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01/10/10

D'Outrora... "De Fio a Pavio"

Terceira parte de uma entrevista feita no início dos anos 80, a um conjunto de jornalistas responsáveis pelo programa "De Fio a Pavio", da Rádio Renascença.
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Perg. - Mas haverá música portuguesa que seja suficiente para ocupar esse espaço, mas que seja de qualidade?
Resp. - (Miguel Lemos) - Depende. Música com raízes populares há muita, existe o levantamento dessa música e tem qualidade. Agora, se falarmos na que é comercializada pelas editoras, penso que não abrange essa qualidade pois tem objectivos comerciais.
(João Viegas Soares) - Actualmente não existe qualquer controle se essa lei é ou não cumprida. Há emissoras que passam muito pouca música portuguesa, e a SPA (Sociedade Portuguesa de Autores) não recebe as listas das música que foram passadas na rádio durante um mês, por isso não existe controlo e, a partir daí, a eficácia da lei fica logo anulada. Se não houver um controlo, não me parece que essa lei tenha resultados práticos suficientes.
Perg. - Acham que na rádio deviam ser dadas mais oportunidades aos jovens?
Resp. - (Miguel Lemos) - Acho que se dão boas oportunidade, mas a rádio também não foge ao ao que costumamos chamar crise geral e que existe na sociedade portuguesa. Essa crise implica o desemprego e a questão do primeiro emprego para os jovens.
Perg. - Mas podem existir jovens com boas ideias para programas e que não tenham tido qualquer experiência anteriormente...
Resp. - (João Viegas Soares) - Pelo que conheço não tem surgido uma grande quantidade de oportunidade a novos valores. Nós somos jovens e somos alguns desses jovens que entraram para a rádio com pouca ou nenhuma experiência. Penso que "De Fio a Pavio" é uma prova de que os jovens têm alguma coisa a dizer.
Perg. - Mas porque razão a rádio não dá esse apoio?
Resp. - (Miguel Lemos) - Uma rádio que seja comercial vive da publicidade e dos ouvintes. As pessoas não podem surgir sem experiência, pois poderão fracassar. Penso que será essa a principal razão.
(João Viegas Soares) - Os interesses económicos sobrepõem-se ao dar novas oportunidades à juventude, o que é negativo.
(Miguel Lemos) - Acho que é negativo, mas essa falta não é tão grande como isso. A Rádio Comercial e a Rádio Renascença têm apostado em gente nova. Na Renascença tem-se apostado muito na juventude, mas mais no sector da informação.

FIM

29/09/10

D'Outrora... "De Fio a Pavio"

Segunda parte de uma entrevista feita no início dos anos 80, a um conjunto de jornalistas responsáveis pelo programa "De Fio a Pavio", da Rádio Renascença.
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Perg. - Agora falem-me um pouco das linhas gerais das vossas entrevistas.
Resp. - (Miguel Lemos) - O entrevistado vai acompanhando todo o programa. Normalmente, temos uma pequena síntese noticiosa do dia e o entrevistado pronuncia-se sobre uma das principais questões em foco. Depois, ao longo do programa, procuramos ir abordando diversos temas da actualidade e, à medida que isso vai acontecendo, o entrevistado pronuncia-se sobre esses temas.
(Nuno Jonet) - Outra característica do programa, é que o entrevistado não fala durante meia hora mas sim um ou dois minutos sobre cada tema, e às vezes até fala menos tempo. Isto faz com que as pessoas não se cansem e não adormeçam ao som de uma voz. Depois, entre cada resposta, passamos uma pequena faixa musical.
Perg. - Esse género de entrevista talvez seja a primeira vez que acontece em Portugal, não?
Resp. - (Miguel Lemos) - Não direi que é a primeira vez, mas na época que corre, não existe. Usa-se muito em França e no Luxemburgo (RTL).
(João Viegas Soares) - Em Portugal o que se faz é tipo mesa redonda, com o entrevistado a ser bombardeado com perguntas durante uma hora. Neste programa, tentamos ser nós a dar a informação e o convidado a comentar o tema. Nas entrevistas, não vão ser sós os políticos a ser entrevistados, mas também pessoas ligadas à música, ao desporto, a tauromaquia, etc.
Perg. - Como jornalistas de um programa de rádio, como é que analisam a lei que vai obrigar as rádios a passarem 50% de música portuguesa?
Resp. - (João Viegas Soares) - Acho que mais do que obrigar a que exista esse espaço, se exija um mínimo de qualidade e existam estruturas para que essa qualidade exista. Essa lei vai obrigar a que se produza mais música e da melhor qualidade, para se ocupar esse espaço. Apesar de ser uma lei que considero insuficiente e incontrolável, acho que é positiva, e as leis surgem, não para criar situações novas mas em função das que já existem. Se foi preciso criar essa lei, é porque de facto estava a aparecer música portuguesa com qualidade para poder passar na rádio. É uma lei que surge para defender a música portuguesa e, na minha opinião, pode vir a ter efeitos positivos em relação à quantidade.
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27/09/10

D'Outrora... "De Fio a Pavio"

Primeira parte de uma entrevista feita no início dos anos 80, a um conjunto de jornalistas responsáveis pelo programa "De Fio a Pavio", da Rádio Renascença.

"De Fio a Pavio" é um dos muitos programas que preenchem parte da emissão da Rádio Renascença, aos domingos. Segundo um dos elementos deste programa, trata-se de um magazine de informação, o que se nota logo à primeira audição.
É um programa feito por jovens, cujas idades estão compreendidas entre os 19 e os 26 ano e, apesar de ser recente, já está a alcançar um certo sucesso junto dos ouvinte da Rádio Renascença.
O apresentador é o Rui Pego e da equipa deste programa fazem parte quatro jornalistas que se ocupam das entrevistas para as quais é convidado uma figura pública, que vai pronunciar-se sobre os mais diversos temas. Essa equipa de quatro jornalistas é composta pelo Carlos Ribas, Miguel Lemos, João Viegas Soares e Nuno Jonet.
Perg. - Em primeiro lugar, e devido à vossa idade, a pergunta que se impõe é se já tinham tido alguma experiência em termos radiofónicos?
Resp. - (Nuno Jonet) - Não muito. A minha experiência era em termos de informação, ao nível de noticiários. O Miguel e o Rui tiveram alguma experiência em Angola.
(Miguel Lemos) - Sim, eu e o Rui tivermos dois programas na emissora nacional de Angola, que foram o "Módulo K" e "A Voz do Estudante". Quanto ao João Soares, esta é a sua primeira experiência em termos de rádio.
Perg. - Quais os vossos objectivos ao fazerem o programa?
Resp. - (Miguel Lemos) - O nosso principal objectivo é informar, divulgar acontecimentos que dizem respeito às nossas vidas, como por exemplo política, espectáculos, etc.
(João Viegas Soares) - Nós fazemos um grande esforço no sentido de que a informação seja dada de uma maneira leve. Pensamos que, na rádio, a informação deve ser envolvida de aspectos que facilitem a sua apreensão e fazemos os possíveis por isso, no sentido que as notícias sejam comentadas e rodeadas de conversa com um convidado que temos semanalmente. A nossa informação é um tipo de informação leve e acessível, sem nos preocuparmos com discursos políticos.
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