27 October 2014


Data - 25 de Outubro de 2014
Local - Discoteca Lux Frágil
Notas - Inserido nas comemorações dos 20 anos da Galeria Zé dos Bois, o concerto de Ty Segall decorreu na Discoteca Lux, na já habitual sala de concertos.
Com lotação esgotada há já alguns dias, era grande a expectativa para assistir à actuação deste músico americano, nascido no dia 08 de Junho de 1987 em Laguna Beach, e que trazia a Portugal a apresentação do seu mais recente disco, "Manipulator", editado pela label Drag City.
Se alguém tem dúvidas que ainda existe rock puro, assista a um concerto de Ty Segall, músico detentor de uma imensa discografia, não só em nome próprio mas também em diversos projectos como por exemplo, Epsilons, Fuzz, ou ainda a colaboração com os White Fence.
Neste concerto, que durou perto de hora e meia, Ty Segall bem-disposto, imparável, com grandes solos de guitarra e muito ritmo, transformando a plateia do Lux Frágil, numa gigante sala de Crowd Surfing, praticamente da primeira à última música.
Som alto, solos de guitarra, bons riffs e grandes distorções, a fazerem lembrar que o Rock'n'Roll jamais acabará. Pode estar a passar um momento menos bom, mas existe, e Ty Segall, à semelhança de Jack White é um dos nomes mais importantes da actualidade nesse panorama musical.
Na primeira parte tocaram os desconhecidos JC Satan, banda de Bordéus, França, que, apesar de serem desconhecidos, conseguiram agarrar o público, com o seu rock pais pesado, por momentos à beira do Punk Hardcore.

26 October 2014

Scott Walker and Sunn O))) - Soused

Editado pela conceituada 4AD, Scott Walker com a colaboração do duo Sunn O))), traz-nos este magnífico "Soused", um disco que tem tanto de estranho como de belo.
A sua voz de barítono, aliada à sonoridade proporcionada por Greg Anderson e Stephen O'Malley do duo Sunn O))), que por sua vez se aliam ao guitarrista Tos Nieuwenhizen, e ainda ao teclista Peter Walsh, que normalmente acompanha Walker, criam uma atmosfera musical quase indescritível, pesada e densa.
Se existem discos nos quais a base instrumental é importante pelo ritmo criado, neste "Soused" essa base funciona como um complemento à voz de Walker, que ao narrar mais do que cantar, funciona como um complemento a uma estrutura musical completamente ausente de ritmo, mas repleta de sonoridades e pequenos pormenores, que abrilhantam um música complexa e de uma audição que não é propriamente fácil.
Uma panóplia de sons, ruídos, guitarras distorcidas com uma sonoridade metálica, uma bateria que irrompe de vez em quando sem ser na sua forma tradicional, um sino, um grito aqui e ali, teclas que surgem esporadicamente, sintetizadores, tudo de forma caótica mas em simbiose perfeita com a voz de Walker, que quando começamos a escutar soa estranha, mas apesar disso prende-nos, e este é um daqueles trabalhos que começamos a ouvir e muito dificilmente conseguimos parar de o fazer até que o disco termine, e quando isso acontece, parece que o faz de forma abrupta.
A pergunta que pode ficar no ar é se será que termina mesmo de forma abrupta ou será que o prazer da audição nos faz pensar assim?

01 - Brando
02 - Herod 2014
03 - Bull
04 - Fetish
05 - Lullaby

Nota - 8.5 / 10

23 October 2014

Ao vivo... Conor Oberst

Data - 22 de Agosto de 2014
Local - Praia do Taboão - Paredes de Coura
Notas - "Não sei como, já toquei 50 vezes em todo os países da Europa e nunca cá tinha vindo". Estas foram algumas das palavras de Conor Oberst na sua estreia em Portugal.
Por incrível que pareça, este músico nascido em Omaha, nos Estados Unidos no dia 15 de Fevereiro de 1980, é detentor de uma discografia imensa nos vários projectos em que participa, ou participou.
Commander Venus, Desaparecidos, Monsters of Folk, Park Ave., The Faint e, ainda os Bright Eyes formados em 1995 e que lançaram o seu primeiro disco "Letting Off The Happiness" em 1998.
Desde então, a carreira de Oberst incidiu, básicamente, nos Bright Eyes, editando uma dúzia de discos, tendo praticamente todos eles obtido boa aceitação por parte do público americano e europeu, exceptuando Portugal, e talvez tenha sido esse o motivo para nunca terem passado por cá.
Finalmente este ano, ao fim de muitos anos de carreira, Conor Oberst passou por Paredes de Coura. Fazendo-se acompanhar pelos Dawes, banda que momentos antes tinha actuado em nome próprio no palco secundário, Oberst esforçou-se e deu um bom concerto para uma plateia um pouco despida, mas que não conseguiu empolgar apesar da empatia criada entre o músico e o público.
Foi pena, e foi com notória melancolia que Conor Oberst se despediu da banda que o acompanhou pois, segundo ele, este seria o último concerto com os Dawes nesta tournée, pois o grupo liderado por Taylor Godsmith regressaria à Califórnia no dia seguinte; Oberst afirmou que "é como ficar sem o braço direito e o esquerdo ao mesmo tempo".
No final do concerto, ao despedir-se do público, o músico de Omaha que editou este ano o bom disco "Upside Down Mountain" garantiu querer "voltar muito em breve".
Espera-se que sim e que, desta vez, consiga ter o público rendido, pois é um músico de grande nível.

