2016... Ano improvável (Parte 2)

Dia 21 de Abril, chego a casa cansado de mais um dia de trabalho, sento-me no sofá, ligo a televisão.
Ainda mal me acomodei e, "pás"... mais um murro no estômago.
Prince, muitas vezes apelidado de pequeno-génio de Minneapolis tinha partido.
Fiquei inerte ao ouvir a notícia da partida de mais um dos meus compositores preferidos.
Absolutamente genial, polémico, capaz do melhor e do pior, Prince Rogers Nelson editou mais de três dezenas de discos, entre o seu primeiro álbum "For You" editado em 1988 e o último "HITnRUN: Phase Two" editado em 2015, o que dá uma média superior a um disco por ano durante toda a sua carreira.
Sempre foi do conhecimento geral que Prince era um ávido compositor, constando ainda que, supostamente, terá deixado mais de uma centena de canções prontas a ser editadas. Consta também que passava os dias a compor, não sendo de estranhar ao analisarmos a sua produção musical
Não sendo, digamos, tão transversal como Bowie, Prince deixou uma marca incontornável no panorama musical, com trabalhos de enorme qualidade, como por exemplo "Purple Rain" (1984) que deu origem a um filme com o mesmo nome no qual é o actor principal, "Sign 'O' Times" (1987) ou "The Love Symbol Album" (1992).
Graças à sua ânsia de editar novos trabalhos e dar vazão à sua criatividade, teve uma carreira com muitos altos e baixos, vagueando por vários estilos musicais, desde o Funk ao Rock, passando pelo Jazz, e envolvendo-se em projectos de curta duração.
Como todos os génios, tinha algo de louco, não sendo de estranhar algumas facetas da sua personalidade muito peculiar, como por exemplo o facto de ter mudado de nome várias vezes, a sua guerra contra quem publicava vídeos e fotografias dos seus concertos na Internet e a sua luta pela defesa dos direitos de autor. A título de curiosidade pode-se referir que não existia qualquer vídeo dele que pudesse ser visto no Youtube, tendo inclusivamente processado quem insistia em os publicar.
Excêntrico, compositor genial, em palco movia-se de forma espectacular, dançava lindamente e era considerado por muita gente um dos melhores guitarristas do mundo, apesar de a sua música não assentar numa estrutura que permitisse grandes solos. Tinha uma forma muito particular de tocar, extraindo o som dos solos da sua guitarra com a mão que marcava a nota, enquanto com a outra, a direita, gesticulava e representava.
Inesquecível no Festival Super Bock Super Rock na Aldeia do Meco em que, ao lado de Ana Moura, Prince "cantou" com a sua guitarra o fado "Vou dar de beber à dor". Ana Moura cantou e Prince fez o mesmo com a guitarra sem cantar, em 2010.
No dia 21 de Abril deste improvável ano de 2016, Prince partiu com apenas 57 anos de idade.
Não me tendo marcado de forma tão indelével como por exemplo David Bowie, a música de Prince também preenche uma grande parte da banda-sonora da minha vida e, para além disso, sou dos que o considera um dos melhores guitarristas de sempre, e a guitarra é o meu instrumento preferido.
Sei que partiu, mas deixou-nos um legado enorme, e espero que se confirme o rumor de que deixou mais de uma centena de canções prontas a serem editadas.