17/12/11

09/12/11

Setlist... Smashing Pumpkins

Setlist do concerto dos Smashing Pumpkins, no dia 08 de Dezembro, no Campo Pequeno.

01 - Quasar
02 - Panopticon
03 - Starla
05 - Greek USA
06 - Muzzle
07 - Window Pane
08 - Lightning Strikes
09 - Soma
10 - Siva
11 - Oceania
12 - Frail and Bedazzled
13 - Silverfuck
14 - Pinwheels
15 - Pale Horse
16 - Thru The Eyes Of Ruby
17 - Cherub Rock
18 - Tonight, Tonigh

Encore

19 - Today
20 - Zero
21 - Bullet with Butterfly Wings

22/11/11

Rosebuds - Loud Planes Fly Low

No mês em que celebraram o seu casamento, Maio de 2001, Ian Howard (voz e guitarras) e Kelly Crisp (teclados), decidiram formar os Rosebuds, em Wilmington, na Carolina do Norte.
Sem nunca abdicarem do conceito de duo, convidam Billy Alphi para baterista do grupo, e em 2003 editam através da conceituada label Merge, o primeiro longa-duração do grupo, “The Rosebuds Make Out”, disco que foi muito bem recebido pela crítica e pelos circuitos da música independente americana. Após a edição deste disco, Alphi, deixa o grupo e é substituído por Jonathan Bass, que mais tarde é substituído por Waters Lee para a gravação do segundo disco do grupo, “Birds Make Good Neighbors”, em 2005, disco este que ficou um pouco aquém do seu antecessor.
Com uma cada vez maior predominância do conceito duo, a música do grupo torna-se muito mais introspectiva e pessoal, e o grupo vai colmatando a parte da bateria através de convites que vão sendo feitos a vários músicos, à medida que vai sendo necessário. É neste espírito que é editado o terceiro disco, “Night Of The Furies” em 2007, com Matt McCaughan na bateria e os Shout Out Louds no apoio ao nível de coros, o que acaba por se tornar uma mais valia para a música e sonoridade do duo.
Em 2008 é editado “Life Like”, e após a edição deste disco Howard junta-se a um novo projecto, os “Gayngs”, uma espécie de super-grupo de que também faz parte Bon Iver e que edita "Relayted" em 2010, dentro de um estilo totalmente diferente dos Rosebuds, mais próximo do Trip-Hop, e para além deste novo projecto e, para além disto, Howard e Kelly divorciam-se mas decidem manter o grupo.
É com toda esta envolvência e ambiente que é elaborado, produzido, e editado já em 2011, este “Loud Planes Fly Low”, para o qual convidam Chris Stamey e BJ Burton, como produtores. A música do grupo surge diferente, mais calma e mais melódica, como se fosse necessário aos elementos do grupo relaxarem.
Composto por dez temas calmos, vozes e melodias suaves, quase ausentes de densidade com excepção de "Woods" e "A Story", trata-se de um disco extremamente agradável de se ouvir e sentir, pois é bastante melódico e intimista.

01 - Go Ahead
02 - Limitless Arms
03 - Second Bird of Paradise
04 - Come Visit Me
05 - Without a Focus
06 - Waiting for you
07 - Woods
08 - A Story
09 - Cover Years
10 - Worthwhile

Nota - 7.7 /10

21/11/11

Setlist... GNR

Alinhamento do concerto dos GNR, no Coliseu de Lisboa:

Reis do Roque
Video Maria
Sete Naves
Asas Eléctricas
Efectivamente
Ana Lee
Bellevue
Sangue Oculto
Piloto Automático
Mais Vale Nunca
Vocês
Burro em Pé
Pronúncia do Norte
Cais
Voos Domésticos
Las Vagas
Únika
Popless
Morte ao Sol
Dunas
Inferno

Encore

Sangue Oculto (versão original)
Espelho Meu / Portugal na CEE
Sexta-feira

15/11/11

Sigur Rós - Inni

Este é o primeiro trabalho ao vivo editado pelos islandeses Sigur Rós. Se nos registos em estúdio os créditos do grupo já estavam mais do que confirmados através da edição de vários discos, todos eles de grande qualidade, a expectativa para a edição de um trabalho ao vivo era imensa, pois podia surgir uma certa dificuldade do grupo conseguir reproduzir a sua sonoridade intimista num ambiente ao vivo, o que felizmente não se verificou.
A excelente e melodiosa voz de Jónsi, a perfeição da execução musical, e a sonoridade do grupo, estão presentes neste disco ao vivo, como se de um disco de estúdio se tratasse.
Já tive a oportunidade de assistir a um concerto dos Sigur Rós, no dia 16 de Julho de 2006 no Pavilhão Atlântico, e recordo-me que na altura fiquei extremamente surpreendido por o grupo conseguir transpor para o conceito "ao vivo" os trabalhos de estúdio, com um preciosismo impressionante, o que faz com que não possa considerar uma grande surpresa a sonoridade do grupo neste "Inni".
É lógico que a música dos Sigur Rós, dada a sua complexidade e o seu cariz conceptual, não se pode enquadrar naquele género que se possa ouvir em qualquer altura ou qualquer lugar, pois é preciso existir um ambiente adequado e uma fonte sonora de qualidade para, desse modo, se poder desfrutar de toda a sua magia e qualidade.
Apesar de não ser um disco composto por temas originais, e devido a toda a sua envolvência, é um disco altamente recomendável, do qual não é possível destacar um ou outro tema, pois a música deste grupo e toda a sua obra, primam por uma enorme complexidade que só a enaltece. Sendo um estilo música que não tem rigorosamente nada de comercial, é fascinante.
"Inni" é um disco duplo, ao vivo, que merece toda a atenção.