21 October 2014

Ao vivo... Goat

Data - 23 de Agosto de 2014
Local - Praia do Taboão - Paredes de Coura
Notas - Sobre esta banda, pouco se sabe; ou melhor nada; não, quase nada.
Sabe-se que são oriundos da Suécia. Mais nada, pois não se sabe quem são.
Sabe-se que gravaram três discos, "World Music" em 2012,  "Live Ballroom Ritual" em 2013 e Commune" em 2014.
Só isto, nada mais.
Sabe-se que, em palco e com os rostos escondidos atrás de máscaras, estes excelentes músicos dão concertos soberbos, repletos de energia, de danças tribais, misturas de World Music com rock puro e duro, sons psicadélicos completamente em transe, alucinados e alucinam quem os vê, com uma anarquia total em palco. Difícil de descrever.
Um concerto inesquecível. Soberbo.

19 October 2014

Perfume Genius - Too Bright

"Too Bright" é o terceiro disco de Perfume Genius (Mike Hadreas), e de certo modo marca uma ruptura com os trabalhos editados anteriormente.
Se em "Learning" (2010) e "Put Your Back N2 (2012), a sua música era extremamente fechada, virada para dentro e centrada em si mesmo, com uma estrutura intima, belíssima, assente em voz e piano, neste disco isso não é tão evidente, apesar de estarmos, novamente, perante uma obra introspectiva.
Se em "I Decline", "Too Bright, ou mesmo "All Along", ainda são notórias algumas semelhanças com os discos anteriores apesar de alguns pormenores de orquestra, nos restantes temas isso não acontece, recorrendo Hadreas a diversas experiências sonoras, como por exemplo em "Grid", "My Body", ou  ainda em "I'm a Mother", onde, através de devaneios vocais, são evidentes as influências que este jovem músico tem, de uma das divas da música independente avant-garde, Diamanda Galás.
Com piano, sintetizadores, voz e orquestra, e com a colaboração do Portishead Adrian Utley e ainda de John Parish, colaborador habituar de PJ Harvey, Perfume Genius apresenta-nos um disco de grande nível, menos intimo, com música menos calma do que aquela a que nos habituou, mas, apesar disso, toda a sua ternura e sensualidade musical estão lá, tanto em temas como "Queen" ou "Fool" com partes musicais a "dois tempos", ou ainda "Longpig" e "My Body" à base de sintetizadores e experiências sonoras, não podendo, de modo algum, ficarmos alheios à beleza de "Don't Le Them In" com uma harpa verdadeiramente deliciosa, ou  "All Along", o fabuloso tema que encerra aquele que será, seguramente, um dos melhores discos deste ano.

01 - I Decline
02 - Queen
03 - Fool
04 - No Good
05 - My Body
06 - Don't Let Them In
07 - Grid
08 - Longpig
09 - I'm a Mothger
10 - Too Bright
11 - All Along

Nota - 9/10

17 October 2014

Ao vivo... Cats

Data - 10 de Outubro de 2014
Local - Campo Pequeno
Notas - Baseado na obra de TS Eliot e música de Andrew Lloyd Webber, o musical Cats regressou a Lisboa para mais uma série de representações e, mais uma vez, de lotações esgotadas.
A estreia desta peça aconteceu em Londres no New London Theatre em Maio de 1981 onde esteve em cena durante 21 anos.
Para além do êxito londrino, Cats também obteve enorme sucesso na Broadway, estando em exibição mais de duas décadas, e este ano foi a terceira vez que o espectáculo passou por Portugal.
Depois do êxito verificado em 2004 e 2006, com um total de mais de 200 mil espectadores, este ano a proeza repetiu-se, esgotando praticamente todas as sessões.
Um espectáculo interessante e de grande nível, com uma banda-sonora de excelência, mas fica a ideia que é demasiado longo.

