberbo em "Storm Over Paradise"), e João Cabrita no saxofone em "Gone" e "Dance Crazy", temas que fazem parte de "True".
Para além dos temas do novo disco, houve ainda tempo para uma curta passagem por "Femina" de 2009, com "And Then Came The Pain", uma viagem ao primeiro disco editado pelo músico, "Naked Blues" de 2002, e a um inédito "A Lifetime of Your True Love".
Num verdadeiro ambiente de Rock 'n' Roll e muita festa, apesar de os papagaios continuarem presentes, foi em euforia e ao som de "21st Centurt Rock 'n' Roll", que Paulo Furtado se empoleirou nas colunas do lado direito do palco, tendo como fundo musical uma melodia anárquica sobre a qual assentavam uns gritos à beira do rugido primal, para gáudio da grande maioria dos presentes (papagaios não contam), rendidos a um excelente músico.
E foi com esta música que Paulo Furtado terminou o concerto e, com os quatro excelentes músicos em palco - para além dos já mencionados, não se pode esquecer (propositadamente deixado para o fim nesta crónica),  Filipe Costa, "as duas melhores mãos de Portugal nas teclas, no resto não sei", segundo Legendary Tigerman, que abrilhantou "Green Onions" com os seus devaneios ao piano -, o músico disse, "não haveria mais, não havia vontade para tal".
Mas o público não arredou pé e continuou a aplaudir de forma insistente, e passado pouco tempo The Legendary Tigerman voltou ao palco para interpretar "Love Ride", e aí sim, chegou ao fim um bom concerto, tendo ficado vontade para mais.
Aguardemos pelos Coliseu.

18/07/11

Ao vivo... Super Bock Super Rock

Data - Dia 15 de Julho de 2011
Local - Aldeia do Meco
Notas - No segundo dia da 17ª edição do festival Super Bock Super Rock, a expectativa maior era para a actuação dos Arcade Fire, que deste modo compensavam o público português, depois do cancelamento a que foram obrigados no ano passado, devido à cimeira da Nato.
No palco principal, o dia começou da melhor maneira com o projecto Noiserv, liderado por David Santos e que assenta numa estrutura muito pessoal do músico, num estilo intimista.
Após a actuação de Noiserv, chegou a vez de Rodrigo Leão & Cinema Ensemble que, mais uma vez não desiludiram e deram um concerto de grande nível, que incidiu principalmente sobre o último trabalho do músico, "A Mãe", editado durante o ano de 2009. Como ponto negativo deste concerto, apenas alguma indecisão durante a actuação, indecisão essa que transmitiu a ideia de falta de conhecimento do alinhamento das canções, levando inclusivamente a que fossem ouvidos alguns apupos.
Enquanto não começava a actuação dos Portishead, houve oportunidade para uma "viagem" até à zona do palco secundário para assistir a Legendary Tigerman, músico de grande nível mas que se torna aborrecido em palco, apesar de ser um excelente executante mas, e na minha opinião, ao fim de três ou quatro músicas... chega; e está na hora de fazer a "viagem" de regresso até ao palco principal, onde os Gift, de que não sou apreciador, estavam a terminar a sua actuação.
Seguiam-se, neste mesmo palco, os Portishead de Beth Gibbons para mais um daqueles concertos a que este grupo nos habituou, e dos quais é extremamente dificil conseguir apontar algum defeito. Uma voz mais limpa de Beth Gibbons, foi complementada de forma excelente pelos grandes músicos que fazem parte do grupo e que tornam os concertos dos Portishead como algo grandioso.
A fasquia deste segundo dia estava muito alta, e só um grupo como os Arcade Fire é que conseguia fazer melhor que Portishead. Com um início arrasador, ao som de Ready To Start, o concerto foi um autêntico Best Of que percorreu os três excelentes álbuns editados por esta banda canadiana que continua a ter uma carreira de grande nível, quase imaculada; como imaculado foi o concerto que deram neste SBSR, apesar de uma hora e quinze minutos ser muito pouco para tanta música boa, como é a dos Arcade Fire.