Svefn-g-englar
Glósóli
Ny Batteri
Fljóavik
Vlô Spilum Endalaust
Hoppipolla
Meô Blóônasir
Inni Mér Syngur Vitleysingur
E-Bow
Saeglópur
Festival
Hafsol
All Allright
Lúppulagió

Nota - 7.5/10

05/11/11

Walkabouts... Travels In The Dustland

Seis anos após a edição do seu último álbum de originais, "Acetylene", os Walkabouts estão de regresso às edições discográficas, com um disco surpreendente.
Este "Travels In The Dustland" surpreende, não porque exista uma inovação na música do grupo, ou surja algum pormenor peculiar em termos de produção ou sonoridade. Nada disso: este disco surpreende pelo seu equilíbrio, pela sua vertente melodiosa e sedutora, e pela sua qualidade.
Os Walkabouts, formaram-se em 1984 na cidade de Seattle. que na altura vivia o período áureo do grunge. Mais de vinte e cinco anos depois, o grupo liderado por Chris Eckman e Carla Torgerson continua a ter a capacidade de nos presentear com bons discos, e demonstrar que a sua criatividade se mantém incólume.
"Travels In The Dustland" é composto por onze canções, algumas cantadas por Carla Torgerson, outras por Chris Eckman e uma delas em forma de dueto.
Logo a abrir o disco, surge "My Diviner", com o som de uma slide guitar que permanece durante toda a música a servir de base à sedutora voz de Carla, num tema em jeito de balada, daquelas que só eles sabem fazer tão bem e que nos cativam à primeira audição.
Em "The Dustlands" e "Soul Thief", é a vez de Chis Eckan entrar em acção para dois temas menos calmos, mas sempre melódicos e com bons pormenores em termos instrumentais. Se no segundo tema do disco a voz de Chris aparece algo distorcida, o que na minha opinião era perfeitamente evitável, já em "Soul Thief", um tema forte para espectáculos ao vivo, aparece naquele tom a que nos habituou, quer como membro dos Walkabouts, quer na sua carreira a solo.
Segue-se "They Are Not Like US", que nos traz um dos momentos mais belos do disco. Carla, num tema extremamente calmo, é acompanhada básicamente por um piano, e em algumas partes ouve-se a voz de Chris em jeito de sussurro, numa canção maravilhosa e com o poder de nos relaxar, aquele poder que só algumas canções têm, e só alguns músicos o conseguem transmitir.
Os Walkabouts são peritos nisso, mas também são peritos em nos despertar para a realidade e fazer com que voltemos a vibrar com temas mais enérgicos como "Thin Of The Air", com a predominância da voz de Carla acompanhada pelo sussurro de Chris, desta feita num tema mais ritmado e com uma excelente parte orquestral. Não sendo um dos bons temas do disco, ouve-se com bastante agrado, bem como o tema que se segue, "Rainmaker Blues", cantado por Chris e onde são visíveis algumas influências que o grupo tem de Blues. No entanto, estes dois temas são, na minha opinião, os menos conseguidos deste disco.
Segue-se o tema mais longo do disco, "Every River Will Burn", e, como em todos os temas longos da discografia dos Walkabouts, ficamos maravilhados com os pormenores musicais das guitarras que só este grupo consegue fazer, principalmente através dos "dedos" de Carla Torgerson. Aquela forma de tocar em que se entra no acorde seguinte sem se sair do anterior é algo que a mim me fascina, e Carla Torgerson faz isso melhor do que ninguém, criando um elo de ligação entre cada acorde. Neste tema, o solo de Carla pode estar longe do brilhantismo de "Train to Mercy" do álbum "Scavenger", mas é na mesma fabuloso, como fabuloso é o solo do tema seguinte, "No Rhyme, No Reason", cantado por Chris Eckman, num estilo mais rock, e que antecede o melhor tema deste disco, a balada "Wild Sky Reverly". Com um fundo musical em que sobressai o som da slide guitar e de um piano, a voz de Carla Torgerson é simplesmente bela, numa canção ideal para ouvir num bar em ambiente de fim de noite, quando os nossos corpos estão cansados de mais um dia em que sobrevivemos num mundo cada vez pior, numa sociedade sem valores. Esta música tem o dom de conseguir com que nós a interiorizemos, e dessa maneira transporta-nos para longe, não para um mundo perfeito pois esse não existe, mas sim para um ambiente em que nos conseguimos alhear das coisas más que nos rodeiam, e são estes pequenos momentos e prazeres que fazem com que a música deste grupo seja, acima de tudo, bela.
Depois de um raro momento de beleza, eis que surge "Long Drive In a Slow Machine", cantado por Chris Eckman naquele que será, seguramente, o melhor tema deste disco para ser tocado ao vivo. Bem ritmado, um refrão fácil e contagiante, a boa voz de Chris Eckman e um excelente solo de guitarra de Carla Torgerson, fazem com que este seja o eleito para para criar um ambiente de apoteose em final de concerto.
E, para terminar, nada melhor do que mais uma balada, desta vez em jeito de dueto, com Chris e Carla. "Horizon Fade", não sendo um tema brilhante, é aquele tipo de canção que num disco pode ser entendido como uma espécie de agradecimento por parte do grupo a quem os ouviu, mas quem tem de agradecer, é quem ouve, pois a música dos Walkabouts faz-nos felizes.