16 October 2014

Ao vivo... bEEdEEgEE

Data - 15 de Outubro de 2014
Local - Galeria Zé dos Bois
Notas - Somente cerca de 40 pessoas marcaram presença na noite de ontem, na Galeria Zé dos Bois, para assistir ao concerto de bEEdEEgEE (Brian DeGraw), membro dos Gang Gang Dance. DeGraw proporcionou um concerto de pouco mais de uma hora e, sendo certo que não desiludiu, também se pode afirmar que não conseguiu empolgar uma plateia bastante despida e algo fria. Apesar da sua música ser propícia à dança, e apesar de ser expectável que o aquário se pudesse transformar numa pista de dança, isso não aconteceu, e nem o som de excelente nível conseguiu vencer a apatia de muitos dos presentes. Não sendo um mau concerto, esteve muito longe de ser excelente, ficando a vontade de descobrir mais da obra deste músico que editou no ano passado, para a conceituada 4AD, o trabalho "Sum/One".
Na primeira parte actuou Jejuno (Sara Rafael), com um estilo musical electrónico, minimalista e com laivos de psicadelismo caótico. Apesar de ter estado em palco cerca de 40 minutos, acabou por se tornar cansativo.

13 October 2014

Ao vivo... Thurston Moore

Data - 21 de Agosto de 2014
Local - Praia do Taboão - Paredes de Coura
Notas - Por incrível que pareça, o ex-Sonic Youth, Thurston Moore tocou no palco secundário da edição deste ano do Festival Paredes de Coura.
Fazendo-se acompanhar pelo também ex-Sonic Youth Steve Shelley, na bateria, e por Debbie Googe dos My Bloody Valentine, no baixo, Thurston Morre esteve, como era expectável em excelente nível.
Outrora considerado um dos cinquenta melhores guitarristas de sempre, e quando se aproxima a edição de um disco novo, "The Best Day", Moore continua igual a si próprio, ou seja, afável, e também uma entrega total à música, como se fosse um jovem acabado de chegar e estivesse em início de carreira.
Impressionante a sua qualidade musical e a sua presença em palco, garantindo sempre um bom espectáculo, seja numa vertente com sonoridades mais aguerridas ou com mais distorções e divagações musicais, que, diga-se de passagem, estiveram um pouco ausentes do alinhamento deste concerto, cuja base foi o disco a editar durante o mês de Outubro.

08 October 2014

Ao vivo... Morrissey

Data - 06 de Outubro de 2014
Local - Coliseu dos Recreios
Notas - Morrissey apareceu, e durante cerca de uma hora e trinta minutos saciou a vontade e o desejo do público que praticamente encheu o Coliseu dos Recreios
Apesar de ter deixado de fora alguns dos seus grandes sucessos - outra coisa não seria de esperar de alguém como Morrissey, músico detentor de uma discografia de grande nível quer a solo quer com os The Smiths, e também de um feitio um pouco especial - o concerto esteve sempre em bom nível.
Com início marcado para as 21 horas, eis que o evento começa com uma projecção de várias imagens e clips musicais que foram desde os Ramones a Charles Aznavour, passando pelos New York Dolls, banda que sempre foi uma referência para Moz.
Esta sessão "cinematográfica" durou cerca de 30 minutos, começando a criar alguma ansiedade no público sobre se iria ou não haver concerto, uma vez que com Morrissey as coisas nem sempre correm conforme o previsto, ou desejável.
Desejável era poder ouvir alguns temas dos Smiths, e houve, logo a abrir com "The Queen is Dead" enquanto eram projectadas no palco duas imagens da rainha de Inglaterra com o dedo do meio esticado. E que boa forma de agarrar o público ao dar início à noite com um dos clássicos da mítica banda de Manchester.
Seguiram-se vários temas de discos da carreira a solo de Morrissey, não podendo deixar de assinalar que de um dos seus mais conhecidos álbuns "You Are The Quarry" de 2004, apenas tenha sido tocado o tema "First of The Gang To Die", que encerrou o encore e o concerto, mas mesmo este tema foi completamente despido de toda a sua energia, sendo apresentado numa versão mais acústica e que não funcionou tão bem como poderia funcionar, mas, mais uma vez, com Morrissey, as coisas são como ele quer, e ele quis, basicamente, fazer a divulgação do seu mais recente disco "World Peace Is None Of Your Business" de 2014, do qual tocou oito temas, "Earth Is The Lonelieste Planet", "Istambul", "Neal Cassady Drops Dead", "The Bullfighter Dies", I'm Not a Man, "Kiss Me a Lot", "One of Our Own" e "World Peace IsNone of Your Business".
Para além destes temas, tocou ainda alguns de "Years of Refusal" de 2009, "Vauxhall and I" de 1994 e "Your Arsenal" de 1992.
Quanto a Smiths, "The Queen is Dead", "Hand In Glove", "Asleep" e a incontornável "Meat is Murder", durante a qual foram projectadas em palco imagens verdadeiramente impressionantes da forma como os animais são tratados, uma luta antiga de Morrissey, e, verdade seja dita, foi impressionante, funcionando como um murro no estômago que fez com que ficássemos siderados, impávidos e serenos, a assistir a uma verdadeira barbárie. Repito, impressionante e marcante.
Em jeito de resumo:
- A voz de Morrissey continua soberba e muito bem tratada.
- Uma excelente banda a acompanhá-lo.
- O alinhamento, apesar de não ser best of, foi coerente, sendo evidente a postura mais calma de Moz.
- Meat is Murder, seguramente, o momento marcante da noite. Pela brutalidade das imagens e pela força da canção, tenho muitas dúvidas que alguém conseguisse ingerir um prato de carne após o concerto. Arrasador e brutal, pela brutalidade das imagens.
- Morrissey provocador: o primeiro agradecimento surgiu em castelhano. As T-Shirts da banda, onde se podia ler "Fuck Harvest" em jeito de homenagem ao seu anterior editor discográfico, com quem se incompatibilizou recentemente.
- Morrissey de convicções e lutador, ao insistir na sua guerra antiga contra os maus tratos aos animais e as cadeias de Fast Food.
- Morrissey sedutor e igual a ele próprio: dá tudo o que tem, não fala muito, mas isso também não é importante.
O importante é que ele apareceu e deu um grande concerto, um daqueles que perdurará na memória de quem teve a oportunidade de o ver.
Seria bom que voltasse, mas com Morrissey, as coisas nunca são como queremos; são como ele quer.
É a sua imagem, a sua mística, e isso faz dele um dos mais fantásticos e idolatrados músicos.