01 - My Diviner
02 - The Dustlands
03 - Soul Thief
04 - They Are Not Like Us
05 - Thin Of The Air
06 - Rainmaker Blues
07 - Every River Will Burn
08 - No Rhyme, No Reason
09 - Wild Sky Reverly
10 - Long Drive In a Slow Machine
11 - Horizon Fade

Nota - 9/10

P.S. - Vi Walkbouts no dia 09 de Outubro de 2009 na Aula Magna em Lisboa, no dia 10 de Outubro no Hard Club em Vila Nova de Gaia e no dia 12 de Agosto de 2000 em Paredes de Coura.
Espero que voltem a Portugal este ano, ou em 2012. Se vierem, eu vou.

26/10/11

Tom Waits - Bad As Me

Apesar de já andar nisto há cerca de 40 anos e de contar com mais de 20 discos de originais editados, sempre que se suspeita estar para breve a edição de um novo disco de Tom Waits, a expectativa é imensa.
Desde o dia em que se começou a levantar a ponta do véu sobre "Bad As Me", até à sua edição, a curiosidade de o ouvir (para não dizer devorar) foi crescendo e, finalmente, é agora possível apreciar o mais recente trabalho deste génio nascido em 07 de Dezembro de 1949.
"Bad As Me" surge sete anos após o último trabalho de originais, "Real Gone" e, ao terminar uma primeira audição do disco, a reacção é imediata e espontânea: estamos perante um Tom Waits ao seu melhor nível. Quarenta anos volvidos, a sua música continua a ser de grande qualidade e inconfundível, como acontece logo com o tema de abertura "Chicago", e que nos leva a pensar que Tom Waits regressa a uma base musical de Blues, apesar da aparente anarquia que é a sua música, anarquia essa que continua em "Raised Right Men", tema em que se sente o respirar do Blues ouvido nos bares norte-americanos, aqueles bares que nos acostumámos a ver nos filmes, onde a música soa de forma suave, com um leve toque de Jazz, em versão Cabaret.
A primeira grande surpresa do disco, surge logo à terceira música, "Talking At The Same Time", uma balada bonita em que Tom Waits aparece com uma voz extremamente melódica e suave, uma voz muito diferente daquela com que o identificamos, uma voz que torna esta música uma das mais belas deste disco, um disco onde a anarquia musical de Waits alterna frequentemente com baladas deliciosas, algumas quase com espírito natalício.
Se ao ouvirmos temas como "Chicago", "Raised Right Men", "Get Lost", "Bad As Me", "Satisfied" e "Hell Broke Luce", deparamos com o Tom Waits do costume na já referida anarquia musical muita vez apelidada de esquisita, se bem que desta vez numa base rítmica Blues, em temas como "Talking At The Same Time", "Face To The Highway", "Play Me", "Back In The Crowd", "Kiss Me", "Last Leaf", "New Year's Eye", somos transportados de uma forma suave e inebriante para os bares e para as paisagens norte-americanas, para aquelas viagens que fazem parte do nosso imaginário.
A voz de Tom Waits, mesmo a mais "agressiva", consegue irradiar ternura e, ao fazê-lo, torna-se bela e mágica.

01 - Chicago
02 - Raised Right Men
03 - Talking At The Same Time
04 - Get Lost
05 - Face To The Highway
06 - Pay Me
07 - Back In The Crowd
08 - Bad As Me
09 - Kiss me
10 - Satisfied
11 - Last Leaf (dueto com Keith Richards)
12 - Hell Broke Luce
13 - New Year's Eye

Nota - 9/10

22/09/11

Recortes... REM

Os REM, foram uma das maiores bandas dos últimos anos. Não faço esta afirmação na sequência do anúncio feito pelo grupo, pois sempre os considerei, juntamente com os Rolling Stones, uma das duas últimas grandes bandas (no activo) da história da música.
Sem a longevidade dos Stones, a banda liderada por Michael Stipe, formou-se em 1980 e editou 15 álbuns de originais, entre os quais destaco "Murmur (1983)", "Reckoning (1984)" e o incontornável "Automatic For The People (1992)", numa carreira repleta de êxitos e belíssimas canções, magistralmente executadas por excelentes músicos.
Tive a felicidade, pois foi disso que se tratou, de os ter visto ao vivo duas vezes, nos anos de 1999 e 2005, no Pavilhão Atlântico. Lembro-me perfeitamente da presença de Michael Stipe em palco, do virtuosismo de Peter Buck na guitarra, e do inesquecível Mike Bills, um dos melhores baixistas que tive a oportunidade de ouvir tocar. Pelo grupo passou ainda Bill Berry, que se retirou da música em 1997.
Ontem, dia 21 de Setembro de 2011, foi anunciado o fim do grupo, o fim de uma das maiores bandas dos últimos anos, mas que nos deixou um "legado" de 15 discos, alguns deles intemporais e que continuaremos a ouvir com o mesmo prazer de sempre.

11/08/11

Peter Murphy - Ninth

Sete anos após a edição do seu último disco "Unshaterred", Peter Murphy regressa com este "Ninth".
Apresentando uma sonoridade ligeiramente diferente, "Ninth" é composto por onze temas que Peter Murphy tem tocado nos seus espectáculos, e isso nota-se, com uma música mais densa e com um sobressair de guitarras a que não estávamos habituados nos mais recentes trabalhos do músico.
"Ninth" é um trabalho de estúdio mas com pormenores de disco ao vivo, funcionando não como algo que se possa dizer fechado, mas sim solto, em que os músicos não parecem estar amarrados a algo pré-definido, pois o ambiente dos espectáculos ao vivo é recriado perfeitamente.
Se é possível afirmar que existe uma ausência de temas com melodias sedutoras, como por exemplo "Subway" ou "Cuts You Up", que têm uma sonoridade inebriante, já a voz de Peter Murphy continua excelente, desta vez abrilhantada por uma estrutura musical diferente e que acaba por aproximar Murphy do movimento gótico, fazendo jus à fama de que ele e os seus "Bauhaus" são os pais desse movimento.
Lembro-me de há uns anos ter assistido a um concerto de Peter Murphy no Festival do Sudoeste, e a entrada do músico em palco, por coincidência, foi acompanhada por um nevoeiro cerrado que cobriu parte da Herdade da Casa Branca. O seu corpo esguio, aliado à sua característica voz e ao ambiente criado pelo nevoeiro, deram origem a um dos melhores momentos musicais e cénicos de que lembro.
A música deste "Ninth" é isso tudo, escura e melodiosa, densa e sedutora, mística e forte, que proporcionará, seguramente, grandes espectáculos ao vivo.
Um excelente disco que termina com uma canção do melhor que Murphy fez até hoje, "Crème de la Crème".

01 - Velocity bird
02 - Seesaw Sway
03 - Peace To Each
04 - I Spit Roses
05 - Never Fall Out
06 - Memory Go
07 - The Prince & Old Lady Shade
08 - Uneven & Brittle
09 - Slowdown
10 - Secret Silk Society
11 - Crème de La Crème

Nota - 8.5/10

10/08/11

Bonde Redhead - Penny Sparkle

A sonoridade, o experimentalismo e a melodiosa voz de Kazu Makino em alguns temas, fazem com que os Blonde Redhead sejam, muitas vezes, comparados aos Sonic Youth, se bem que a a música deste grupo não tenha tanto experimentalismo, nem brilhantismo, como a dos Sonic Youth.
Os japoneses Kazu Makino (guitarra e voz) e Maki Takahashi (baixo), juntaram-se aos italianos Simone (bateria) and Amedeo Pace (guitarra e voz) para formarem o grupo em 1993, lançando o primeiro disco, "Blonde Redhead", em 1995 e com produção de Steve Shelley, baterista dos Sonic Youth, o que talvez tenha influenciado a sonoridade da banda. Algum tempo após a edição deste trabalho, Takahashi abandona o grupo, continuam o mesmo como trio, o que acontece até aos dias de hoje.
Pelo caminho, editaram regularmente vários discos, mantendo um nível bastante equilibrado e sem altos e baixos. Chegam a Paredes de Coura com este "Penny Sparkle", um disco com o espírito dos Sonic Youth, simultaneamente melodioso e experimental, mas que garante a ausência de qualquer devaneio mais tresloucado, sendo expectável um concerto fabuloso.

01 - Here Sometimes
02 - Not Getting There
03 - Will There Be Stars
04 - My Plants Are Dead
05 - Love or Prison
06 - Oslo
07 - Penny Sparkle
08 - Everything Is Wrong
09 - Black Guitar
10 - Spain

Nota - 8/10

09/08/11

Crystal Stilts - In Love With Oblivion

E continuando a viagem por alguns discos dos grupos que vão actuar no palco principal do Festival de Paredes de Coura, no próximo dia 18 de Agosto, é chegada a vez dos Cristal Stilts, que são, na minha opinião o grupo mais fraco deste dia.
O grupo formou-se no ano de 2003 em New York, com Brad Hargett e JB Townsend. Gravaram os primeiros trabalhos, singles e EPs, durante o ano de 2004 e o primeiro CD foi editado em somente em 2008, "Alight of Night".
Na sua essência, os Crystal Stilts são um duo, mas para os espectáculos ao vivo recorrem a músicos convidados, mais ou menos fixos, como Kyle Forester nas teclas, Andy Adler no baixo e o "Vivian Girls" Frankie Rose na bateria. Este agrupamento de músicos acaba por participar na gravação deste "In Love With Oblivion" e mais tarde Frankie Rose abandona o grupo, entrando para o seu lugar Keegan Cooke.
A música dos Crystal Stilts tem evidentes influências de Jesus and Mary Chain ou Birthday Party, mas é um estilo de música simultaneamente oco e inócuo. Não chega a ser enfadonha, mas também não tem aquela potência e aquele poder de nos surpreender. Ouve-se, mas apesar dos dois trabalhos do grupo terem sido muito bem recebidos pela crítica especializada, não acredito na longevidade da música do grupo.