07 October 2014

Setlist... Morrissey

Setlist do concerto de Morrissey no Coliseu dos Recreios, 06 de Outubro de 2014

The Queen is Dead (Smiths)
Speedway
Certain People I Know
The Bullfighter Dies
Kiss Me a Lot
I'm Throwing My Arms Around Paris
World Peace Is None Of Your Business
Istambul
Neal Cassady Drops Dead
Earth Is The Loneliest Planet
Trouble Loves Me
Kick The Bride Down The Aisle
One Of Our Own
I'm Not A Man
Hand in Glove (Smiths)
Meat Is Murder (Smiths)
One Day Goodbye Will Be Farewell
Asleep (Smiths)
First of The Gang To Die

03 October 2014

Ao vivo... The National

Data - 21 de Novembro de 2013
Local - Meo Arena
Notas - Pela décima primeira vez, os The National actuaram em Portugal. Matt Berninger (voz), Scott Devendorf (baixo), Bryan Devendorf (bateria), Aaron Dessner (guitarra) e Bryce Dessner (guitarra), não conseguiram encher a Meo Arena, mesmo com o palco situado a pouco mais de meio do recinto.
Na digressão de promoção ao seu mais recente álbum "Trouble Will Find Me", do qual tocaram nove temas, o grupo de Brooklyn aventurou-se a fazer espectáculos em salas de maior dimensão, apesar do carácter mais intimista do disco.
Apesar do recinto da MEO Arena estar muito longe de bem composto, os National proporcionaram um concerto de grande nível no país que, segundo Berninger "quando ninguém nos ligava, já nos apoiava. Somos a banda mais sortuda do mundo".
Bom concerto.
A primeira parte esteve a cargo dos This is The Kit

02 October 2014

Ao vivo... Franz Ferdinand

Data - 21 de Agosto de 2014
Local - Praia do Taboão - Paredes de Coura
Notas - Mais uma vez de regresso a Portugal, e mais uma vez para um excelente concerto, os Franz Ferdinand, liderados por um Alex Kapranos animaram Paredes de Coura.
Com o seu rock simples e directo, com temas curtos que são, na sua maioria autênticos hits, o grupo apresentou temas dos quatro álbuns de originais já editados, com principal incidência no disco homónimo de 2004 e também "Right Thoughts Right Words Right Action" de 2013, trabalho com que o grupo recuperou algum do prestígio perdido com "Tonight" de 2009, disco este que ficou (na altura) muito aquém das expectativas.
Inesquecível o final com This Fire, tema em que o público entrou em delírio, saltou, sentou-se, cantou, e participou na canção seguindo a "batuta" de Alex Kapranos.
Seguramente um dos melhores e mais animados concertos da edição deste ano do Festival Paredes de Coura.
01 - No You Girls
02 - The Dark of The Matinée
03 - Right Action
04 - Tell Her, Tonight
05 - Evil Eye
06 - Do You Want To
07 - The Fallen
08 - Walk Away
09 - Stand On The Horizon
10 - Can't Stop Feeling
11 - Auf Achse
12 - Bullet
13 - Michael
14 - Take Me Out
15 - Love Illumination
16 - Ulysses
17 - Outsiders

Encore

18 - Jacqueline
19 - Darts of Pleasure
20 - Goodbye Lovers and Friends
21 - This Fire