01 - Sycamore Tree
02 - Through The Floor
03 - Silver Sun
04 - Alien Rivers
05 - Half a Moon
06 - Flying Into The Sun
07 - Shake The Shackles
08 - Precarious Stair
09 - Invisible City
10 - Blood Barons
11 - Prometheus At Large

Nota - 6/10

08/08/11

Twin Shadow - Forget

Retomando a viagem pelos trabalhos dos grupos que vão tocar no Festival de Paredes Coura - no dia 18 de Agosto, dia que tem como cabeça de cartaz os Pulp - é chegada a vez de prestar alguma atenção a Twin Shadow, projecto de George Lewis Jr., músico nascido na República Dominicana, residente na Flórida e que foi descoberto pelos Grizzly Bear.
Num género musical próximo do Chillwave, a música de Twin Shadow acaba por ser algo revivalista, e não passam despercebidas de ninguém as influências de alguma da música pop que se fez nos anos 80, principalmente aquele estilo musical que surgiu e que já tinha algumas influências da New Wave. Uma voz algo grave, melodiosa e assente numa estrutura musical também ela melodiosa e por vezes com alguns temas dançáveis, não sendo de estranhar um certo "bater de pé" em algumas das canções deste Forget, editado em 2010, que acaba por se tornar um disco bastante agradável, equilibrado, e do qual é difícil apontar algum tema que possa ser apelidado de tema forte do álbum, bem como escolher um tema que possamos considerar fraco.
É um disco que justifica alguma atenção, e estamos em crer que George Lewis Jr., dará um bom concerto em Paredes de Coura.

01 - Tyrant Destroyed
02 - When We're Dancing
03 - I Can't Wait
04 - Shooting Holes
05 - At My Heels
06 - Yellow Ballon
07 - Tether Beat
08 - Castles In The Snow
09 - For Now
10 - Slow
11 - Forget

Nota 8/10

06/08/11

La Habana Canta Sabina

Depois de ter iniciado uma viagem (ao som dos Warpaint) por alguns dos álbuns dos agrupamentos que vão estar em Paredes de Coura no dia 18 de Agosto, não resisto a fazer uma primeira interrupção para divulgar este disco (projecto) de homenagem a um dos melhores cantautores (cantantes) espanhóis, Joaquin Sabina.
Senhor de uma extensa obra em que alguns momentos menos felizes são esquecidos com o brilhantismo da maioria das suas canções, Joaquin Sabina continua a encantar com as suas canções, normalmente enriquecidas por belíssimos poemas, nos quais a sua voz caracteristicamente rouca funciona como uma "cereja no topo de um bolo".
Foram dez das imensas canções de Sabina, que foram reinventadas por um conjunto de músicos cubanos, com o som característico de cuba, mas sem as canções perderem a sua identidade e qualidade.
La Habana canta Sabina é um excelente disco para quem aprecia a música de Sabina, aqui com um toque cubano.

01 - Una Cancion para La Magdalena (Pablo Milanés)
02 - Quien Me Ha Robado El Mes de Abril (Kalunga)
03 - Que Se Llama Soledad (Haydée Milamés)
04 - Contigo (Jessica Rodriguez)
05 - Como Un Dolor de Muelas (Ivett Cepeda)
06 - A La Sombra de Un Leon (Amaury Perez)
07 - La Cancion Mas Hermosa Del Mundo (Buena Fe)
08 - A La Sombra de Un Leon (Pancho Amat Y El Cabildo Del son)
09 - 19 Dias Y 500 Noches (Frank Fernández)
10 - Tan Joven Y Tan Viejo ( Carlos Varela)

Nota 8/10

05/08/11

Warpaint - The Fool

O quarteto feminino Warpaint, oriundo de Los Angels, vai passar por Paredes de Coura, no dia em que tocam os Twin Shadow, Blonde Redhead, Crystal Stilts e os Pulp.
Numa primeira fase, o grupo era constituído pelas irmãs Jenny Lee Lindberg (baixo) e Shannyn Sossamon (bateria), Emily Kokal (voz e guitarra) e Theresa Wayman (voz e guitarra). Posteriormente Shannyn Sossamon abandonou o grupo, entrando para o seu lugar Stella Mozgawa, e é essa a formação actual.
Após alguns EPs editados em 2009 e que obtiveram bastante sucesso junto da crítica especializada, o primeiro grande trabalho da banda surge em Outubro de 2010 e trata-se de uma agradável surpresa, numa toada extremamente melódica, num ambiente celestial criando uma atmosfera de art rock, repleta de ambiências simultaneamente sedutoras e relaxantes, dentro de um estilo que nos traz à memória os Mojave 3, Here We Go Magic (também tocam em Paredes de Coura no mesmo dia), Beach House ou mesmo os Mazzy Star na sua vertente mais calma.
Sem deslumbrar, seduz, e acho que vai ser um excelente concerto no idílico cenário de Paredes de Coura.

01 - Set Your Arms Down
02 - Warpaint
03 - Undertow
04 - Bees
05 - Shadows
06 - Composure
07 - Baby
08 - Majesty
09 - Lissie's Heart Murmur

Nota - 7/10

04/08/11

Washed Out - Within and Without

Se o destaque de ontem foi para um grupo com alguma experiência, os Jeff The Brotherhood, o de hoje vai para um estreante em termos dos chamados trabalhos de longa duração. Após alguns EPs editados, Ernest Greene grava finalmente o seu primeiro CD, este Within and Without, para a label Sub Pop, normalmente sinónimo de qualidade.
Se ontem foi apresentado um disco virado para o rock puro, já o de hoje segue para um campo completamente oposto, com um pop melodioso num estilo synth pop, com alguns momentos bastante agradáveis, mas que numa audição completa e sequencial do disco tornam-se algo aborrecidos; ou seja, é aquele tipo de disco que se ouvirmos quatro ou cinco temas seguidos torna-se agradável, mas se ouvirmos do primeiro ao último tema, torna-se aborrecido.
Apesar de tudo é um bom disco, principalmente para esta altura do ano, com uma música agradável que dá uma sensação de frescura.

01 - Eyes Be Closed
02 - Echoes
03 - Amor Fati
04 - Soft
05 - Far Away
06 - Before
07 - You And I
08 - Within and Without
09 - A Dedication

Nota - 7/10

03/08/11

Jeff The Brotherhood - We Are The Champions

Este projecto iniciado em 2001, pelos irmãos Jake e Jamin Orrall, membros do Be You Own Pet, regressa este ano de 2011 com o seu quinto trabalho de originais. Pode ser mais do mesmo em relação aos anteriores trabalhos do grupo, mas este We Are The Champions é um disco bastante agradável, repleto de um bom rock, simples e directo, simultaneamente melódico e agressivo, com o verdadeiro estilo rock 'n' roll. Onze canções que merecem ser escutadas, em repeat.

01 - Hey Friend
02 - Cool Out
03 - Bummer
04 - Shreddr
05 - Diamond Way
06 - Endless Fire
07 - Ripper
08 - Mellow Out
09 - Stay Up Late
10 - Health and Strength
11 - Wastoid Girl

Nota - 8/10

02/08/11

Recortes... Geoffrey Oryema

Disco autografado por um dos meus músicos favoritos, Geoffrey Oryema. O autógrafo foi dado após o espectáculo que o músico, natural do Uganda, deu na Expo 98.

21/07/11

Ao vivo... Festival Optimus Alive

Data - 09 de Julho de 2011
Local - Passeio Marítimo de Algés
Notas - O último dia da edição deste ano do acidentado Alive, foi extremamente fraco, em termos de concertos. Uma série de grupos de pouco relevo, divididos pelos diversos palcos do recinto, ficando a ideia que foram os grupos que sobraram de um determinado pacote de artistas.
Se por um lado é inegável a qualidade dos TV on The Radio em palco e nos discos, essa qualidade já é questionável em relação aos White Lies e aos Kaiser Chiefs.
Apesar de ambos se terem esforçado para proporcionar bons momentos ao público, esse esforço ficou aquém do desejado, principalmente no caso dos White Lies, que deram um concerto morno, em fim de festa.
No caso dos Kaiser Chiefs, o esforço de Ricky Wilson (visivelmente mais magro) em remar contra o marasmo que é a actual música do grupo, foi insuficiente. Ele corre, salta, vai ao bar buscar uma cerveja, brinca com os espectadores e com os operadores de câmara, faz, como se costuma dizer, trinta por uma linha, mas a qualidade musical do grupo e os momentos em que o público delira, restringem-se aos temas do primeiro trabalho do grupo, Employment (2005). Não foi um concerto mau, mas esteve longe de ser bom.
Um bom fim de festa, mas um mau fim de festival.
Tocaram ainda Jane's Adiction, Paramore, Foals, Linda Martini, entre outros, mas não assisti a estes concertos.

20/07/11

Ao vivo... Festival Optimus Alive

Data - 08 de Julho de 2011
Local - Passeio Marítimo de Algés
Notas - Dia desastroso para a organização do festival, com o cancelamento de três concertos do palco principal.
Klepht, The Pretty Reckless e os You Me At Six, viram os seus concertos cancelados devido a problemas técnicos, segundo a organização. Ao que consta, uma das vigas que sustentava a estrutura do palco, estava a ceder, tendo sido colocadas duas gruas para funcionarem como suporte do palco. Um azar toda a gente tem, no entanto é de lamentar a falta de informação por parte da organização e a forma como lidaram com o problema, perante o público. Apesar de tudo, conseguiram assegurar os concertos dos 30 Seconds to Mars e dos Chemical Brothers, com uma redução substancial do tempo, principalmente dos 30 Seconds.
Esta questão não me afectou minimamente, pois este dia estava destinado ao chamado palco secundário, que neste festival foi muito superior ao apelidado palco principal. Por este palco (secundário) iam passar Angus & Julia Stone, Fleet Foxes e os Grinderman de Nick Cave, entre outros.
Se os dois primeiro se limitaram a darem espectáculos bons e agradáveis mas que, seguramente, ser perderão no tempo , já os Grinderman arrasaram por completo a assistência com um espectáculo de um ritmo alucinante e poderosíssimo; direi mesmo brutal. O início com um Nick Cave, como que possuído por um demónio que queria arrasar tudo e todos; um vendaval de música e ritmo indescritível.
Passados dez dias, e já sem estar sobre o efeito que se tem quando acaba um concerto, arrisco a afirmar que foi o melhor concerto a que assisti até hoje.

19/07/11

Ao vivo... Super Bock Super Rock

Data - 16 de Julho de 2011
Local - Aldeia do Meco
Notas - Aquele que foi considerado, à partida, como o melhor festival do ano em Portugal, terminou de uma forma péssima com uma actuação desastrosa dos Strokes e com problemas de som que, em determinadas alturas, faziam com que a voz de Julian Casablancas não se ouvisse em certos locais do recinto, na zona abrangida pelo palco principal.
O dia nem começou mal, com uma actuação dinâmica e segura dos portugueses X-Wife, à qual se seguiu o pop despretensioso e suave do vocalista dos Killers, Brandon Flowers, que apesar de poder ser considerado um erro de casting para um festival com um cartaz tão alternativo, não desiludiu e conseguiu segurar e agarrar o público.
Após a actuação de Flowers, entraram em palco os Elbow, para aquele que considero ter sido o melhor concerto do dia. Com um estilo musical digno de um Coliseu ou de uma Aula Magna num ambiente mais calmo e intimista, o grupo esteve em bom nível irradiando simpatia e boa música, talvez excessivamente monótona para o ambiente que se vivia no recinto, tendo chegado a provocar alguma sonolência em algum público, maioritariamente fans dos The Strokes. Seria um concerto fabuloso, noutra sala.
Entre os muitos aguardados Slash e The Strokes, houve tempo para uma curta visita ao palco secundário, onde actuava o ex-Stone Roses, Ian Brown, para mais um concerto desastroso, algo a que o músico já nos habituou. A primeira vez de Brown, a solo em terras portuguesas, foi, em tudo, idêntica à primeira vez dos Stone Roses no Festival de Vilar de Mouros, em 1996: um desastre.
Relativamente a Slash, provou ser um dos melhores guitarristas de sempre. Agora numa carreira a solo, acompanhado por Myles Kennedy na voz, o ex-Guns n' Roses deu um concerto razoável em que demonstrou todo o seu nível, tendo, logicamente, como momentos altos os temas dos Guns, principalmente Sweet Child O' Mine, onde cerca de 30000 pessoas cantaram a música na integra, proporcionando um momento de alguma beleza, algo que o grupo seguinte não conseguiu fazer.
Achei muito fraca a actuação dos Strokes, por muito que isso possa custar aos fans de uma das melhores bandas surgidas na última dezena de anos, mas que desde o seu primeiro disco, Is This It (2001) nunca mais conseguiu atingir grandes níveis qualitativos, pese alguma melhoria no último, Angels (2011 ) em relação ao fraco First Impessions on Earth de 2006. uma actuação descabida, se não ébria, por parte de Julian Casablancas. Todos nós temos dias maus, e quero acreditar que foi esse o caso dos Strokes.

18/07/11

Ao vivo... Super Bock Super Rock

Data - Dia 15 de Julho de 2011
Local - Aldeia do Meco
Notas - No segundo dia da 17ª edição do festival Super Bock Super Rock, a expectativa maior era para a actuação dos Arcade Fire, que deste modo compensavam o público português, depois do cancelamento a que foram obrigados no ano passado, devido à cimeira da Nato.
No palco principal, o dia começou da melhor maneira com o projecto Noiserv, liderado por David Santos e que assenta numa estrutura muito pessoal do músico, num estilo intimista.
Após a actuação de Noiserv, chegou a vez de Rodrigo Leão & Cinema Ensemble que, mais uma vez não desiludiram e deram um concerto de grande nível, que incidiu principalmente sobre o último trabalho do músico, "A Mãe", editado durante o ano de 2009. Como ponto negativo deste concerto, apenas alguma indecisão durante a actuação, indecisão essa que transmitiu a ideia de falta de conhecimento do alinhamento das canções, levando inclusivamente a que fossem ouvidos alguns apupos.
Enquanto não começava a actuação dos Portishead, houve oportunidade para uma "viagem" até à zona do palco secundário para assistir a Legendary Tigerman, músico de grande nível mas que se torna aborrecido em palco, apesar de ser um excelente executante mas, e na minha opinião, ao fim de três ou quatro músicas... chega; e está na hora de fazer a "viagem" de regresso até ao palco principal, onde os Gift, de que não sou apreciador, estavam a terminar a sua actuação.
Seguiam-se, neste mesmo palco, os Portishead de Beth Gibbons para mais um daqueles concertos a que este grupo nos habituou, e dos quais é extremamente dificil conseguir apontar algum defeito. Uma voz mais limpa de Beth Gibbons, foi complementada de forma excelente pelos grandes músicos que fazem parte do grupo e que tornam os concertos dos Portishead como algo grandioso.
A fasquia deste segundo dia estava muito alta, e só um grupo como os Arcade Fire é que conseguia fazer melhor que Portishead. Com um início arrasador, ao som de Ready To Start, o concerto foi um autêntico Best Of que percorreu os três excelentes álbuns editados por esta banda canadiana que continua a ter uma carreira de grande nível, quase imaculada; como imaculado foi o concerto que deram neste SBSR, apesar de uma hora e quinze minutos ser muito pouco para tanta música boa, como é a dos Arcade Fire.

15/07/11

Ao vivo... Super Bock Super Rock

Data - 14 de Julho de 2011
Local - Aldeia do Meco
Notas - A edição deste ano do Super Bock Super Rock - o festival mais mutante, dos muitos que se realizam em Portugal - serviu para confirmar que os grandes problemas com que este festival se depara são os acessos e as fracas condições do recinto, devido ao pó, às poucas casas de banho e a uma área de alimentação muito pequena, tornando num verdadeiro pesadelo qualquer tentativa para adquirir algo para comer.
No que diz repeito à música, que na realidade é o que interessa à maior parte dos "festivaleiros", o cartaz deste ano é excelente, pois traz-nos uma imensidão de grupos de grande qualidade e, principalmente, com poucas passagens por Portugal.
Neste primeiro dia, o destaque em termos de alinhamento ia para os Arctic Monkeys, que não desiludiram numa actuação que durou cerca de uma hora e quinze minutos. No entanto, na minha opinião, o grupo podia ser mais enérgico em termos de presença em palco, pois se por um lado a música do grupo é de uma energia impressionante, já a presença em palco da banda é algo estática, com os elementos muito "agarrados aos seus lugares".
A anteceder a actuação da banda liderada por Alex Turner, estiveram em palco os Beirut, para aquele que foi o melhor concerto deste primeiro dia. Zach Condon e este seu projecto, deram um concerto muito próximo da perfeição, deixando a ideia que um concerto deste grupo numa Aula Magna ou num Coliseu será, isso sim, perfeito, pois num espectáculo deste género e em nome próprio, não "estamos a levar" com aquelas pessoas que estão ali pelo ambiente e não respeitam quem está ali pela música, pois estão constantemente a falar sobre nada e sobre quase tudo, mas acima de tudo, falam do que não tem nada a ver com o que se está a passar. Infelizmente é algo que acontece muito em festivais.
Relativamente aos Walkmen, o segundo grupo a passar pelo palco principal, provaram mais uma vez que são uma banda de grande nível e profissionalismo, nos seus espectáculos. Um bom concerto, que serviu para abrir o apetite para os Beirut.
Relativamente ao palco secundário, o destaque do dia vai para a actuação boa e segura da sueca Lykke Li, que surpreendeu ao apresentar os temas dos seus dois trabalhos Youth Novels (2008) e Wounded Rhimes (2010) numa versão, quase que arrisco a dizer mais gótica. Se nos discos a música de Lykke Li apresenta uma sonoridade mais calma, já ao vivo surge um cruzamento com ambientes e sonoridades góticas, mas que nunca chega a entrar naquela onda gótica à base de guitarras.
Houve ainda Tame Impala que confirmaram a qualidade apresentada em disco, os El Guincho que foram uma boa surpresa, e os portugueses Sean Riley & Slowriders que demonstraram ser muito bons em palco.

05/07/11

Setlist... Pulp no Wireless Festival

01 - Do You Remember The First Time
02 - Pink Glove
03 - Mile End
04 - Mis-Shapes
05 - Something Changed
06 - Disco 2000
07 - Sorted For E?s
08 - F.E.E.L.I.N.G.C.A.L.L.E.D.L.O.V.E
09 - I Spy
10 - Babies
11 - Underwear
12 - This Is Hardcore
13 - Sunrise
14 - Bar Italia
15 - Common People

Setlist do excelente concerto dos Pulp, no dia 03 em Hyde Park.

28/05/11

Gil Scott-Heron - I'm New Here - (R.I.P.)

Faleceu ontem um génio. Gil Scott-Heron, autor de um dos melhores discos de 2010.
Por esse motivo, em jeito de homenagem, recupero a análise feita a "I'm New Here" na altura da sua edição.
Este "I'm New Here" é um disco, no mínimo, curioso, pois trata-se de um trabalho de música em forma de poesia... ou poesia em forma de música.
Dos quinze temas que fazem parte do disco, uns são declamados outros cantados pela excelente voz de Gil Scott-Heron e, a forma como os temas são elaborados e interpretados, transformam este disco em algo muito introspectivo, como se nos estivesse a ser contada uma história cheia de talento e beleza.
Alguns temas cantados, outros narrados e ainda outros que parecem relatos de histórias de bastidores, fazem com que a este disco se possa aplicar a frase "inicialmente estranha-se... depois entranha-se".
"I'm New Here" não é um disco fácil, pois tem tanto de estranho com de belo. Insere-se naquele género de registo que se aprende a gostar com o tempo, e não creio que possa ser ouvido em qualquer altura ou qualquer lugar; nada disso. É preciso estar com capacidade para interiorizar a música e o ambiente que o disco proporciona, e julgo estar-se perante o "companheiro" ideal para uma viagem pois, para além da sensação de companhia que nos transmite, proporciona-nos momentos de grande beleza e serenidade, embalados pela excelente voz de Gil Scott-Heron.

01 - On a Comming From a Broken Home (1)
02 - Me And The Devil
03 - I'm New Here
04 - Your Soul And Mine
05 - Parentes (Interlude)
06 - I'll Take Care Of You
07 - Being Blessed (Interlude)
08 - Where Did The Night Go
09 - I Was Guided (Interlude)
10 - New York Is Killing Me
11 - Certain Things (Interlude)
12 - Running
13 - The Crutch
14 - I've Been Me (Interlude)
15 - On a Comming From a Broken Home (2)

Nota - 9/10